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Ajuda humanitária

ONU confirma chegada de alimentos em Gaza via doca flutuante

Remessa inclui biscoitos de alto valor energético, arroz, massa e lentilhas; via marítima representa caminho adicional para a entrega de assistência no enclave sitiado

18 Mai 2024 - 19h30Por ONU News
Uma doca flutuante para entrega de suprimentos humanitários é construída na costa de Gaza - Crédito: US Army CentralUma doca flutuante para entrega de suprimentos humanitários é construída na costa de Gaza - Crédito: US Army Central

Neste sábado, o Programa Mundial de Alimentos, PMA, confirmou que 10 caminhões de comida foram transportados para o seu armazém através da doca flutuante no litoral de Gaza. 

Parte da remessa inclui biscoitos de alto valor energético para distribuição pelo PMA, mas também produtos para distribuição por outros parceiros humanitários, que incluem arroz, massas e lentilhas. A agência informou que os itens de ajuda estão no armazém em Deir El Balah para serem recolhidos e distribuídos.

Dois meninos contemplam o oceano em uma praia, em Rafah, Gaza, abril de 2024Dois meninos contemplam o oceano em uma praia, em Rafah, Gaza, abril de 2024 - Foto: OCHA/Yasmina Guerda

 

Corredor marítimo

O Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos, responsável pela construção da doca, anunciou que os caminhões começaram a circular aproximadamente às 9h, horário local, de sexta-feira, e que nenhuma tropa do país desembarcou na área.

A doca flutuante foi ancorada numa praia em Gaza na quinta-feira, com o objetivo de proporcionar um caminho adicional para a entrega de assistência no enclave sitiado, onde a maioria das passagens de fronteira estão fechadas ou são inseguras. 

O Escritório da ONU de Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, alertou que o corredor marítimo não pode substituir rotas terrestres, que são a forma mais rápida e eficaz de fornecer ajuda humanitária em Gaza. 

“Rotas terrestres são mais viáveis e eficientes”

O porta-voz do Ocha, Jens Laerke, afirmou na sexta-feira que “toda e qualquer ajuda a Gaza é bem-vinda por qualquer via”, mas ressaltou que “as travessias terrestres serão mais importantes.” 

Segundo ele, levar ajuda às pessoas necessitadas “não pode e não deve depender de uma doca flutuante longe de onde as necessidades são mais prementes”. Laerke enfatizou que “as rotas terrestres são o método de entrega de ajuda mais viável, eficaz e eficiente”, e insistiu que todos os pontos de passagem sejam abertos.

Falando a jornalistas em Nova Iorque na sexta-feira, o porta-voz adjunto da ONU, Farhan Haq, disse que as Nações Unidas saúdam qualquer esforço para garantir que a ajuda chegue a Gaza.

Nesse sentido ele agradeceu os Estados Unidos, bem como o Chipre, com o apoio de outros Estados-Membros, por “sustentarem o corredor marítimo como uma rota adicional para a ajuda a Gaza”.

O porta-voz explicou que “após meses de discussões com todas as autoridades relevantes, a ONU concordou em apoiar a recepção e organização do envio de ajuda para Gaza a partir da doca flutuante, desde que respeite a neutralidade e a independência das operações humanitárias”.

Yasmina Guerda, Oficial de Assuntos Humanitários da ONU (centro), conversa com uma mulher palestina em Rafah, Gaza, em março de 2024Yasmina Guerda, Oficial de Assuntos Humanitários da ONU (centro), conversa com uma mulher palestina em Rafah, Gaza, em março de 2024 - Foto: Ocha/Mustafa El-Halabi

 

“Tudo é destruição, perda e ausência”

Atualizando a situação em Rafah, o Ocha informou que quase 640 mil pessoas foram deslocadas da área desde o início da ofensiva militar israelense. Muitos fugiram para a superlotada província de Deir al Balah, no centro de Gaza, onde as condições são consideradas terríveis.

O afluxo contínuo de pessoas deslocadas para lá e para Khan Younis continua a pressionar a resposta humanitária, que já está sobrecarregada. De acordo com a profissional de assuntos humanitários do Ocha em Rafah, Yasmina Guerda, “a situação está mudando constantemente por causa dos combates muito intensos”. 

Ao conversar com a ONU News na sexta-feira, ela explicou que um dos desafios para a resposta é ter que mudar constantemente os planos para se adaptar à evolução do conflito e “começar do zero”. 

Yasmina Guerda disse que em Gaza, para onde quer que se olhe, tudo é destruição, perda e ausência, e existe um sofrimento extremamente profundo “nos olhos e nas palavras das pessoas”, pois elas vivem sobre os escombros e restos daquilo que eram suas vidas antes da guerra.

“Tudo se tornou absolutamente inacessível”

A representante do Ocha afirma que “tudo se tornou absolutamente inacessível” e que o acesso à água potável é uma “batalha diária”. Ela ressaltou que muita gente não troca de roupa há 7 meses porque teve que fugir com o que tinha no corpo. 

Yasmina relatou ainda que famílias estão construindo latrinas cavando buracos no chão com colheres, pois a situação humanitária “não permite importar as ferramentas necessárias para criar latrinas” como em outras emergências.

O deslocamento contínuo de Rafah para Khan Younis exacerbou a crise da água e saneamento, com transbordamentos de esgotos e resíduos sólidos espalhados pelas estradas, campos de deslocados e escombros de casas destruídas, com um impacto grave na saúde.

O Ocha informou que apenas cinco padarias permanecem operacionais em todo o enclave, quatro na cidade de Gaza e uma em Deir al Balah. 

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