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Feminismo

Feminismo vira ferramenta para combater violência sexual em Ruanda

31 Out 2018 - 14h00Por EFE
Feminismo vira ferramenta para combater violência sexual em Ruanda - Crédito: getty images Crédito: getty images

Em uma escola nos arredores de Kigali, capital de Ruanda, centenas de alunos adolescentes aprendem sobre feminismo, respeito mútuo, finanças e saúde reprodutiva como meios para erradicar a violência de gênero em Ruanda.

"As vítimas de violência sexual são na maioria meninas e mulheres, mas encontrar soluções a longo prazo implica em sensibilizar ambos os sexos porque os dois são vulneráveis", explicou à Agência Efe Providence Uwayo, oficial de campo para o sul de Ruanda da Associação Cristã de Mulheres Jovens (YWCA).

Esta organização, junto com outras instituições beneficentes, é uma das encarregadas de implementar em 174 institutos de Ruanda o projeto de coeducação e formação feminista Escola Segura para Meninas (SS4G, na sigla em inglês), financiado pela ONG CARE International.

Na escola rural Groupe Scolaire Nyarusange, a 60 quilômetros de Kigali, cerca de 600 alunos - em grupos separados por sexos - seguem atentos os exercícios propostos pelos mentores e os repetem cuidadosamente em uma instalação ao ar livre.

"Aprendemos a respeitar as meninas como seres iguais e a não feri-las fisicamente ou psicologicamente, além de fazer um uso não sexista da linguagem", detalhou à Efe Jean-Baptiste Ntiyibagirwabayo, de 16 anos, e um dos participantes da SS4G.

Doutrinas que para muitos poderiam parecer básicas, mas que em uma sociedade como a ruandesa - com um passado não muito distante de genocídio e agressão contra a mulher como arma de guerra - ainda não estão muito enraizadas entre os mais jovens.

Durante o genocídio de 1994, cerca de 500 mil mulheres foram estupradas em apenas cem dias de derramamento de sangue, durante os quais os extremistas hutus mataram cerca de 800 mil tutsis - 70% das mortes - e hutus moderados.

As adolescentes aprendem tanto a cuidar de suas economias - para diminuir a dependência econômica do homem - como noções fundamentais sobre planejamento reprodutivo, a fim de evitar gravidezes prematuras que habitualmente significam a interrupção de seus estudos.

"Antes de iniciar este projeto em 2016, tínhamos uma alta prevalência de gestações em adolescentes e a taxa de abandono escolar era muito alta. Estamos contentes porque se reduziram bastante", afirmou Uwayo.

Além disso, os mentores os encorajam também a adquirir com suas economias aves de curral e/ou animais de curta gestação como coelhos, porcos e cabras para depois vendê-los, já que a pobreza é a causa fundamental da violência sexual.

Brigitte Nishimwe, de 16 anos, foi ajudada pela SS4G não só a saber como evitar uma gravidez precoce ou doenças sexualmente transmissíveis como a Aids, mas também a ajudar economicamente sua família a custear seus estudos.

"Cada aluno deposita semanalmente cem francos ruandeses em uma conta grupal que só resgatamos ao final do curso", disse Nishimwe, que também cria coelhos.

"Com esse dinheiro posso pagar alguns dos materiais escolares quando meus pais não podem", acrescentou a menina.

Pais, alunos e professores avaliam periodicamente o projeto SS4G com a finalidade de identificar desafios e soluções e levar ao Governo aqueles problemas que não possam ser resolvidos no ambiente escolar.

"O programa procura abordar a desigualdade e a alta taxa de deserção escolar causadas pela falta de motivação e tutores, problemas familiares de gênero e conhecimento limitado de habilidades para o dia a dia", detalhou o diretor da SS4G na CARE International em Ruanda, Sam Kalinda.

O último objetivo é conseguir que - graças a este maior apoio social, econômico e emocional - um total de 24,6 mil meninas e 19,8 mil meninos com poucos recursos de Ruanda possam continuar seus estudos com certa autonomia e chegar à educação superior.

"Não podemos obter uma solução permanente à violência sexual enquanto os meninos e meninas não participam do processo, porque além de cometer atos de violência, também podem ser vítimas", disse Uwayo.

 

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