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Bombeiros vão responder por motim e danos

13 Jun 2011 - 21h35
Deputada Clarissa Garotinho, cabo Benevenuto
Daciolo e o deputado Flávio Bolsonaro em reunião
na Alerj - Crédito: Foto: Lilian Quaino/G1Deputada Clarissa Garotinho, cabo Benevenuto Daciolo e o deputado Flávio Bolsonaro em reunião na Alerj - Crédito: Foto: Lilian Quaino/G1
A juíza Ana Paula Monte Figueiredo, da Auditoria da Justiça Militar do Rio, recebeu nesta segunda-feira (13), uma denúncia contra os 429 bombeiros e dois policiais militares presos após a invasão do Quartel Central, no Centro. Segundo o Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), eles vão responder à ação penal militar pelos crimes de motim, dano em material ou aparelhamento de guerra, dano em aparelhos e instalações de aviação e navais, e em estabelecimentos militares.

A denúncia foi oferecida pelo Ministério Público estadual (MP-RJ). Segundo o TJ-RJ, todos os militares foram notificados de que deverão comparecer à Auditoria da Justiça Militar na próxima quarta-feira 15), para serem citados. As datas dos interrogatórios também já estão definidas.

Depois de semanas de manifestações nas ruas, os bombeiros tentam agora, através de articulações em gabinetes políticos, uma aproximação do governo do Rio para tentar negociar proposta de piso salarial de R$ 2 mil e mais vale-transporte, além de anistia administrativa e criminal, para que os manifestantes não sejam punidos.

Desde a manhã desta segunda-feira (13) que os líderes do movimento participam de reuniões na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) com os deputados que apoiam a causa da categoria.

Nos encontros da comissão, formada por parlamentares e bombeiros, eles tentam chegar a um cálculo que sustente o piso de R$ 2 mil e apresentar uma emenda ao projeto de lei 571/2011 do governo, que propõe a antecipação para julho de 2011 de um percentual de aumento de cerca de 5,58% para os servidores. Uma outra emenda será a proposta para garantir o benefício do vale-transporte.

As emendas serão apresentadas pelos deputados para serem incluídas no texto final proposto pelo governo do estado. A mensagem do governo estadual, enviada à Assembleia Legislativa, antecipando o reajuste de 5,58%, foi rejeitada pelos bombeiros. No domingo (12), o governador Sérgio Cabral informou, por meio de sua assessoria, que vai enviar nesta segunda mensagem à Alerj modificando a destinação dos recursos do Fundo Especial do Corpo de Bombeiros (Funesbom) para que 30% deles sejam utilizados para pagamento de gratificações aos bombeiros. A categoria já rejeitou a proposta.

“Aceitamos negociar, desde que seja mantido o piso que estamos pedindo desde o início, que é de R$ 2 mil líquidos. Não abrimos mão desse valor”, disse o cabo Benevenuto Daciolo, um dos líderes do movimento dos bombeiros, que desde cedo se reúne com pelo menos seis deputados, entre eles Janira Rocha (PSol) e Clarissa Garotinho (PR).

Depois de elaborados os textos das emendas, eles pretendem se reunir com o presidente da Alerj, Paulo Melo, ou o líder do governo, André Corrêa, para que as propostas sejam discutidas e enviadas ao governador. As emendas serão apresentadas ao plenário nesta terça-feira (14).

Anistia administrativa e criminal

Em outra frente de negociação, os bombeiros tentam negociar com o secretário de Defesa Civil e comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Sérgio Simões, a anistia administrativa, para que os manifestantes pela campanha reivindicatória não sejam punidos.

Sérgio Simões afirmou por nota enviada pela assessoria da secretaria que \"tem o dever de abrir procedimentos administrativos para analisar caso a caso envolvendo os bombeiros que invadiram o Quartel Central. No entanto, segundo ele, a medida não significa seu ânimo em aplicar alguma punição.\"

\"A entrada no quartel não ia acontecer e alguma coisa tornou a manifestação fora de controle. Não acredito numa teoria da conspiração de que a invasão foi facilitada para criminalizar o movimento\", disse na nota.

Segundo Simões, todos os militares que estavam presos já voltaram a seus postos, respeitando suas respectivas escalas de trabalho.

Em Brasília, deputados federais se movimentam para que eles não sejam processados por crime militar, devido à ocupação do Quartel Central dos Bombeiros.

A expectativa do movimento é que haja uma negociação concreta sobre as reivindicações até a próxima quinta-feira.

Protesto em Copacabana

O protesto em Copacabana atingiu a marca de 27 mil participantes, de acordo com informações da tenente-coronel Claudia Lovain, comandante do 19º BPM (Copacabana). Ainda segundo a comandante da PM, 150 policiais trabalharam no policiamento, espalhados ao longo da orla, mas não houve registro de confusão no evento. A marcha dos bombeiros durou cerca de 3h.

Balões vermelhos

A manifestação começou por volta das 9h, em frente ao hotel Copacabana Palace. No sábado (11), mais de 400 bombeiros foram libertados do quartel de Niterói, na Região Metropolitana do Rio, e foram recebidos por amigos e familiares na Alerj.

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