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Economia

Principal meta dos brasileiros para 2016 é sair do vermelho

06 Jan 2016 - 07h00
Principal meta dos brasileiros para 2016 é sair do vermelho -
O ano de 2016 começa com uma perspectiva nada otimista para a economia e com o agravamento da crise política torna ainda maior o grau de incerteza. Com isso, os consumidores se preparam para enfrentar situações adversas ao longo do ano e que, segundo especialistas, devem ser parecidas com as de 2015. O Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) pesquisaram quais são as expectativas e projetos dos brasileiros para 2016: 36,8% pretendem sair do vermelho, pagando todas as contas que estão vencidas.


Em seguida, também são mencionados os desejos de fazer atividade física (34,3%), de comprar e/ou trocar de carro (27,6%), além de perder peso (27,5%). O levantamento, feito em todo o Brasil, mostra ainda que as expectativas em relação à conjuntura econômica do País estão divididas. Para três em cada dez entrevistados (31,1%), a situação será pior do que no ano passado; contra 37,0% que imaginam que será melhor.


Considerando os consumidores que acreditam na piora do cenário econômico, as principais consequências esperadas são a diminuição das compras (55,6%); a redução do consumo de produtos supérfluos, já que haverá menos dinheiro (48,4%, aumentando para 59,7% nas classes A e B); e a maior dificuldade de economizar e constituir reserva financeira (45,4%).


Como medida para superar os problemas decorrentes da crise econômica, a maior parte dos entrevistados menciona a intenção de organizar as contas da casa (56,3%), seguido da intenção de evitar o uso do cartão de crédito (36,4%) e evitar comprar parcelado (33,8%), e também pagar a maioria das compras à vista (32,7%).


Para a economista chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, os dados da pesquisa mostram que ao menos uma parte dos consumidores entende a gravidade da situação e pretende agir ativamente a fim de evitar o desequilíbrio financeiro. “Medidas como a organização das contas e o uso consciente do cartão de crédito podem fazer diferença no orçamento ao longo de todo o ano, uma vez que não há previsão de quando haverá recuperação da economia. O consumidor sabe que as compras parceladas representam risco de endividamento, situação que poderia fugir ainda mais ao controle em caso de desemprego”, explica.


O risco de não conseguir pagar as dívidas também aparece como o maior temor para 2016: 56,9% dos entrevistados citaram, com percentuais maiores entre as mulheres (61,0%) e as pessoas com 50 anos ou mais (69,6%). Foram mencionados ainda os problemas de saúde (54,6%), a possiblidade de serem vítimas de violência e/ou assalto (35,2%) e que o país não saia da crise atual (27,1%).


A corrupção - um dos destaques da mídia no ano passado - também foi lembrada. Para 42,5% dos brasileiros, é o problema mais importante do Brasil a ser resolvido em 2016, seguida da crise econômica, mencionada por 39,6%.

A economia piorou


Os especialistas do SPC Brasil são unânimes na avaliação de que a crise econômica atual pode não ter começado em 2015, mas este foi o ano em que a situação se agravou e alastrou. “O que impressionou ao longo do ano passado foi a velocidade da deterioração das variáveis macroeconômicas”, afirma Kawauti. “Às dificuldades econômicas herdadas de 2014, quando a recessão iniciou, somou-se uma crise política que engessou a proposta do ajuste fiscal e de medidas de incentivo. O resultado foi que a inflação, projetada inicialmente em 6,56%, alcançou a casa dos dois dígitos. Os preços ao consumidor apurados pelo IBGE tiveram variação média de 10,48%”, explica. “Nos primeiros três trimestres de 2015, a economia brasileira recuou 3,2% na comparação com igual período de 2014, e o desemprego voltou a crescer”.


Os reflexos da conjuntura econômica e política atingiram os consumidores: oito em cada dez pessoas ouvidas na pesquisa (79,6%) acreditam que as condições gerais da economia pioraram em 2015 comparado a 2014, sobretudo entre os pertencentes das classes A e B (83,9%). Outros 15,2% falam que as condições permaneceram as mesmas, e apenas 4,2% acham que a situação melhorou.


Quando perguntados sobre a própria situação financeira, 65,2% dos entrevistados disseram que estão piores. Dentre esses, a maioria justifica sua impressão dizendo que muita coisa aumentou de preço e o rendimento não acompanhou, e por isso tiveram que diminuir o consumo para manter as contas em dia (63,7%). Os obstáculos enfrentados pelo consumidor incluem ainda o endividamento, com muitos compromissos a pagar (46,3%) e a diminuição da renda familiar (42,3%).


Outro reflexo da economia é que, entre os 12,8% dos entrevistados que estão desempregados, seis em cada dez (61,6%) estão nesta situação há mais de sete meses. Cerca de 71% das pessoas tem algum amigo próximo ou familiar que perdeu o emprego nos últimos três meses.

Consumo das famílias


O estudo do SPC Brasil comprova que a deterioração da economia do país teve impacto direto no consumo das famílias, causando um retrocesso frente às conquistas nos últimos anos.


Metade dos entrevistados (50,8%) teve de abrir mão de muitos itens aos quais tinha acesso e comprava, já que as coisas estão mais caras e não dá mais para comprar tudo. Além disso, o brasileiro precisou mudar alguns hábitos de consumo ao longo do ano, em especial abrindo mão do lazer: 89,4% dos entrevistados tiveram que fazer ajustes no orçamento em 2015. Os itens que mais sofreram cortes foram o almoço, jantar e o lanche fora de casa (68,7%); os produtos supérfluos de supermercado (65,6%); produtos de vestuário, calçados e acessórios (60,3%); e bares, casas noturnas e baladas (57,5%).


Dentre as metas não alcançadas ao longo do ano passado, a mais citada pelos brasileiros foi a de fazer uma grande viagem (35,0%), seguido de não conseguirem poupar e fazer reserva de dinheiro (33,0%), comprar um carro (27,9%), reformar a casa (26,9%) e também adquirir a casa própria (20,0%).

Cartão de crédito foi o vilão


Ao longo de 2015 os brasileiros alegaram dificuldade para manter as contas em dia, tendo ficado muitos meses no vermelho. 41,8% ficaram muito meses no vermelho e cerca de um em cada cinco entrevistados (22,6%) garante ter ficado com o nome sujo por não ter pago todas as contas.


Entre os consumidores que possuem contas atrasadas e estão negativados, o vilão foi o cartão de crédito: 64,6% deixaram de pagar ao menos uma parcela, aumentando para 80,8% entre as mulheres. (*Assessoria de Imprensa do SPC Brasil).

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