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Em meio a rumores de renúncia no Egito, Mubarak irá falar nesta noite

10 Fev 2011 - 23h35
Manifestantes anti-Mubarak oram na Praã Tahrir, no Cairo, nesta quinta-feira - Crédito: Foto: ReutersManifestantes anti-Mubarak oram na Praã Tahrir, no Cairo, nesta quinta-feira - Crédito: Foto: Reuters
O presidente do Egiro, Hosni Mubarak, vai falar à nação, de seu palácio no Cairo, na noite desta quinta-feira (10), disse a TV estatal. Ele falaria às 21 locais (17h de Brasília), segundo a Sky News.

O discurso ocorrerá em meio a vários relatos de que o contestado Mubarak iria renunciar, depois de 17 dias de fortes protestos de rua contra seu regime, que já dura 30 anos no país.

A TV estatal mostrou imagens de Mubarak reunido com seu vice-presidente, Omar Suleiman. Mas não estava claro se a transmissão era ao vivo.

O alto comando das Forças Armadas estava reunido, também segundo imagens mostradas pela TV estatal. De acordo com a rede Al Jazeera, é apenas a terceira vez na história que isso ocorre -as anteriores foram em 1967 e em 1973.

O Exército anunciou em um comunicado que começou a tomar medidas necessárias \"para proteger a nação e para apoiar as legítimas demandas do povo\".

Dezenas de milhares de manifestantes continuavam reunidos nesta quinta na Praça ahrir, que se tornou um símbolo dos protestos, exigindo a saída de Mubarak.

O ambiente é agitado e alegre entre os manifestantes depois do anúncio de que o exército nacional está tomando medidas para apoiar \"as legítimas demandas do povo\".

Cada vez mais gente chegava à praça depois do anúncio.

A oposição disse temer que um golpe militar esteja sendo tramado no país.

Mais cedo, o premiê do Egito, Ahmed Shafiq, disse à rede britânica BBC que Mubarak poderia renunciar e que a situação no país seria esclarecida em breve.

Mais tarde, na TV estatal, o recém-nomeado Shafiq disse que nada havia mudado no governo.

\"Nenhuma decisão foi tomada. Tudo está normal\", disse. \"Tudo ainda está nas mãos do presidente.

Hosam Badrawi, secretário-geral do partido governista, disse também à BBC que Mubarak poderia \"responder aos pedidos do povo\" por sua saída imediata. Ele disse que a saída, transmitindo o poder para o vice, seria \"a coisa certa a fazer\".

Sem citar fontes, a americana CNN afirmou que Mubarak poderia transferir seu poder de chefe militar ao Exército.

A também americana NBC afirmou que o presidente deve renunciar ainda na noite desta quinta-feira. O Egito está quatro horas à frente do horário brasileiro de verão no fuso horário.

Uma fonte do ministério egípcio, que não se identificou, disse à agência Reuters que Mubarak \"muito provavelmente\" deve renunciar.

A CIA, principal agência de inteligência dos EUA, também trabalha com este cenário. Leon Panetta, chefe da agência, disse em audiência no Congresso dos EUA que a saída imediata seria significativa para uma \"transição ordeira\". Panetta disse não ter confirmação da renúncia, mas apenas \"relatos\".

Mubarak teria viajado para Sharm el-Sheikh, resort às margens do Mar Vermelho onde tem residência, com seu chefe de gabinete, segundo a TV Al Arabiya. Ainda não houve confirmação oficial dessa informação.

O jornal britânico \"Guardian\" e a rede \"Al Jazeera\" disseram que o discurso que será televisionado nesta noite já teria sido gravado.

Mubarak, segundo os mesmos relatos, já teria saído de Sharm El-Sheikh.

O presidente mantém o poder e não irá renunciar, disse à Reuters o ministro da Informação do Egito. \"O presidente ainda está no poder e não está renunciando\", disse Anas el-Fekky. \"O presidente não está renunciando e tudo o que ouviram são rumores da mídia.\"

Um membro da Irmandade Muçulmana disse temer que o Exército do Egito esteja tramando um golpe militar. \"Parece um golpe militar... Estou preocupado e ansioso. O problema não é com o presidente, é com o regime.\", disse Essam al-Erian à Reuters.

Apesar da crescente pressão interna e internacional contra o regime, Mubarak anunciou que só sairá do poder em setembro, para quando estão marcadas eleições. Ele disse temer que o país virasse um \"caos\" no caso de sua saída antecipada.

Uma negociação com a oposição começou no domingo (6), com o recém nomeado vice-presidente Omar Suleiman representando o governo.

Mas as concessões do regime, feitas a conta-gotas desde então, foram recebidas com ceticismo pelos diversos grupos envolvidos -incluindo a poderosa Irmandade Muçulmana-, e as conversas pouco avançam.

Os protestos deixaram pelo menos 300 mortos e 5.000 feridos no país, segundo levantamento das Nações Unidas. Ativistas denunciaram nesta quinta que o Exército teria cometido abusos contra ativistas presos.
(G1)

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