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Costa do Marfim tem situação crítica mesmo depois da troca de governo

14 Abr 2011 - 17h35
Soldados patrulham ruas de Abidjan, principal cidade da Costa do Marfim, nesta quarta-feira - Crédito: Foto: APSoldados patrulham ruas de Abidjan, principal cidade da Costa do Marfim, nesta quarta-feira - Crédito: Foto: AP
Corpos permaneciam nesta quinta-feira (14) nas ruas de Abidjan, a principal cidade da Costa do Marfim, e havia detenções em massa e confrontos mesmo após a mudança de governo no país africano, informou a Cruz Vermelha.

Um dia depois de o novo presidente Alassane Ouattara prometer restabelecer a segurança e a prosperidade à nação devastada pela guerra civil, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha disse que houve indícios de amplos saques no oeste do país e que \"uma entrada maciça\" de ajuda humanitária seria necessária.

O rival de Ouattara, Laurent Gbagbo, foi capturado em Abidjan por forças leais a Ouattara no início da semana, encerrando uma disputa de poder que começou quando Gbagbo recusou-se a aceitar sua derrota nas eleições presidenciais de novembro.

Os combates que se seguiram deixaram pelo menos 900 mortos e mais de um milhão de desalojados, e arruinaram a economia da maior exportadora mundial de cacau.

\"As pessoas estão começando a receber suprimentos, mas não em todas as partes da cidade\", disse Dominique Liengme, chefe da delegação do Comitê Internacional da Cruz Vermelha em Abidjan.

\"Muitos que estão feridos ou doentes ainda não podem ir ao hospital por conta da situação de segurança, ou por falta de transporte. Estabelecimentos médicos que estão funcionando estão sobrecarregados e há falta de suprimentos e funcionários.\"

Ouattara, com o apoio dos principais chefes das forças de segurança, que até pouco tempo eram fiéis ao ex-presidente Laurent Gbagbo, deu um prazo de \"um a dois meses\" para \"pacificar\" o país, afundado na violência e nos saques.

Desde a prisão do ex-presidente Gbagbo, os principais chefes das forças de segurança que eram fiéis a ele se uniram ao novo presidente. Os últimos, dois generais, um chefe de uma unidade de elite e o outro comandante da força aérea, deram seu apoio na quarta-feira.

Estes líderes das forças de segurança haviam permanecido leais a Gbagbo durante os quatro meses de crise.

Outtara havia anunciado na quarta-feira que \"pedirá ao promotor do Tribunal Penal Internacional (TPI) que inicie investigações\" sobre os massacres que ocorreram no oeste do país, atribuídos pela ONU e por organizações não governamentais aos dois grupos rivais.

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