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Ronaldinho Gaúcho fatura 12 vezes mais que Romário

14 Jan 2011 - 17h17
Romário ganhou carreata no Rio em 1995. Ronaldinho preferiu a festa da torcida na Gávea para sua chegada, 16 anos depois da festa preparada para o Baixinho - Crédito: Foto: Editoria de Arte / GLOBOESPORTE.COMRomário ganhou carreata no Rio em 1995. Ronaldinho preferiu a festa da torcida na Gávea para sua chegada, 16 anos depois da festa preparada para o Baixinho - Crédito: Foto: Editoria de Arte / GLOBOESPORTE.COM
Os números mirabolantes na contratação de Ronaldinho Gaúcho e a forte repercussão da torcida fizeram o torcedor do Flamengo se lembrar de outra operação de impacto e ousada na história do clube. Romário retornou ao Rio em janeiro de 1995 sob a pompa de herói brasileiro no tetra mundial em 1994. Ídolo no Barcelona, acabara de ser eleito pela Fifa o maior jogador do mundo. A festa para vê-lo pela primeira vez com a camisa rubro-negra teve direito a desfile no caminhão do Corpo de Bombeiros seguido de carreata pelas ruas.

Apesar dos poucos títulos conquistados e das muitas polêmicas que criou, o Baixinho se identificou com o clube, tornou-se ídolo e entrou para a galeria dos maiores artilheiros, com 204 gols. Mas, com a revolução do marketing no futebol, o artilheiro perde de goleada para o penta mundial em 2002 nas cifras.

Ronaldinho vai ganhar no mínimo, até dezembro de 2014, quando acabará o seu contrato com o Flamengo, R$ 1,3 milhão por mês - o clube bancará R$ 300 mil, enquanto a Traffic, empresa de marketing esportivo, bancará o maior valor, de R$ 1 milhão. Na cotação atual, o total dá US$ 777 mil mensais. Esses valores para Ronaldinho poderão aumentar com participação em ações de marketing e chegar a até R$ 2 milhões. Para a liberação do jogador, o clube rubro-negro desembolsou R$ 6,7 milhões ao Milan - o que dá US$ 4,080 milhões.

Quando chegou como maior do mundo, Romário recebia US$ 62 mil por mês. Como o real tinha o mesmo valor do dólar, o salário era de R$ 62 mil. Alto para a época, mas hoje completamente defasado. O pool de empresas arrrumado pelo clube pagou ao Barcelona US$ 4,5 milhões para que o Baixinho fosse liberado.

O diretor de marketing lembra que, em 2009, o mercado brasileiro de futebol gerou R$ 1,9 bilhão. Em 2010, R$ 2,1 bilhões. Para 2014, ano da Copa do Mundo, são esperados R$ 3 bilhões.

- De 2008 para cá, com a vinda do Ronaldo Fenômeno, o maior case de marketing esportivo brasileiro, na minha opinião, descobrimos a mina de ouro. Os clubes perceberam que a presença do ídolo alavanca a marca em tudo. Desde o patrocínio à venda de ingressos e de produtos, como a camisa. Mas ela sozinha não paga a conta. Até porque se o time começar a perder, as vendas despencam. No caso do Ronaldinho, quem vai faturar mais é a Olympikus, e não o Flamengo, a não ser que o percentual tenha sido combinado anteriormente. Mas sua chegada pode alavancar também anúncios, campanhas de marketing. Houve inclusive um boom no site do Flamengo quando anunciou a sua contratação.

Amir lembra que em alguns casos, como no galáctico Real Madrid de Zidane, a patrocinadora de material esportivo (no caso, a Adidas) aceitava aumentar o percentual do clube por camisa para até 40%. No caso do Flamengo, o clube fatura R$ 8 por camisa vendida, o que representa 5% do valor de loja, hoje em torno de R$ 160.

Um dos pioneiros do marketing esportivo no Brasil, João Henrique Areias, outra fera no assunto, lembra que em 2009, quando assumiu a vice-presidência de esportes olímpicos do Flamengo, lançou uma camisa Fla-Basquete a R$ 40 para tirar o time do buraco. Metade da quantia ia para o departamento. Trinta mil torcedores a compraram. O suficiente para pôr em dia o salário dos jogadores, que devolveram em quadra com várias conquistas a ajuda da torcida.
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- O princípio do negócio futebol é conquistar mercado, torcedores. Fazê-los ir mais aos estádios, assistir mais pela TV, comprar mais produtos. E mais anunciantes são atraídos. É importante ter títulos e ídolos. O clube monta um time, constroi um estádio, um CT. Tudo isso é importante hoje e justifica a contratação de Ronaldinho. Basta ele jogar futebol. A imagem o favorece. É um cara divertido, alegre, tem a cara da torcida do Flamengo. Vem sem ter jogado no Rio e com pouco tempo de Grêmio. Foi uma contratação extremamente feliz - afirmou Areias.

- Depois que conversamos com o jogador e sentimos o seu interesse de voltar para o Brasil, tivemos que viabilizar a operação num curto espaço de tempo e manter o sigilo. Foi muito difícil. Depois, quando chegamos a Barcelona, perguntei ao presidente quanto queria para liberar o Romário. Ele pediu quatro milhões e meio de dólares, sem acreditar que teríamos. Fechei o negócio na hora.

Romário chegou ao clube em 1995. Se fora de campo as ações de marketing foram capazes de pagar o craque com a camisa 11 rubro-negra, no gramado os resultados não foram os esperados. O Baixinho não conseguiu dar ao clube o tão sonhado título no ano do centenário. No ano seguinte, conquistou o Carioca. Saiu em1997 para o Valencia mas não tardou a retornar à Gávea e ganhar mais um Carioca e a Copa Mercosul, ambos em 1999. Kleber garante que não se arrepende de ter contratado o tetracampeão mundial.

- Se eu pudesse mudar algumas coisas que eu fiz, não teria contratado dois grandes astros (pouco depois, o Flamengo comprou Edmundo por US$ 5 milhões, e o atacante acabou se desentendendo com Romário). A vaidade atrapalhou. Teria reforçado outros setores, como defesa e meio-campo. É como estão fazendo agora, com o Ronaldinho. Se o Adriano voltar para o Flamengo, nem será problema, porque não divide grupo nem nada, é aglutinador. Agora, essa coisa de comparação da contratação do Ronaldinho com o Romário, eu diria o seguinte: é como comprar um apartamento na Visconde Pirajá e um na Vieira Souto. Romário era o melhor do mundo na época.

(globoesporte.com)

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