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ONU alerta para riscos de detritos e poluição no uso do espaço sideral

Aumento da atuação de empresas privadas, da quantidade de objetos em órbita e do número lançamentos de missões gera novos desafios para a cooperação multilateral

12 Abr 2024 - 19h45Por ONU News
Uma visão da Terra e de um satélite visto do espaço sideral - Crédito: NASAUma visão da Terra e de um satélite visto do espaço sideral - Crédito: NASA

Este 12 de abril marca o Dia Internacional dos Voos Espaciais Tripulados, em alusão ao dia em que o primeiro ser humano chegou ao espaço. Atualmente, a exploração do espaço é marcada pelo aumento da atuação de empresas privadas, da quantidade de objetos em órbita e do número lançamentos de missões. 

Para abordar essas tendências de crescimento, a ONU News entrevistou a diretora do Escritório da ONU para Assuntos do Espaço Sideral, Unoosa. 

Segurança espacial para todos

Aarti Holla-Maini afirmou que uma questão urgente é entender melhor o impacto que a fumaça do lançamento de objetos espaciais têm na atmosfera. Para a especialista, “pode ser que descubramos que já estamos numa situação urgente”.

Ela mencionou ainda a preocupação com aumento de detritos e satélites antigos que estão sendo queimados ao reentrar na atmosfera. 

Holla-Maini destacou que atualmente existem “tantos objetos de todos os tamanhos” no espaço, sem que haja uma compreensão abrangente de onde todos eles estão e quando. 

Para ela, os detritos e a poluição espacial devem ser um foco prioritário de cooperação entre os países, por meio das Nações Unidas, “para melhorar a segurança espacial para todos”.

Diretora do Escritório da ONU para Assuntos do Espaço Sideral, Unoosa, Aarti Holla-Maini Diretora do Escritório da ONU para Assuntos do Espaço Sideral, Unoosa, Aarti Holla-Maini - Foto: Unoosa

 

Prevenção de desastres na Terra

Essa segurança, segundo a especialista, é muito importante para os voos espaciais humanos, para as observações astronômicas e para garantir a continuidade de comunicações ou imagens de satélite essenciais para monitoração do clima, por exemplo.

A diretora do Unoosa mencionou o programa Spider, mandatado pela Assembleia Geral, que fornece informações espaciais para resposta a desastres e emergências. Os benefícios incluem alerta precoce e monitoramento para inundações, secas, incêndios florestais, doenças transmitidas por mosquitos, pragas em colheitas, dentre outros. 

A especialista disse que o objetivo da ONU é “garantir que todos os Estados-membros que necessitam estejam capacitados e equipados” para serem resilientes face a todos os choques globais que estão surgindo, especialmente aqueles ligados ao clima.

Extração de recursos da lua

A agência irá realizar em junho a Conferência de Atividades Lunares Sustentáveis, a primeira sobre o tema. De acordo com Holla-Maini, tanto o subcomitê científico e técnico como o subcomitê jurídico da Unoosa tratam das atividades na Lua.

No entanto, é no ambiente legal que ocorrem debates como o destino de recursos extraídos de corpos celestes como a lua ou asteroides e sua possível apropriação comercial. 

Segundo a diretora do Unoosa, essas questões são difíceis porque conflitam com os princípios fundamentais do Tratado do Espaço Sideral, que diz que essa área pertence a toda humanidade e que, portanto, não deixa margem para um “ângulo comercial”. 

Holla-Maini afirmou ainda que não existe uma competição no espaço nem uma corrida dos países como observado no período da Guerra Fria. 

Rastros de asteróides entre as estrelasRastros de asteróides entre as estrelas - Foto: NASA/JPL-Caltech/UCLA

 

Atuação de empresas privadas

Ela disse que agora é o momento de realmente olhar para a ciência e a exploração espaciais procurando as “abordagens mais inovadoras e pragmáticas” e é por isso que existem mais empresas comerciais envolvidas.

Para a diretora do Unoosa, “se as agências espaciais realizarem por si próprias grandes missões espaciais, correm o risco de demorar muito mais tempo e de serem muito mais caras”.

Ela defendeu novas formas de incluir a indústria no diálogo, mas preservando o poder de decisão dos próprios Estados-membros. 

O 12 de abril de 1961 foi a data do primeiro voo espacial humano, realizado por Yuri Gagarin, da então União Soviética. Este evento histórico abriu caminho para a exploração espacial em benefício de toda a humanidade.

A Assembleia Geral manifestou a sua profunda convicção no interesse comum da humanidade na promoção e expansão da exploração e utilização do espaço exterior, como domínio de toda a humanidade, para fins pacíficos e na continuação dos esforços para estender a todos os Estados os benefícios daí derivados.

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