Dourados – MS sexta, 24 de maio de 2024
19º
Discriminação

Mulheres são maioria na saúde e cuidados, mas ganham 24% menos que homensDiscri

Lacuna salarial aponta para discriminação de gênero, já que área é majoritariamente feminina

14 Jul 2022 - 16h30Por ONU News
Profissional de saúde de uma clínica no norte da Caxemira enfrenta temperaturas congelantes e neve para vacinar pessoas que vivem em áreas remotas da Índia - Crédito:  UNICEF/NandaProfissional de saúde de uma clínica no norte da Caxemira enfrenta temperaturas congelantes e neve para vacinar pessoas que vivem em áreas remotas da Índia - Crédito: UNICEF/Nanda

As mulheres que trabalham no setor de saúde e cuidados ganham quase 25% menos do que os homens. A diferença salarial, destacada no novo relatório publicado por agências da ONU, é maior que em outros setores econômicos.

O estudo, divulgado nesta quarta-feira, pela Organização Internacional do Trabalho, OIT, e pela Organização Mundial da Saúde, OMS, revela que a lacuna bruta é de 20%, mas fatores como idade, educação e tempo de trabalho fazem o número subir.

Discriminação contra mulheres

Embora grande parte dessa disparidade não tenha uma explicação única, as agências apontam para discriminação contra as mulheres, que representam quase 70% dos profissionais de saúde e assistência médica no globo.

O relatório também revelou que os salários na área da saúde tendem a ser mais baixos em geral quando comparados com outros setores. A análise confirma a constatação de que os pagamentos geralmente são mais baixos em áreas nas quais as mulheres são maioria.

Além disso, mesmo com a pandemia e o papel crucial desempenhado pelos profissionais de saúde durante a crise, houve apenas pequenas melhorias na equidade salarial entre 2019 e 2020.

De acordo com a diretora do Departamento de Condições de Trabalho e Igualdade da OIT, Manuela Tomei, o setor de saúde tem sofrido com os baixos salários em geral, disparidades salariais grandes e condições de trabalho muito exigentes. 

Ela avalia que a pandemia da Covid-19 expôs claramente esta situação, ao mesmo tempo que demonstrou o quão vital o setor e os seus trabalhadores são para manter “famílias, sociedades e economias em funcionamento”.

Mães trabalhadoras 

O relatório também encontrou uma grande variação nas disparidades salariais entre homens e mulheres em diferentes países, indicando que elas não são inevitáveis e que mais pode ser feito para diminuir a lacuna. 

Dentro dos países, os fossos salariais entre homens e mulheres tendem a ser maiores nas categorias financeiramente mais altas, postos ocupados majoritariamente por homens. Já as categorias salariais mais baixas têm mais mulheres.

Segundo o relatório, as mães que trabalham no setor de saúde sofrem desafios adicionais, com a diferença de vencimentos entre homens e mulheres aumentando significativamente durante os anos reprodutivos e persistindo pelo resto de sua vida profissional.

Recuperação pós-pandemia

Manuela Tomei expressou esperança de que o relatório estimule o diálogo e a ação política, pois não haverá recuperação pós-pandemia inclusiva, resiliente e sustentável sem um setor de saúde e assistência mais forte.

Para ela, não podemos ter serviços de saúde e assistência de melhor qualidade sem condições melhores de trabalho, incluindo salários mais justos, para profissionais de saúde e assistência, a maioria dos quais são mulheres.

O diretor da força de trabalho em saúde da OMS, Jim Campbell, acrescentou que o relatório contém histórias de sucesso em vários países, incluindo aumentos salariais e compromisso político com a equidade na remuneração, que apontam o caminho a seguir.

Ele explica que as mulheres constituem a maioria dos trabalhadores no setor de saúde e assistência, mas em muitos países “os vieses sistêmicos” estão resultando em lacunas salariais danosas contra elas.

Campbell acredita que as evidências e análises do relatório devem informar governos, empregadores e trabalhadores para que tomem medidas efetivas contra o problema.

Deixe seu Comentário

Leia Também

Guterres diz que é imperativo priorizar paz, participação e liderança na África
ONU

Guterres diz que é imperativo priorizar paz, participação e liderança na África

23/05/2024 21:45
Guterres diz que é imperativo priorizar paz, participação e liderança na África
ONU aprova resolução para marcar genocídio de Srebrenica em 1995
Paz e segurança

ONU aprova resolução para marcar genocídio de Srebrenica em 1995

23/05/2024 20:45
ONU aprova resolução para marcar genocídio de Srebrenica em 1995
Deslocamentos em massa em Gaza agravam crise de saúde
Ajuda humanitária

Deslocamentos em massa em Gaza agravam crise de saúde

23/05/2024 19:45
Deslocamentos em massa em Gaza agravam crise de saúde
Mulheres protestam contra norma do CFM sobre assistolia fetal
Saúde

Mulheres protestam contra norma do CFM sobre assistolia fetal

23/05/2024 17:45
Mulheres protestam contra norma do CFM sobre assistolia fetal
"Sistema de saúde do Haiti está à beira do colapso"
Saúde

"Sistema de saúde do Haiti está à beira do colapso"

22/05/2024 22:45
"Sistema de saúde do Haiti está à beira do colapso"
Últimas Notícias