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Raras tartarugas marinhas híbridas nascem em praia no sul da Bahia

13 Mai 2011 - 17h15
Tartaruguinhas nasceram na quinta - Crédito: Foto: PAT EcosmarTartaruguinhas nasceram na quinta - Crédito: Foto: PAT Ecosmar
A orla norte da cidade de Porto Seguro, extremo sul da Bahia, foi palco de um espetáculo da natureza na madrugada de quinta-feira (12): o nascimento de 138 filhotes de tartaruga marinha de ninhada híbrida, provenientes do cruzamento da espécie tartaruga-de-pente com a oliva (Lepidochelys olivacea). A desova da fêmea gerou 146 ovos da espécie ameaçada de extinção, mas oito morreram na areia.

A “eclosão” de quinta-feira, como chamam os especialistas, gerou parte dos filhotes híbridos, ou seja, com padrão de escamas diferente do típico dos reprodutores. “Por exemplo, com quatro escamas de um lado e seis a oito escamas do outro, ou cinco de um lado e sete de outro. A característica típica da tartaruga-de-pente é ter quatro escamas laterais”, explica o coordenador do Projeto Amiga Tartaruga, Paolo Botticelli. Segundo ele, a ninhada também contou com filhotes exclusivos da espécie da fêmea e um grupo com características apenas do macho.

De cada 100 ninhos das tartarugas marinhas no Brasil, apenas três são da espécie de tartaruga-pente, cientificamente chamada de Eretmochelys imbricata. Segundo Paolo Botticelli, que monitorou a entrada dos filhotes no mar, existem reservatórios de tartarugas-de-pente ao longo da costa brasileira, mas no extremo sul da Bahia, por conta da temperatura abaixo de 30°, a desova tem significativa quantidade de machos, o que é \"especial\", já que possibilita futuras reproduções.

“A preciosidade é que as espécies híbridas das tartarugas são férteis, o que não acontece com outros animais, como as mulas (cruzamento de jumento com égua). Já temos algumas bibliografias sobre o assunto, o Projeto Tamar já fez estudos genéticos”, comenta.

Antes da noite de quinta (12), a ninhada híbrida mais recente aconteceu em 2009, na cidade de Belmonte, sul do Estado, entre espécie híbrida de tartaruga-de-pente com tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta). Na ocasião, o material genético foi colhido e os filhotes também nasceram com características morfológicas “misturadas”, conforme explica Paolo.

Jornada das tartaruguinhas

O coordenador do Projeto Amiga Tartaruga comenta sobre o percurso das tartaruguinhas no começo da vida. Segundo ele, os filhotes, assim que entram no mar, nadam 48 horas sem parar e ficam dois anos perdidos, transitando entre várias regiões do oceano. “Existem vários giros, eles nadam até o Caribe ou costa da África e depois voltam à costa brasileira”, descreve. Paolo relata ainda que as tartarugas marinhas atingem maturidade sexual entre 20 e 25 anos, mas que um a duas, de mil, resistem até a fase adulta. Cada tartaruga marinha pode fazer de três a cinco desovas ao longo da vida.

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