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Bill Gates: Mudança climática é muito pior que covid-19

Segundo o fundador da Microsoft, no futuro a mudança climática pode matar cinco vezes mais do que a pandemia de covid-19

11 Ago 2020 - 10h02Por Vegazeta
Bill Gates: Mudança climática é muito pior que covid-19 - Crédito: AFP/Getty Crédito: AFP/Getty

Em um artigo publicado na semana passada, o fundador da Microsoft, Bill Gates, defendeu que a mudança climática é muito pior que a pandemia de covid-19.

Em referência à covid-19, Gates começa a publicação citando que uma crise global chocou o mundo e está causando um trágico número de mortes, fazendo com que as pessoas tenham medo de sair de casa – o que tem levado a problemas econômicos jamais vistos há muitas gerações.

“Mas em apenas algumas décadas, a mesma descrição se ajustará a outra crise global: as mudanças climáticas. Por mais terrível que seja essa pandemia, a mudança climática poderia ser pior.”

Ele reconhece que é difícil pensar em um problema como a mudança climática agora, quando a covid-19 bate em nossa porta. Afinal, quando ocorre um desastre, é da natureza humana preocupar-se apenas em atender às nossas necessidades mais imediatas.

“Mas o fato de que temperaturas dramaticamente mais altas parecem parte de um futuro distante não as torna menos problemáticas – e a única maneira de evitar os piores resultados climáticos possíveis é acelerar nossos esforços agora.”

Bill Gates defende que, enquanto o mundo trabalha para interromper o novo coronavírus e começar a se recuperar dele, precisamos agir para evitar um desastre climático, criando e implantando inovações que nos permitirão eliminar nossas emissões de gases de efeito estufa.

“Você deve ter visto as projeções de que, como a atividade econômica desacelerou muito, o mundo emitirá menos gases de efeito estufa neste ano do que no ano passado. Embora essas projeções sejam certamente verdadeiras, sua importância para a luta contra as mudanças climáticas tem sido exagerada.”

Segundo o fundador da Microsoft, os analistas discordam sobre o quanto as emissões cairão neste ano, mas a Agência Internacional de Energia estima a redução em cerca de 8%. Em termos reais, isso significa que vamos liberar o equivalente a cerca de 47 bilhões de toneladas de carbono, em vez de 51 bilhões.

“É uma redução significativa e estaríamos em ótima forma se pudéssemos continuar com essa taxa de redução a cada ano. Infelizmente, não podemos. Considere o que é necessário para atingir essa redução de 8 por cento. Mais de 600 mil pessoas morreram e dezenas de milhões estão sem trabalho. Em abril deste ano, o tráfego de automóveis foi metade do que era em abril de 2019. Durante meses, o tráfego aéreo praticamente parou.”

Bill Gates frisa que essa não é uma situação que possa ter continuidade e também não é algo que as pessoas desejam. E ainda assim estamos no caminho para emitir 92% da quantidade de carbono de 2019.

“O que é notável não é quanta emissão diminuirá por causa da pandemia, mas quão pouco. Além disso, essas reduções estão sendo alcançadas, literalmente, ao maior custo possível.”

Bill Gates pede que pensemos em quantas pessoas serão mortas pelo covid-19 em comparação com as mudanças climáticas? “Como queremos comparar eventos que acontecem em diferentes momentos – a pandemia em 2020 e as mudanças climáticas em, digamos, 2060 – e a população global mudará nesse período, não podemos comparar o número absoluto de mortes. Em vez disso, usaremos a taxa de mortalidade: isto é, o número de mortes por 100 mil pessoas.”

E acrescenta: “Na semana passada, mais de 600 mil pessoas morreram de covid-19 no mundo todo. Em uma base anual, essa é uma taxa de mortalidade de 14 por 100 mil pessoas. Como isso se compara às mudanças climáticas? Nos próximos 40 anos, projeta-se que aumentos nas temperaturas globais aumentem as taxas globais de mortalidade na mesma proporção – 14 mortes por 100 mil. Até o final do século, se o crescimento das emissões continuar alto, as mudanças climáticas podem ser responsáveis por 73 mortes extras por 100 mil pessoas. Em um cenário de emissões mais baixas, a taxa de mortalidade cai para 10 por 100 mil. Em outras palavras, em 2060, a mudança climática pode ser tão mortal quanto a covid-19, e em 2100 pode ser cinco vezes mais mortal.”

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