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Unicef quer apoio para socorrer 8 milhões de crianças que podem morrer de fome

Às vésperas da cúpula do Grupo dos Sete Países Mais Industrializados do Mundo, G7, agência da ONU pede US$ 1,2 bilhão para levar alimentos e tratamento a crianças em risco grave de inanição

23 Jun 2022 - 14h15Por ONU News
Deslocados interno na Nigéria - Crédito:  WFP/Arete/Siegfried ModolaDeslocados interno na Nigéria - Crédito: WFP/Arete/Siegfried Modola

Às vésperas da cúpula do G7, o Fundo das Nações Unidas para Infância, Unicef, faz um apelo por US$ 1,2 bilhão para atender às necessidades urgentes de 8 milhões de crianças menores de cinco anos em risco de morte por definhamento grave. 

Segundo a agência, a crise global de fome coloca uma criança em desnutrição grave a cada minuto em 15 países que sofrem com a escassez de alimentos, como na região do Chifre da África e no Sahel.  

Crise alimentar global 

Os menores podem morrer com a falta de cuidados terapêuticos imediatos. Este aumento no definhamento grave é um acréscimo aos níveis existentes de desnutrição infantil que o Unicef alertou que era como uma “caixa de pólvora” no mês passado. 

A diretora executiva da agência da ONU, Catherine Russell, afirma que a ajuda alimentar é fundamental, mas não é possível salvar crianças da fome com sacos de trigo”. Ela reforça a necessidade de levar tratamento para os menores “antes que seja tarde demais”. 

O Unicef explica que o aumento dos preços dos alimentos, a seca persistente devido às mudanças climáticas, conflitos, e o impacto econômico da pandemia continuam a aumentar a insegurança alimentar e nutricional das crianças em todo o mundo, resultando em “níveis catastróficos” de desnutrição grave em crianças menores de 5 anos.  

Em resposta, o Unicef está intensificando seus esforços nos 15 países mais afetados.  

Afeganistão, Burkina Faso, Chade, República Democrática do Congo, Etiópia, Haiti, Quênia, Madagascar, Mali, Níger, Nigéria, Somália, Sudão do Sul, Sudão e Iêmen serão incluídos em um plano de aceleração para ajudar a evitar o aumento nos casos de crianças mortes e mitigar os danos a longo prazo do definhamento grave. 

Efeitos da fome 

Segundo o Unicef, o emagrecimento severo, no qual as crianças são muito magras para sua altura, é a forma mais visível e letal de desnutrição.  

Mas o sistema imunológico também fica enfraquecido, o que aumenta o risco de morte entre crianças menores de cinco anos em até 11 vezes em comparação com crianças bem nutridas. 

Nos 15 países em maior risco, o Unicef estima que pelo menos 40 milhões de crianças sofrem de insegurança nutricional grave, o que significa que não estão recebendo a dieta diversificada mínima necessária para crescer e se desenvolver na primeira infância.  

Além disso, 21 milhões de crianças sofrem de insegurança alimentar grave, o que significa que não têm acesso a alimentos suficientes para atender às necessidades mínimas, ficando em alto risco de definhamento grave. 

Enquanto isso, o preço dos alimentos terapêuticos prontos para uso para tratar o definhamento grave subiu 16% nas últimas semanas devido a um aumento acentuado no custo dos ingredientes, deixando outras 600 mil crianças adicionais sem acesso a tratamento e correndo risco de morte. 

Investimento  

O Unicef explica que o valor de US$ 1,2 bilhão é necessário para fornecer um pacote essencial de serviços e cuidados de nutrição para evitar milhões de mortes infantis nos 15 países com maior risco. 

O financiamento permitiria a proteção da nutrição materna e infantil, bem como o tratamento de crianças com desnutrição grave e a compra e distribuição de alimentos terapêuticos prontos para uso. 

Catherine Russell afirma que é difícil descrever o que uma criança em definhamento grave, mas quando você conhece vê o sofrimento da forma mais letal de desnutrição, “você entende – e nunca esquece”. 

A diretora executiva do Unicef afirma que os líderes reunidos na Alemanha para o G7 têm uma pequena janela de oportunidade para agir e salvar a vida dessas crianças. “Não há tempo a perder. Esperar que a fome seja declarada é esperar que as crianças morram.”, concluiu. 

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