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Governo cria comissão para apurar ação de grupo de extermínio em GO

18 Fev 2011 - 18h15
Policiais militares presos são transferidos de Goiás para presídio de segurança máxima em MS - Crédito: Foto:
Reprodução/TV GloboPoliciais militares presos são transferidos de Goiás para presídio de segurança máxima em MS - Crédito: Foto: Reprodução/TV Globo
A Secretaria de Segunça Pública de Goiás criou a Comissão Especial de Defesa dos Direitos Humanos para apurar o desaparecimento de 30 pessoas, no período de dez anos, e o envolvimento de policiais em um grupo de extermínio. O sumiço das vítimas ocorreu, segundo investigações preliminares, após abordagens de policiais militares. O cruzamento de dados das ocorrências começou nesta sexta-feira (18).

A Polícia Federal (PF) de Goiás realizou, nesta terça-feira (15), a Operação Sexto Mandamento, que prendeu 19 policiais militares suspeitos de participar do grupo de extermínio. Entre as vítimas, ainda de acordo com a PF, estariam crianças, adolescentes e mulheres sem qualquer envolvimento com a prática de crimes. O suposto grupo de extermínio é investigado há cerca de um ano.


A delegada Adriana Acorsi, presidente da comissão, disse ao G1 que vai pedir à Justiça as informações que a PF tem sobre os casos. \"Não há um número exato de vítimas. Sabemos que o primeiro caso foi registrado em 2000 e o último em novembro do ano passado. Estamos trabalhando entre 20 e 30 vítimas, mas pode ser que alguns casos sejam esclarecidos sem que tenha participação de policiais nos desaparecimentos, ou até mesmo novos casos ainda desconhecidos.\"

Segundo as investigações da PF, a organização criminosa tinha como principal atividade a prática habitual de homicídios com a simulação de que os crimes haviam sido praticados em confrontos com as vítimas. Alguns dos crimes foram praticados durante o horário de serviço e com uso de carros da Polícia Militar, de maneira clandestina e sem qualquer motivação.

A comissão é integrada por representantes da comissão de direitos humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ministério Público, policiais civis e militares, e representantes da Secretaria de Segurança Pública de Goiás.

Alguns dos policiais militares presos tiveram cargos na alta cúpula da hierarquia da corporação. Eles foram transferidos nesta quinta-feira (17) para a Penitenciária Federal de Segurança Máxima de Campo Grande.

De acordo com a PF, os presos devem responder pelos crimes de homicídio qualificado em atividades típicas de grupo de extermínio, formação de quadrilha, tortura qualificada, tráfico de influência, falso testemunho, ocultação de cadáver, entre outros crimes. \"Vamos investigar todos os casos ou abrir investigação quando houve necessidade, sempre quando os desaparecimentos e mortes que ocorreram após abordagens policiais\", disse a delegada Adriana.

(G1)

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