Dourados – MS quarta, 24 de julho de 2024
20º
Migrantes e refugiados

Equipe Paralímpica de Refugiados em Paris 2024 será a maior de todos os tempos

O grupo é composto por oito atletas e um corredor-guia, todos com histórias inspiradoras de resiliência e determinação

09 Jul 2024 - 21h45Por ONU News
uillaume Junior Atangana, um velocista camaronês com deficiência visual, e seu guia Donard Ndim Nyamjua, estão competindo nos Jogos Paraolímpicos de 2024 em Paris - Crédito: IPCuillaume Junior Atangana, um velocista camaronês com deficiência visual, e seu guia Donard Ndim Nyamjua, estão competindo nos Jogos Paraolímpicos de 2024 em Paris - Crédito: IPC

Faltando 50 dias para os Jogos Paralímpicos de Paris 2024, o Comitê Paralímpico Internacional, IPC, anunciou os oito atletas e um corredor-guia que competirão como parte da maior Equipe Paralímpica de Refugiados de todos os tempos.

Representando mais de 120 milhões de deslocados forçados em todo o mundo, os oito atletas estão baseados em seis países diferentes e competirão em seis esportes São eles: Atletismo, Powerlifting, Tênis de Mesa, Taekwondo, Triatlo e Esgrima em cadeira de rodas.

A atleta paralímpica de taekwondo Zakia Khudadadi, do Afeganistão, compete nos Jogos Paraolímpicos de 2024, em ParisA atleta paralímpica de taekwondo Zakia Khudadadi, do Afeganistão, compete nos Jogos Paraolímpicos de 2024, em Paris - Foto: IPC

 

Sobreviventes da guerra e da perseguição

O presidente do IPC, Andrew Parsons, afirmou que "todos os atletas paralímpicos têm histórias de incrível resiliência”. Ele enfatizou a inspiração que esses competidores representam, pois enfrentaram jornadas como refugiados sobrevivendo à guerra e à perseguição para competir nos Jogos Paralímpicos.

Parsons lembrou que "infelizmente, o mundo tem mais de 120 milhões de pessoas deslocadas à força” e muitos vivem em “péssimas condições”. Ele destacou o quanto esses atletas “perseveraram e mostraram uma determinação incrível para chegar a Paris 2024 e dar esperança a todos os refugiados ao redor do mundo”.

O presidente do IPC considera que a Equipe Paralímpica de Refugiados destaca o “impacto transformador do esporte".

Em seus terceiros Jogos Paraolímpicos consecutivos, o refugiado sírio Ibrahim Al Hussein fará a transição da natação para o triatloEm seus terceiros Jogos Paraolímpicos consecutivos, o refugiado sírio Ibrahim Al Hussein fará a transição da natação para o triatlo - Foto: IPC

 

Determinação e inspiração

O alto comissário da ONU para os Refugiados, Filippo Grandi, disse que "pela terceira Paralimpíada consecutiva, uma equipe de atletas refugiados determinados e inspiradores mostrará ao mundo o que eles podem alcançar se tiverem a chance”.

Grandi acrescentou que “os refugiados prosperam quando lhes é dada a oportunidade de usar, desenvolver e mostrar suas habilidades e talentos, no esporte e em muitas outras esferas da vida”.

De acordo com ele, a Agência da ONU para Refugiados, Acnur, é “imensamente grata ao IPC como um ator fundamental” para levar o esporte aos refugiados. Para Grandi, o esporte é vital para o bem-estar mental e físico, bem como para a inclusão e integração dos refugiados nas comunidades que os acolhem.

O refugiado iraniano Salman Abbariki está competindo em seus segundos Jogos ParaolímpicosO refugiado iraniano Salman Abbariki está competindo em seus segundos Jogos Paraolímpicos - Foto: IPC

 

Os oito atletas da Equipe Paralímpica de Refugiados são:

Zakia Khudadadi (Taekwondo)

Khudadadi ganhou as manchetes competindo em Tóquio-2020 poucos dias depois de uma fuga angustiante de seu país natal. Ela agora mora em Paris, na França, e venceu o Campeonato Europeu de Taekwondo de 2023 na categoria até 47kg, dedicando sua vitória às mulheres de sua terra natal.

Guillaume Junior Atangana (Atletismo)

O velocista com deficiência visual participará da competição ao lado de seu guia e companheiro, o refugiado Donard Ndim Nyamjua. Atangana terminou em quarto lugar e ficou de fora de uma medalha nos 400m nos Jogos Paralímpicos de Tóquio-2020. Atangana originalmente queria ser um jogador de futebol, mas se voltou para o atletismo quando perdeu a visão. Ele agora mora no Reino Unido e competirá nas provas de 100m e 400m em Paris.

Ibrahim Al Hussein (Triatlo)

Paris 2024 será a terceira Paralimpíada consecutiva de Al Hussein representando a Equipe Paralímpica de Refugiados. Depois de competir na natação anteriormente, ele agora ccompete no Triatlo. Na Cerimônia de Abertura da Rio 2016, Ibrahim, que perdeu a perna em uma explosão ao tentar salvar um amigo, foi o porta-bandeira da Equipe Paralímpica de Refugiados.

Salman Abbariki (Atletismo)

Paris 2024 será a segunda Paralimpíada de Abbariki, depois de competir no arremesso de peso em Londres 2012. Nos Jogos Asiáticos de 2010, ele ganhou o ouro e quebrou o recorde asiático.

Hadi Darvish (Powerlifting)

O sonho paralímpico de Darvish começou depois de assistir aos Jogos Paralímpicos de Londres 2012 pela televisão. Ele passou dois anos em um campo de refugiados quando chegou à Alemanha. Sem conta bancária no início, ele teve dificuldades para encontrar um clube esportivo que lhe permitisse treinar. Mas ele persistiu em seu propósito. Apoiado pelo RPT, ele conquistou uma medalha de bronze na categoria até 80kg masculina na Copa do Mundo de Tbilisi 2024.

Sayed Amir Hossein Pour (Tênis de Mesa)

Pour viveu em diferentes campos de refugiados longe de sua família desde que chegou à Alemanha. Ele conquistou duas medalhas de ouro nos Jogos Asiáticos da Juventude 2021, no Bahrein.

Amelio Castro Grueso (Esgrima em cadeira de rodas)

Após a morte da mãe, quando tinha apenas 16 anos, Grueso enfrentou outra tragédia quatro anos depois, quando perdeu o uso das pernas em um acidente de trânsito. No hospital se recuperando, ele prometeu escrever um livro para compartilhar sua história, mas percebeu que mais pessoas o leriam se ele fosse um atleta medalhista. Agora morando na Itália e apoiado pela RPT, Grueso viajou para o Campeonato Americano de Esgrima em Cadeira de Rodas de 2024, no Brasil, em maio deste ano, e conquistou o bronze na categoria B masculina, uma de suas maiores vitórias esportivas até hoje.

Hadi Hassanzada (Taekwondo)

Hassanzada foi deslocado várias vezes em busca de um país pacífico para viver e enfrentou inúmeros perigos antes de finalmente encontrar segurança na Áustria. Sua vida tem sido cheia de desafios, incluindo a perda da mão direita, mas ele afirma que o esporte lhe mostrou como transformar contratempos em oportunidades.

Deixe seu Comentário

Leia Também

Mundo retrocedeu 15 anos no combate à fome, diz estudo da ONU
ODS

Mundo retrocedeu 15 anos no combate à fome, diz estudo da ONU

24/07/2024 19:45
Mundo retrocedeu 15 anos no combate à fome, diz estudo da ONU
Uma em cada 11 pessoas pode ter passado fome em 2023
FAO

Uma em cada 11 pessoas pode ter passado fome em 2023

24/07/2024 17:30
Uma em cada 11 pessoas pode ter passado fome em 2023
Cassinos online movimentam cifra surpreendente no Brasil
artigo

Cassinos online movimentam cifra surpreendente no Brasil

24/07/2024 16:52
Cassinos online movimentam cifra surpreendente no Brasil
Aumento do calor na Europa e Ásia Central mata quase 400 crianças por ano
Clima e meio ambiente

Aumento do calor na Europa e Ásia Central mata quase 400 crianças por ano

23/07/2024 22:45
Aumento do calor na Europa e Ásia Central mata quase 400 crianças por ano
Eventos atuais indicam "ameaça crescente à navegação no Mar Vermelho", alerta ONU
Paz e segurança

Eventos atuais indicam "ameaça crescente à navegação no Mar Vermelho", alerta ONU

23/07/2024 22:15
Eventos atuais indicam "ameaça crescente à navegação no Mar Vermelho", alerta ONU
Últimas Notícias