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Murdoch e filho se desculpam em depoimento no caso dos grampos

19 Jul 2011 - 15h45Por FISCALIZAÇÃO #Suspensa comercialização de 432 t de forrageiras
O magnata da mídia Rupert Murdoch durante seu depoimento desta terça-feira - Crédito: Foto: APO magnata da mídia Rupert Murdoch durante seu depoimento desta terça-feira - Crédito: Foto: AP
O magnata da mídia Rupert Murdoch e seu filho James voltaram a pedir desculpas nesta terça-feira (19) pelos casos de grampos telefônicos praticados por jornalistas do grupo “News Corp”, braço britânico do império de comunicações do australiano, e disseram não haver evidências de envolvimento de executivos do grupo em escutas ilegais.

“Inicialmente, eu gostaria de dizer o quanto nós lamentamos particularmente às vítimas de escutas ilegais e suas famílias. Estamos muito arrependidos, eu, meu pais e todos na News Corporation. Estas ações não seguem os padrões que a nossa empresa aspira em todos os lugares ao redor do mundo e é a nossa determinação corrigi-las, para ter certeza estas coisas não voltem a ocorre ", disse James Murdoch, terceiro na linha de sucessão do grupo, no início do depoimento à Comissão de Cultura, Mídia e Esporte do Parlamento britânico.

“Eu só gostaria de dizer uma frase: este é o dia em que me sinto mais humilde na minha vida”, disse Rupert Murdoch, de 80 anos.

Murdoch também deu a entender que não sabia dos procedimentos adotados por inferiores hierárquicos.

Questionado sobre o quanto se considerava pessoalmente responsável pelo que chamou de "fiasco" do jornal, Murdoch respondeu laconicamente: "não".

Ele disse não se considerar o "responsável final" e culpou sua equipe. "As pessoas em quem eu confiei e talvez as pessoas em quem eles confiaram", disse.

Tanto James Murdoch quanto o pai disseram não haver evidências de que Rebekah Brooks, diretora-executiva do grupo, agora afastada, ou outros executivos sabiam da prática de escutas ilegais de celebridades, esportistas e políticos para conseguir notícias exclusivas –o que provocou, há dois domingos, o fechamento do tabloide “News of the World”, o mais vendido do Reino Unido, após 168 anos.

Murdoch também disse ter ficado “chocado, estarrecido e envergonhado ao saber da escuta ilegal ao telefone de Milly Dowler, a menina de 13 anos que desapareceu em 2002 e cuja família acreditou que ainda estava viva devido à interferência de investigadores contratados pelo tabloide.

11 de Setembro

Murdoch também disse que não há provas de que as vítimas do 11 de Setembro tenham sido alvo de grampos telefônicos, como revelado recentemente.

"Não vimos provas de forma alguma a respeito disso e, até onde sabemos, o FBI (polícia federal dos EUA) também não viu", afirmou.

Les Hinton

Murdoch também preservou Les Hinton, que na sexta-feira passada pediu demissão da editora Dow Jones, outro negócio do grupo, e que edita o americano "Wall Street Journal".

"Trabalhei com Hinton durante 52 anos e confiaria minha vida a ele", disse.

2007

Murdoch também insistiu que foi "induzido a erro" quando negou no passado que os casos de escutas ilegais no "News of the World" teriam ido além do caso que levou um dos repórteres à prisão em 2007.

Segundo o magnata, o trabalho no grupo midiático "é apenas uma pequena parte de seus negócios", sugerindo que ele não poderia supervisionar tudo pessoalmente.

Sala lotada

A audiência, aberta ao público e transmitida ao vivo pela televisão, é uma das mais importantes já realizadas por uma comissão parlamentar no Reino Unido.

Também é raro ver Murdoch se manifestar publicamente.

A sala onde é realizada a audiência, que conta com 50 lugares, estava lotada. No local reservado ao público estava a esposa de Rupert Murdoch, Wendi.

Diversas pessoas foram retiradas do local no início da audiência, por segurarem cartazes com a inscrição "Murdoch é procurado por crimes noticiosos".

Morte de jornalista

Na véspera, o jornalista Sean Hoare, ex-repórter de celebridades do tabloide "News of the World" e o primeiro a afirmar que o editor Andy Coulson sabia das escutas telefônicas praticadas pelo jornal no Reino Unido, foi encontrado morto em sua casa, em Watford.

Ele trabalhou nos tabloides "Sun" e "News of the World" com Coulson antes de ser demitido por problemas com álcool e drogas.

De acordo com a polícia, a morte não foi considerada suspeita. Mas ela acrescentou novos ingredientes no escândalo.

O corpo de Hoare passava por autópsia nesta terça-feira, segundo a polícia.

Hoare denunciou o uso de escutas ilegais usadas pelo "News of the World" com suas fontes inicialmente no jornal “The New York Times”.

Na época, ele afirmou que não apenas Coulson sabia das escutas ilegais, como encorajava a equipe a interceptar ligações telefônicas de celebridades em busca de notícias exclusivas.

Numa entrevista posterior à BBC, Hoare também afirmou ter recebido uma orientação pessoal de Coulson, então editor do "NoW", para fazer as escutas.

Assessor do primeiro-ministro Cameron à época, Coulson sempre negou o uso de escutas telefônicas pelo tabloide que editou.

Coulson foi preso na semana passada pela polícia, e libertado várias horas depois mediante pagamento de fiança, sob a suspeita de que tinha subornado policiais e interceptado ligações durante sua época à frente do tabloide.

Mais recentemente, na semana passada, Hoare denunciou que os jornalistas do tabloide tinham acesso a tecnologia policial para poder localizar pessoas mediante sinais de celular em troca de subornos aos agentes.

No entanto, quando em setembro de 2010 foi convocado a comparecer a uma delegacia em Londres, Sean Hoare não quis relacionar Coulson com as escutas.

Jornal dominical mais vendido do Reino Unido, o "News of the World", do magnata Rupert Murdoch, encerrou as atividades no início do mês após 168 anos, sob a acusação de ter realizado ao menos 4 mil escutas ilegais desde 2000.

Premiê na berlinda

Embora não enfrente ainda uma contestação direta à sua liderança, alguns membros do seu Partido Conservador começaram a cogitar a possibilidade, embora remota, de que Cameron seja pressionado a renunciar.

O escrutínio às ações do grupo News Corp se estende também aos seus investidores. Na terça-feira, as ações da empresa operavam em baixa em Nova York, cerca de 17% abaixo de 4 de julho, quando a polícia britânica anunciou que estava investigando se jornalistas espionaram, em 2002, a caixa de mensagens de uma adolescente que depois foi encontrada morta.

As informações reavivaram um escândalo de cinco anos antes, que arecia limitado a espionagens contra personalidades ricas, famosas e poderosas. Dez jornalistas já foram detidos e libertados sob fiança em relação ao caso.

Com a detenção no domingo de Brooks, 43 anos, que é amiga pessoal de Cameron e foi editora do "News of the World", e com a renúncia do comissário da Polícia Metropolitana, Paul Stephenson, o primeiro-ministro se vê na obrigação de defender sua própria conduta no caso, que despertou indignação na opinião pública por causa das relações promíscuas entre a elite do jornalismo, da política e da polícia.

O líder da oposição trabalhista, Ed Miliband, cujo partido sempre disputou com os conservadores a simpatia de Murdoch, não chegou a pedir a renúncia de Cameron, mas disse que esperava saber detalhes, entre outras coisas, das discussões que o primeiro-ministro possa ter tido com a News Corp sobre a proposta de aquisição total da operadora de TV BSkyB, que acabou sendo abandonada por Murdoch na semana passada devido ao ambiente político hostil.

Mais inflamado, Dennis Skinner, membro da ala mais à esquerda do trabalhismo, exigiu: 'Quando o 'Dave Danado' vai fazer a coisa decente e renunciar?'.

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