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Arábia Saudita abandona mediação na crise libanesa

19 Jan 2011 - 20h05
Ministro saudita das relações exteriores, Saud al-Faisal, na abertura do fórum econômico da Liga Árabe, no Egito. - Crédito: Foto: ReutersMinistro saudita das relações exteriores, Saud al-Faisal, na abertura do fórum econômico da Liga Árabe, no Egito. - Crédito: Foto: Reuters
A Arábia Saudita abandonou hoje seus esforços de mediação junto com a Síria na crise política do Líbano.

O país saudita, que apoia o primeiro-ministro em exercício Saad Hariri, e o governo sírio, que apoia o campo do Hezbollah xiita, tentavam há meses acalmar a tensão neste país dividido em torno do tribunal da ONU encarregado de julgar os autores do assassinato em 2005 do ex-primeiro-ministro sunita Rafic Hariri.

A Arábia Saudita considera que a situação no Líbano é perigosa e abandonou os esforços de mediação conjunta com a Síria na crise política libanesa, anunciou o chanceler saudita Saud al-Faisal.

Em uma entrevista ao canal Al-Arabiya, o ministro das Relações Exteriores saudita também advertiu que existe o risco de \"divisão\" do país.

O chanceler explicou que o rei Abdullah manteve contato direto com o presidente sírio Bachar al-Assad \"para chegar a uma solução global do problema libanês, mas isto não teve resultados\".

\"Assim, o monarca se retirou dos esforços de mediação\", disse.

O príncipe Saud considera que a situação no Líbano é \"perigosa\" depois da apresentação do documento de acusação ao Tribunal Especial para o Líbano (TEL) sobre o assassinato do ex-premier Rafic Hariri.

#####Hezbollah e o tribunal especial da ONU

Na semana passada, dez ministros do partido político Hezbollah e mais um aliado abandonaram o governo de coalisão libanês liderado pelo então premiê Saad al-Hariri, filho do primeiro-ministro assassinado em 2005, Rafik al-Hariri.

Com a debandada, o país entrou em colapso, e desde então, buscam-se soluções para a formação de um novo governo.

O Hezbollah exige que Hariri desqualifique os resultados das investigações do Tribunal Especial da ONU sobre a morte de seu pai, em 2005, por receito de que as acusações recaiam sobre membros do partido.

Líderes da legenda alegam que \'as investigações e o próprio tribunal atendem apenas aos interesses dos EUA e de Israel\', e não aos do povo do Líbano. Mas Hariri persistiu não somente em apoiar, mas em financiar as investigações, irritando a oposição local.

Analistas de diversas partes têm dito que a possibilidade do Hezbollah assumir o poder no Líbano é real e viável. Hipótese esta que causa aflição no Oriente Médio, pela possibilidade de uma nova guerra civil no país, e principalmente nos EUA e em Israel, que temem um possível governo com o apoio irrestrito do Irã, hoje grande inimigo das duas potências na região.

Os resultados do tribunal, apesar de já terem sido apurados, estão sendo mantidos em sigilo.

(g1.com)

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