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Após Tunísia e Egito, protestos crescem em países muçulmanos

16 Fev 2011 - 20h35
Manifestantes pró e contra o governo enfrentam-se nos portões da Universidade de Sanna, no Iêmen, nesta quarta-feira - Crédito: Foto: ReutersManifestantes pró e contra o governo enfrentam-se nos portões da Universidade de Sanna, no Iêmen, nesta quarta-feira - Crédito: Foto: Reuters
Protestos antigoverno inspirados pelas revoltas populares que derrubaram os presidentes da Tunísia e do Egito estão ganhando força em países muçulmanos do Oriente Médio e norte da África, apesar de tentativas de concessões políticas e econômicas.

Choques foram relatados pela primeira vez na fortemente controlada Líbia de Gaddafi, e novos protestos ocorreram em Bahrein, Iêmen, Iraque e Irã nesta quarta (16).

O presidente dos EUA, Barack Obama, disse que a queda do ditador egípcio Hosni Mubarak -antigo aliado de Washington- devia \"servir de exemplo\" para os outros países da região.

Os protestos são organizados com a ajuda da intenet, o que dificulta a repressão por parte dos governos.

Centenas de opositores do líder líbio Muammar Gaddafi, no poder há mais de 40 anos, entraram em choque com a polícia e partidários do governo na cidade de Benghazi, no leste do país, durante a noite, disseram uma testemunha e a mídia local.

Relatos vindos da cidade portuária, situada mil quilômetros a leste da capital, Trípoli, dizem que manifestantes armados com pedras e bombas incendiárias atearam fogo a veículos e entraram em choque com a polícia, num tumulto raro no país exportador de petróleo.

A televisão estatal líbia disse que manifestações foram realizadas pela manhã em todo o país em apoio a Gaddafi, o líder africano que está há mais tempo no poder. O tumulto na segunda maior cidade líbia foi desencadeado pela prisão do ativista dos direitos humanos Fethi Tarbel, que trabalha para libertar presos políticos, disse o jornal \"Quryna\".

Em uma possível concessão aos manifestantes, a Líbia vai libertar nesta quarta-feira 110 integrantes da organização militante proibida Grupo de Combate Islâmico Líbio, que estão encarcerados na notória prisão de Abu Salim, em Trípoli, disse outro ativista dos direitos humanos.

No Iêmen, partidários do governo brandindo cassetetes e punhais, entraram em choque com manifestantes antigoverno na capital, Sanaa, enquanto a polícia perdia o controle dos protestos contra o presidente Ali Abdullah Saleh, aliado dos EUA na luta contra a Al Qaeda. Os protestos se espalharam também para outras cidades iemenitas.

Saleh, no poder há mais de 30 anos, prometeu deixar a Presidência quando seu mandato chegar ao fim, em 2013, e propôs diálogo à oposição, mas manifestantes radicais exigem sua saída agora.

No Bahrein, manifestantes lotaram a capital, Manama, pelo terceiro dia sucessivo para lamentar a morte de um manifestante em choques com as forças de segurança na terça-feira.

O emirado, produtor de petróleo, tem um histórico de protestos motivados pelas dificuldades econômicas, a ausência de liberdades políticas e a discriminação sectária dos governantes sunitas contra a maioria xiita.

No Irã, partidários e opositores do rígido sistema islâmico do país entraram em choque em Teerã durante o funeral de um estudante morto a tiros numa manifestação antigoverno, dois dias atrás, informou a emissora estatal IRIB.

O Iraque também viveu nesta quarta-feira o dia mais violento desde o início dos protestos há duas semanas, com a morte de um jovem manifestante ao sul de Bagdá. A multidão, enfurecida, incendiou edifícios públicos em protesto contra a ausência de serviços públicos.

Na Argélia, onde uma passeata proibida pelo governo enfrentou em 12 de fevereiro um grande dispositivo de segurança, uma nova manifestação está prevista para o próximo sábado.


O presidente argelino, Abdelaziz Bouteflika, prometeu revogar em breve o estado de emergência, em vigor há 19 anos, e reduziu o custo dos produtos alimentícios básicos.

As autoridades do país, exportador de óleo e gás, colocaram cerca de 30 mil policiais nas ruas de Argel no sábado para impedir uma marcha pró-democracia planejada. Várias centenas de manifestantes desafiaram a proibição, e dezenas deles foram detidos.

Os países dotados de grandes recursos petrolíferos e de gás, como Arábia Saudita e Argélia, parecem estar mais bem posicionados que países pobres como Egito e Tunísia para comprar a paz social.


(G1)

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