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Número de mortos por forças do governo sobe para 20 na Síria

15 Jul 2011 - 15h37
Libaneses e sírios que vivem no Líbano fazem protesto nesta sexta - Crédito: Foto: Omar Ibrahim/ReutersLibaneses e sírios que vivem no Líbano fazem protesto nesta sexta - Crédito: Foto: Omar Ibrahim/Reuters
Forças do governo da Síria mataram pelo menos 20 manifestantes nesta sexta-feira (15) depois que centenas de milhares de pessoas saíram às ruas no país inteiro, no maior dos protestos até agora contra o presidente Bashar al Assad. Balanço anterior falava em 14 mortos.

Grupos de direitos humanos dizem que 1.400 pessoas já foram mortas desde o início das manifestações, em março. Apesar da violenta repressão, os protestos vêm atraindo cada vez mais gente. Em 40 anos no poder, nunca o Partido Baath havia sido tão desafiado.

"Essas são as maiores manifestações até agora. É um claro desafio às autoridades, especialmente quando vemos todos esses números em Damasco pela primeira vez", disse Rami Abdelrahman, diretor do Observatório Sírio de Direitos Humanos.

Testemunhas e ativistas disseram que a polícia matou onze pessoas em Damasco, quatro no sul do país, perto da fronteira com a Jordânia, e três na cidade de Idlibm (norte). Duas pessoas também foram mortas em Homs.

"Estamos no (bairro de) Midan e estão disparando gás lacrimogêneo na gente, as pessoas estão entoando refrões", disse uma testemunha, falando por telefone do centro de Damasco -- onde até agora Assad tinha conseguido evitar grandes manifestações.

Em Hama, cenário de um massacre cometido por militares em 1982, imagens transmitidas ao vivo por moradores mostraram uma grande multidão na praça Orontos, a principal da cidade. "O povo quer derrubar o regime", gritavam os manifestantes.

Pelo menos 35 mil pessoas participaram dos protestos na desértica província de Deir al Zor, uma das mais pobres do país, no leste, segundo ativistas. Na véspera, dois manifestantes teriam sido mortos ali.

Além da polícia e do Exército, Assad mobilizou também uma milícia irregular conhecida como "shabbiha", ligada à seita minoritária alauita, um ramo do Islã xiita ao qual ele pertence. Os muçulmanos sunitas são o maior grupo na Síria.

Potências internacionais, inclusive a vizinha Turquia, já alertaram Assad a não repetir os massacres cometidos quando o presidente era o pai dele, Hafez al Assad, que reprimiu com violência rebeliões esquerdistas e islâmicas. Isso culminou com a morte de até 30 mil pessoas em 1982 em Hama.

Na sexta-feira passada, os embaixadores dos EUA e da França na Síria foram a Hama expressar seu apoio aos manifestantes. Três dias depois, essas embaixadas foram atacadas por partidários de Assad. Ninguém morreu nos ataques, que foram condenados pelo Conselho de Segurança da ONU.

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