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Saída imediata de Mubarak é 'apelo ao caos', diz vice-presidente do Egito

03 Fev 2011 - 19h35
Saída imediata de Mubarak é 'apelo ao caos', diz vice-presidente do Egito -
O vice-presidente do Egito, Omar Suleiman, disse nesta quinta-feira (3) na TV pública que a saída imediata do presidente Hosni Mubarak, exigida pelo movimento oposicionista, é um \"apelo ao caos\".

A declaração foi feita em entrevista gravada previamente.

Suleiman -que assumiu o cargo na semana passada, em uma tentativa de conciliação do presidente com a oposição- garantiu que nem ele, nem o presidente Mubarak nem o filho de Mubarak, Gamal, vão concorrer às eleições presidenciais previstas para setembro.

A oposição teme que Mubarak, que insiste em permanecer no poder até as eleições, esteja tentando ganhar tempo e \"emplacar\" o filho como sucessor.

Suleiman prometeu punir todos os envolvidos na violência de rua dos últimos dez dias e soltar todos os manifestantes presos e que não estejam envolvidos em atos violentos.

Ele recusou a \"interferência externa\" nos assuntos do país e disse que os confrontos de rua podem ter sido resultado de \"conspiração\", tramada no Egito ou mesmo no exterior.

Ele afirmou que a Irmandade Muçulmana foi convidada a negociar, mas que o grupo está \"hesitante\".

O vice disse que as perdas do país com turismo nos dias de revolta chegam a US$ 1 bilhão. Segundo ele, um milhão de turistas deixaram de visitar o Egito no período.

#####Confrontos
Pouco antes, militares fizeram disparos para o alto na região da Praça Tahrir, no centro do Cairo, em uma tentativa de separar os manifestantes favoráveis e contrários a Mubarak, que continuavam a se enfrentar.

Os dois grupos voltaram a jogar pedras um no outro, em uma rua próxima à praça, foco dos protestos dos últimos dez dias.

Um estrangeiro teria morrido espancado na praça, segundo uma testemunha e fontes médicas ouvidas pela France Presse.

Um hipermercado do subúrbio de Sheikh Zayed, foi incendiado, segundo testemunhas.

O premiê egípcio, Ahmed Shafiz, se colocou à disposição para ir à praça e dialogar com a facção jovem dos manifestantes. Mas o grupo rejeitou a oferta, reafirmando que não pretende negociar com o regime enquanto Mubarak ainda for o presidente.

Mais cedo, a oposição desmentiu uma versão da TV estatal de que um diálogo político havia sido iniciado..

O prazo dado pelos oposicionistas para a saída de Mubarak é esta sexta-feira (4), batizada de \"Dia da Partida\".

Os confrontos seguiam apesar de o Exército ter criado uma \"zona neutra\", de cerca de 80 metros, próximo à praça, para tentar isolar os grupos rivais. Os favoráveis ao governo chegaram a invadir a área isolada, mas tanques os forçaram a retroceder.

O Ministro da Saúde disse na TV estatal que seis pessoas morreram desde a véspera vítimas da violência na região da praça, centro dos protestos pela queda do regime de 30 anos.

Foram levadas aos hospitais 836 pessoas, das quais 86 continuavam internadas, disse Ahmed Samih Farid.

Fontes médicas afirmam que dez pessoas morreram, mas não havia confirmação oficial.

Desde o início dos protestos, que já duram dez dias, pelo menos 100 pessoas morreram, mas, segundo a ONU, esse número pode chegar a 300. De acordo com a TV Al Jazeera, o número de feridos teria passado de 1.500.

Não há cifras oficiais, e os números são frequentemente contraditórios.

No início da noite de quarta, o vice Suleiman reforçou o pedido do Exército para que a população obedecesse ao toque de recolher e voltasse para a casa.

Mas, durante a madrugada, tiros esporádicos foram ouvidos no centro do Cairo.

Eles pareciam vir da Ponte de Outubro, onde permaneciam posicionados os partidários de Mubarak.

Os manifestantes também colocaram fogo em diversos pontos da praça, usando bombas incendiárias.

Os antigovernistas afirmaram na quinta que detiveram e identificaram 120 manifestantes pró-Mubarak, e que eles seriam, em sua maioria, ligados às forças de segurança e ao partido governista.

Na véspera, o Ministério do Interior havia negado que o governo tenha instigado os protestos.

#####Passagem de poder
Vários lideres internacionais, Barack Obama à frente, pediram ao contestado Mubarak que comece já a transmitir o poder. Mas a chancelaria do Egito rejeitou o apelo, afirmando que seu objetivo é \"inflamar a situação interna do Egito\".

Na terça-feira, Mubarak havia anunciado que não tentaria sua quinta reeleição e deixaria o governo em setembro, após um período de \"transição suave\" de poder.

Mubarak, que está há 30 anos no poder, afirmou na noite de terça em discurso na TV que, nos meses que restam de seu quinto mandato à frente do pais, vai ajudar a cumprir as exigências da coalizão de forças oposicionistas que o desafia -inclusive, fazer reformas do judiciário que ajudem a combater a corrupção.

Ele disse que o país atravessava um \"momento difícil\", que a prioridade era a \"estabilidade da nação\" e prometeu dialogar com todas as forças da oposição -que insiste em sua saída.

Pressão internacional
A pressão internacional pela saída imediata de Mubarak -antes um nome que, do ponto de vista das potências ocidentais, gerava estabilidade política na região- também aumentou desde seu pronunciamento.

Nesta quinta, França, Alemanha, Reino Unido, Espanha e Itália pediram ao Egito, em uma declaração conjunta, o início de um processo de transição e condenaram os que usam ou estimulam a violência.

\"Apenas uma transição rápida e ordeira para um governo de base ampla vai tornar possível superar os desafios que o Egito enfrenta atualmente\", afirma o comunicado.

\"Este processo de transição deve começar agora\", completa ao texto assinado por Nicolas Sarkozy, Angela Merkel, David Cameron, José Luis Rodríguez Zapatero e Silvio Berlusconi.

A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), a britânica Catherine Ashton, pediu ao governo egípcio um julgamento dos responsáveis pelos confrontos entre os manifestantes a favor e contrários a Mubarak.

O presidente dos EUA, Barack Obama, disse na noite da terça que a situação do presidente era insustentável e que a transição deveria começar imediatamente.

A Casa Branca informou que \"deplora e condena\" a violência contra \"manifestantes pacíficos\".

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, considerou insuficiente o anúncio de Mubarake opinou que o presidente egípcio deve renunciar imediatamente para satisfazer as reivindicações de seu povo.

Levantes em outros países
O presidente da Argélia, Abdelaziz Bouteflika, anunciou que vai levantar o estado de emergência que vigora há 19 anos, aumentando as liberdades políticas. Ele também prometeu investir na criação de empregos.

Na quarta, o presidente de Iêmen, no poder há 32 anos, cedeu a protestos da oposição e disse que não vai tentar a reeleição. Nesta quinta, protestos favoráveis e contrários ao governo tomavam as ruas da capital, Sanaa.

Na terça, o rei da Jordânia -outro importante aliado dos EUA no mundo árabe- havia anunciado uma mudança no governo o país, também depois de protestos populares e de opositores.

Os protestos em Egito e Jordânia -assim como Marrocos, Iêmen e Síria- foram inspirados pelo levante popular que derrubou o presidente da Tunísia, Zine El Abidine Ben Ali, que caiu pela pressão popular após 23 anos no poder.

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