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Premiê de Israel teme que Egito siga o caminho do Irã

31 Jan 2011 - 19h35
A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, durante encontro nesta segunda-feira em Jerusalém - Crédito: Foto: APA chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, durante encontro nesta segunda-feira em Jerusalém - Crédito: Foto: AP
O premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, disse nesta segunda-feira (31) que acompanha os acontecimentos no Egito com \"atenção e preocupação\" e que teme que o país termine rumando para um regime islâmico radical como o do Irã.

A declaração foi feita em uma entrevista ao lado da chanceler da Alemanha, Angela Merkel. Ele disse esperar que o tratado de paz entre Egito e Israel, que tem três décadas de duração, sobreviva a todas as mudanças que estão ocorrendo.

O governo do presidente egípico Hosni Mubarak, há 30 anos no poder, enfrenta uma semana de protestos sem precedentes. Mais de 100 pessoas já morreram nos confrontos, que obrigaram Mubarak a fazer concessões à oposição.

Os comentários de Netanyahu foram os mais duros feitos por ele desde o início da onda de protestos na semana passada.

\"Nosso temor de fato é de uma situação que possa ter como desdobramento... e que na realidade já teve desdobramentos em vários países, incluindo o próprio Irã.. um regime repressivo do Islã radical\", disse.

Netanyahu disse que, embora os protestos possam não ser motivados por extremismo religioso, em uma situação de caos, um órgão islâmico organizado pode assumir o controle de um país. \"Aconteceu no Irã. Aconteceu em outras instâncias\", disse ele.

Analistas israelenses disseram na segunda-feira que se Mubarak for derrubado, Israel perderá um de seus pouco amigos em uma vizinhança hostil e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, terá grande parte da culpa.

Comentaristas políticos demonstraram estar chocados pelo modo como os Estados Unidos, bem como seus aliados europeus, parecem estar prontos para se livrar de um forte aliado estratégico de três décadas, simplesmente para se adequarem à corrente ideológica de correção política.

Netanyahu pediu aos ministros que não façam comentários sobre o impasse político no Cairo, para evitar inflamar uma situação já explosiva. Mas o presidente de Israel, Shimon Peres, não é um ministro.

\"Nós sempre tivemos e ainda temos grande respeito pelo presidente Mubarak\', disse ele na segunda-feira. Em seguida, Peres se voltou para o tenso passado. \'Não digo se tudo o que ele fez foi certo, mas ele fez uma coisa pela qual todos nós lhe somos agradecidos: ele manteve a paz no Oriente Médio\", disse.

Colunistas de jornais foram bem mais cortantes. Um comentário de Aviad Pohoryles, no diário \"Maariv\" tinha como título \"Um Tiro nas Costas de Tio Sam\". O autor acusou Obama e sua secretária de Estado, Hillary Clinton, de seguirem uma diplomacia ingênua, presunçosa, estreita e sem tomar cuidado com os riscos.

No domingo, Obama pediu uma \"transição ordeira\" para a democracia no Egito, por pouco não pedindo que Mubarak deixe o cargo, mas indicando que seus dias no cargo podem estar contados.

(G1)

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