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Sob pressão, presidente interino e premiê da Tunísia deixam partido

19 Jan 2011 - 00h10
Manifestante segura faixa que pede a saída do RCD, partido do presidente deposto Zine al-Abidine Ben Ali, do novo governo interino, durante protestos nesta terça - Crédito: Foto: Zohra Bensemra / ReutersManifestante segura faixa que pede a saída do RCD, partido do presidente deposto Zine al-Abidine Ben Ali, do novo governo interino, durante protestos nesta terça - Crédito: Foto: Zohra Bensemra / Reuters
O presidente interino da Tunísia e o primeiro-ministro deixaram o partido nesta terça-feira (18), após pressões de políticos da oposição e dirigentes sindicais que ameaçavam derrubar o governo interino, informa a TV estatal.

Tanto Fouad Mebazza, líder do Parlamento que foi nomeado presidente interino no último domingo, quanto o primeiro-ministro Mohamed Ghannouchi continuam nos cargos.

\"Em uma tentativa de separar o governo do partido, Fouad Mebazza e Mohamed Ghannouchi renunciaram dos seus cargos na União Constitucional Democrática (RCD)\", informou a TV tunisiana.

A decisão é uma tentativa de salvar o governo provisório anunciado na segunda (17), após protestos manifestantes terem rejeitado o novo governo e exigirem a saída do RCD, partido do presidente deposto Ben Ali.

#####Ministros renunciam

Mais cedo, quatro ministros do governo de união nacional também renunciaram, depois que milhares de manifestantes protestaram contra a manutenção desta equipe de membros do antigo regime.

Ao mesmo tempo, o movimento islâmico Ennahda (Renascimento), perseguido pelo regime do presidente Zine El Abidine Ben Ali, anunciou sua intenção de pedir sua legislação e participar das eleições legislativas previstas para antes de meados de julho.

Três ministros que renunciaram pertencem à União Geral dos Trabalhadores Tunisianos (UFTT) e o quarto integrava o Foro Democrático para o Trabalho e as Liberdades (FDLT).

\"Nós nos retiramos do governo a pedido de nosso sindicato\", declarou à AFP Houssine Dimassi, nomeada segunda-feira ministra da Formação e do Emprego.

Os outros dois ministros, segundo Dimassi, são Abdeljelil Bédoui (ministro sem pasta) e Anouar Ben Gueddour (ministro do Transporte e Equipamentos).

O UGTT, potência central sindical, desempenhou um papel crucial nas manifestações que provocaram a queda do presidente Ben Ali, que fugiu do país no dia 14 janeiro após 23 anos no poder. Ele está refugiado na Arábia Saudita.

Os atos de violência que acompanharam a \"Revolução do Jasmim\" fizeram 78 mortos e 94 feridos, segundo autoridades.

O UGTT anunciou igualmente que o partido não reconhecia o novo governo do primeiro-ministro Mohammed Ghannouchi, cuja maioria dos membros pertence à RCD.

Ghannouchi formou o gabinete de 24 membros, com três figuras de oposição legal, mas também - além do presidente do conselho - sete ministros do antigo regime.

Esses ministros conservaram as pastas-chave, como Interior, Defesa, Relações Exteriores e Finanças.

*(Com informações da Reuters e France Presse)(G1.com)

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