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Em meio a impasse, governo egípcio diz ter libertado 34 presos

08 Fev 2011 - 21h15
Manifestantes acampados na Praça Tahrir, no centro do Cairo - Crédito: Foto: APManifestantes acampados na Praça Tahrir, no centro do Cairo - Crédito: Foto: AP
O governo do Egito libertou 34 presos políticos, informou a agência de notícias estatal do país nesta terça-feira (8). São os primeiros libertados desde que o presidente Hosni Mubarak começou a prometeu reformas para tentar controlar o levante popular que já dura 15 dias.

\"O ministro do Interior Mahmoud Wagdy emitiu uma ordem hoje de libertação de 34 detentos políticos considerados como estando entre os elementos extremistas, depois de avaliar as posições deles\", disse a agência oficial Mena.

A agência disse que os presos se entregaram às autoridades depois de fugir da prisão durante vários dias de tumulto no mês passado.

Mas milhares de manifestantes mantinham a pressão sobre o regime e continuavam os protestos na Praça Tahrir, no centro Cairo, e em várias outras cidades do país, exigindo a renúncia imediata de Mubarak. Segundo a CNN e a France Presse, seriam os maiores protestos desde o início da crise, em 25 de janeiro.

Dois dias após o início formal da negociação com os vários grupos da oposição egípcia, o governo fez várias concessões aos manifestantes, mas elas foram recebidas com ceticismo e consideradas insuficientes pelos oposicionistas.

#####Reformas constitucionais
O presidente Mubarak criou uma comissão para reformar a Constituição, anunciou na terça o vice-presidente Omar Suleiman, nome escolhido para intermediar as negociações.

A criação havia sido acertada durante reunião entre governo e oposição dois dias antes.

Suleiman também afirmou que o Egito tem um plano e um cronograma para a transferência pacífica de poder. Ele reiterou que o governo não perseguirá manifestantes que pediram a queda do presidente.

\"O presidente recebeu bem o consenso nacional, confirmando que estamos colocando nossos pés no caminho certo para sairmos da crise atual\", disse o vice na TV estatal após encontro com Mubarak.

Na segunda, o governo havia anunciado um aumento de 15% nos salários do funcionalismo e nas aposentadorias. O novo gabinete ministerial -em sua primeira reunião completa- prometeu investigar casos de fraude eleitoral e corrupção no serviço público.



O ministro das Finanças, Samir Radwan, disse que os aumentos vão custar US$ 960 milhões e vão valer a partir de abril, para mais de 6 milhões de pessoas.

No passado, o funcionalismo público foi um dos pilares de sustentação do regime, mas ele ficou minado por conta das recentes crises financeiras.

O governo e as forças armadas tentavam fazer o país, o mais populoso do mundo árabe, a voltar ao trabalho.

Os bancos reabriram no domingo, e a Bolsa de Valores deve reabrir no próximo dia 13.

O toque de recolher, que vigora desde 28 de janeiro, foi encurtado em uma hora nesta segunda, e agora vale de 20h às 6h.

A Irmandade Muçulmana, importante força de oposição e um dos grupos que se reuniu com autoridades governantes no final de semana, anunciou que as reformas propostas por Mubarak são \"insuficientes\". \"As demandas são ainda as mesmas. O governo não respondeu à maioria deles, apenas a algumas e de forma superficial\", disse Essam al-Aryane, um dirigente da Irmandade.

Com alguns egípcios ansiosos por um retorno à normalidade, o governo alertou sobre os danos à estabilidade econômica e à economia que vão decorrer do prolongamento dos protestos, que abalaram o Oriente Médio e abriram um novo capítulo na história moderna do Egito.


(G1)

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