Saúde

Fumaça de queimadas urbanas pode até matar, alerta médico

Mesmo com multas que chegam a R$ 500 mil, douradenses causaram 250 focos de incêndio em terrenos baldios esse ano, segundo a Guarda Municipal Ambiental

22 SET 2020 • POR Valéria Araújo • 08h33

Além do dano ambiental irreparável, as queimadas urbanas têm levado muitas pessoas, especialmente crianças, aos consultórios médicos com alergias e crises respiratórias devido a fumaça. Em Dourados o médico pediatra e homeopata Gustavo Veiga de Lara, explica que todos os anos nessa época de calor intenso e baixa umidade relativa do ar, provocada pela estiagem, há um aumento na procura por tratamento. Ele alerta que os efeitos da fumaça podem ser graves. Para quem tem doenças respiratórias, por exemplo, os agentes tóxicos podem causar lesões pulmonares irreversíveis o que pode levar até a morte, dependendo do grau de exposição.

Ele ressalta ainda que a fumaça pode levar a uma inflamação nas vias aéreas o que facilita a entrada de vírus e bactérias, causando outros tipos de infecção, como a Covid-19, por exemplo. Aos pais o médico alerta para que estejam atentos as previsões do tempo e que diante da baixa umidade relativa do ar providenciem umidificador de ar ou até mesmo uma bacia com água nos quartos para melhorar a sensação de secura. O médico orienta ainda aos pais para que levem os filhos para a consulta regular com o pediatra para sanar qualquer dúvida.  

Queimadas

O calor de rachar, com sensação térmica de 40 graus observados nas semanas passadas é ainda mais difícil de suportar com o aumento dos focos de incêndios. A queima de lixo doméstico praticada por diversos cidadãos como forma de dar fim a sujeira em terrenos baldios, além de causar danos à saúde pública com a fumaça, provoca risco de incêndio em proporções maiores, destrói a vegetação e pode causar a morte de animais nas redondezas. A ação pode gerar multa, podendo configurar crime sob pena de até quatro anos de detenção.

Em Dourados a Guarda Municipal Ambiental registrou de Janeiro até agora 250 casos de queimadas urbanas.  A Inspetora responsável pelo Pelotão ambiental da GM, Claudia Vieira da Silva Ortega, explica que somente no mês de agosto foram 38 atendimentos a ocorrências que chamaram a atenção em Dourados. “O trabalho da GMA é fazer o laudo de constatação no local, averiguar se é possível encontrar o autor do incêndio e no caso de terrenos abandonados em que haja sujeira o proprietário será responsabilizado”, explica, observando que quem faz o atendimento para apagar as chamas é sempre o Corpo de Bombeiros.

De acordo com a GMA a fiscalização segue as normas da Lei Verde, número 055. A legislação prevê multas de R$ 80 a R$ 500 mil, dependendo da gravidade do caso – incluindo extensão da área queimada, impactos sobre a fauna e flora local e os prejuízos aos moradores das redondezas. Claudia explica que tanto por meio de denúncia ou flagrante o autor pode ser penalizado. “Muitas vezes em rondas a GMA constata ainda a pratica de moradores que colocam fogo em lixo ou em folhas em terrenos baldios ou dentro do quintal onde residem. Nós fazemos um trabalhos de alerta e conscientização, mas também de multa”, ressaltando que do final do ano passado até agora 82 pessoas foram multadas.