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Morte de civis no Iraque passa de 18 mil, diz ONU

20 Jan 2016 - 07h00
Imagem de arquivo de vítima de atentado no mercado Jameela, no bairro Sadr City, em Bagdá. - Crédito: Foto: KARIM KADIM/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDOImagem de arquivo de vítima de atentado no mercado Jameela, no bairro Sadr City, em Bagdá. - Crédito: Foto: KARIM KADIM/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
O número de civis vítimas da violência no Iraque nos últimos dois anos “é impressionante”, considerou a Organização das Nações Unidas (ONU) num relatório divulgado ontem (19), que estima que 18.802 pessoas tenham sido mortas e 36.245, feridas nesse período.


Os números, que a organização admite estarem provavelmente aquém da realidade, correspondem a mortos e feridos registados entre 1º de janeiro de 2014 e 31 de outubro de 2015 pela missão das Nações Unidas no Iraque (Unami) e o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos.


“O obsceno número de vítimas não chega para refletir com exatidão o terrível sofrimento dos civis no Iraque”, afirmou o Alto-Comissário, Zeid Ra’ad Al Hussein, num comunicado. “Os números representam aqueles que foram mortos ou mutilados pela violência ostensiva, mas inúmeros outros morreram por falta de acesso a alimentos, água ou cuidados médicos básicos”, destacou.


A ONU afirma que 3,2 milhões de pessoas estão deslocadas no interior do país desde o início de 2014, quando o grupo extremista Estado Islâmico tomou vastas áreas do Iraque.


O relatório dá especial atenção a atrocidades cometidas pelo grupo jihadista, dando pormenores de “numerosos exemplos de assassinatos em espetáculos públicos bárbaros, em que a vítimas são fuziladas, decapitadas, queimadas vivas ou atiradas do topo de edifícios”.


O documento denuncia também relatos da execução de crianças-soldado que tentam fugir do grupo extremista e da “contínua sujeição de mulheres e crianças à violência sexual, especialmente sob a forma de escravatura sexual”.


“O tratamento dado às crianças é especialmente horrendo. Menores até de nove anos são usados como escudos humanos, como bombas humanas, como primeira linha de combate”, disse, em teleconferência entre Bagdá e Genebra, o diretor para os direitos humanos da missão no Iraque, o italiano Francesco Motta.


“Esses atos, em alguns casos, podem constituir crimes de guerra, crimes contra a humanidade e possivelmente genocídio”, afirma o relatório, baseado em grande parte nos relatos de testemunhas e de vítimas.


Os peritos da ONU afirmam ainda que numerosas valas comuns foram descobertas em zonas que estiveram sob controle dos jihadistas, bem como valas comuns que remontam aos tempos do regime de Saddam Hussein (1979-2003).


Francesco Motta explicou a possibilidade de haver genocídio com o fato de “se ter podido demonstrar a intenção de acabar com comunidade inteiras, como os yazidis”.


O responsável afirmou que o relatório não faz uma avaliação profunda e rigorosa dos crimes cometidos e da sua classificação à luz da lei internacional, mas conclui de forma clara que o Estado Islâmico cometeu atos bárbaros de forma intencional.


O relatório também acusa as forças de segurança iraquianas e os seus aliados – milícias, grupos tribais e peshmergas (combatentes curdos) – de assassinatos ilegais e sequestros.


“Muitos desses incidentes envolvem pessoas suspeitas de terem colaborado com o Estado Islâmico”, informa o documento, que critica o fracasso das forças de segurança na proteção dos civis.

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