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Mais de 30% das gestações em países em desenvolvimento são de adolescentes

Estudo do Fundo de População das Nações Unidas, Unfpa, revela que em países da África Subsaariana, mais de 60% das gestações ocorrem em meninas com menos de 17 anos

06 Jul 2022 - 13h30Por ONU News
Na Guatemala, uma enfermeira acompanha uma menina de 16 anos que entrou em trabalho de parto - Crédito:  UNICEF/Patricia WillocqNa Guatemala, uma enfermeira acompanha uma menina de 16 anos que entrou em trabalho de parto - Crédito: UNICEF/Patricia Willocq

Um terço das mulheres que se tornam mães em países em desenvolvimento não tem 17 anos completos.

É o que mostra um estudo do Fundo de População das Nações Unidas, Unfpa, divulgado nesta terça-feira.  No Brasil, esta taxa é de 57%, um pouco menos que nos países da África Subsaariana, onde a média ultrapassa os 60%

Aumento de partos infantis

O Brasil e o Iêmen, na Ásia, possuem o mesmo cenário: além de altos níveis gestações infantis, a tendência tem sido de aumento ao longo do tempo. No período avaliado pelo Unfpa, o Brasil registrou um crescimento de 10% de partos entre meninas.

A líder para meninas adolescentes do Unfpa, Satvika Chalasani, explica que o resultado do Brasil é consistente com pesquisas regionais. América Latina e Caribe é a única região do mundo onde a idade da primeira relação sexual está caindo, ou seja, ficando mais jovem. 

Assim, ela afirma que o acesso ampliado e mais igualitário à educação de qualidade, educação sexual abrangente e serviços de saúde sexual e reprodutiva, incluindo serviços contraceptivos, pode contribuir muito para abordar a questão.

Complicações no parto

Segundo o Unfpa, complicações no parto são as principais causas de morte e danos à saúde. 

Além disso, a agência ressalta que ser mãe adolescente também pode levar a outras graves violações de direitos humanos e consequências sociais, incluindo casamento infantil, violência entre parceiros íntimos e problemas de saúde mental. 

Embora o estudo aponte para o crescimento no Brasil, o levantamento mostra que globalmente o número de maternidade na infância e adolescência vem caindo. Para o Unfpa, no entanto, o declínio é “assustadoramente lento”, muitas vezes apenas cerca de 3% por década.

Avanços em Moçambique

Um outro país de língua portuguesa que aparece no relatório é Moçambique, ao lado de Bangladesh, no sudeste da Ásia, por terem visto os dois maiores declínios em pontos percentuais de qualquer país estudado na proporção de primeiros nascimentos de adolescentes entre meninas com 14 anos ou menos. 

Segundo o Unfpa, os países ainda têm níveis muito altos de gravidez na adolescência. Em Moçambique, enquanto o número de gestações caiu entre as crianças moçambicanas de 14 anos ou menos, ocorreu um aumento entre as meninas de 15 a 17 anos.

Para a diretora executiva do Unfpa, Natalia Kanem, o número alarmante de quase um terço de todas as mulheres nos países em desenvolvimento se tornarem mães durante a adolescência, deixa claro que “o mundo está falhando com as meninas”.

Gravidez adicional

De acordo com o relatório do Unfpa, depois de ter seu primeiro filho, a tendência é que a menina tenha mais filhos.

Entre crianças com o primeiro nascimento aos 14 anos ou menos, quase três quartos também têm um segundo parto na adolescência, e 40% das que têm dois filhos progridem para um terceiro antes de sair da adolescência.

Na avaliação de Natalia Kanem, as gestações repetidas são um sinal claro de que as meninas “precisam desesperadamente de informações e serviços de saúde sexual e reprodutiva”.

Recomendações

O relatório apresenta recomendações para legisladores, incluindo a necessidade de fornecer educação sexual abrangente, apoio social e serviços de saúde de qualidade, além de apoio econômico às famílias e envolver organizações locais.

Segundo o Unfpa, uma política de apoio e estrutura legal que reconheça a direitos, capacidades e necessidades de adolescentes, particularmente meninas adolescentes marginalizadas, também podem contribuir para reduzir as gestações precoces.

Para Natalia Kanem, os governos precisam investir em meninas adolescentes e ajudar a expandir suas oportunidades, recursos e habilidades, ajudando assim a evitar gravidezes precoces e indesejadas.

Ela concluiu afirmando que “quando as meninas puderem traçar significativamente seu próprio curso de vida, a maternidade na infância se tornará cada vez mais rara.

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