Meio ambiente

População brasileira é a que mais consome agrotóxicos no mundo

4 MAR 2016 • POR • 09h07
Além do crescimento de culturas transgênicas, o mercado de agrotóxicos cresceu mais de 400% - Foto: Divulgação
No caminho oposto à Dinamarca (primeiro país do mundo que terá agricultura 100% orgânica por lei), no Brasil, a grande maioria da população ingere grandes quantidades de agrotóxicos, se saberque isso acontece.


Segundo levantamentos de setores especializados no acompanhamento da qualidade dos alimentos produzidos no Brasil, é quase certo que a fruta, o legume e a verdura que chegam atualmente à mesa dos brasileiros não tenham passado por nenhum controle rígido dos níveis de agrotóxicos. Segundo entidades ligadas aos consumidores, a fiscalização, quando é feita, atinge somente uma fração pequena dos produtos e reprova até um terço deles.


O Brasil é uma potência na produção de alimentos ocupando a segunda posição entre os maiores produtores do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, mas é o primeiro no que diz respeito ao consumo de agrotóxicos. Desde 2008, o país é o maior consumidor mundial destes produtos.


Aliado ao crescimento do plantio de culturas transgênicas no país, o mercado de agrotóxicos cresceu mais de 400% nos últimos dez anos. Na safra de 2013/2014, foram utilizados cerca de 1 bilhão de litros de agrotóxicos, o que gera uma média de 5 litros de veneno por habitante, de acordo com especialistas.Segundo estudos, entre as substâncias usadas no país estão algumas potencialmente cancerígenas, parte delas banidas da União Europeia e de países como China e Índia.


Um levantamento publicado recentemente pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e pelo Instituto Nacional do Câncer (Ministério da Saúde) revelou uma situação assustadora sobre o uso de agrotóxicos no país. De acordo com o documento, os impactos na saúde pública são amplos, atingem vastos territórios e envolvem diferentes grupos populacionais, como trabalhadores em diversos ramos de atividades, moradores do entorno de fábricas e fazendas.Segundo a Abrasco, esses impactos estão associados ao atual modelo de desenvolvimento do país, voltado prioritariamente para a produção de bens primários para exportação. Mas esta estratégia não surte efeito, já que atualmente, a taxa de aumento de uso de agrotóxicos no país é maior que o crescimento de produtividade, um indicador de que o Brasil está a utilizar mais produtos químicos para produzir a mesma quantidade de alimentos. A pesquisadora norte-americana Stephanie Seneff, do MIT, apresentou um estudo anunciando mais um dado alarmante: "Até 2025, uma a cada duas crianças nascerá autista", disse ela, que fez uma correlação entre os herbicidas feito a base do glifosato, e o estímulo do surgimento de casos de autismo. O glifosato, além de ser usado como herbicida no Brasil, também é uma das substâncias oficialmente usadas pelo governo norte-americano no Plano Colômbia. Nos últimos tempos, o mercado brasileiro de agrotóxicos movimentou 7,3 bilhões de dólares e representou 19% do mercado global. Soja, milho, algodão e cana-de-açúcar representam 80% do total de vendas nesse setor.


Segundo a Abrasco, essa é a lista da agricultura que mais consome agrotóxicos:Soja (40%), milho (15%),cana-de-açúcar e algodão (10% cada, cítricos (7%), café, trigo e arroz (3% cada), feijão (2%), batata (1%), tomate (1%), maçã (0,5%) e banana (0,2%).