Dourados – MS terça, 20 de fevereiro de 2024
24º
Cassems
Contas nacionais

PIB varia 0,1% no terceiro trimestre e segue no maior patamar da série

De janeiro a setembro, o PIB acumulou alta de 3,2%, na comparação com o mesmo período do ano passado

05 Dez 2023 - 11h15Por Umberlândia Cabral, Agência de Notícias IBGE
Setor econômico com maior peso no PIB, os serviços avançaram 0,6% no trimestre - Crédito: PixabaySetor econômico com maior peso no PIB, os serviços avançaram 0,6% no trimestre - Crédito: Pixabay

O Produto Interno Bruto (PIB) do país ficou estável (0,1%) na passagem do segundo trimestre para o terceiro. Essa é a terceira taxa positiva seguida, após a variação de -0,1% nos últimos três meses do ano passado. Com isso, o PIB, que é a soma dos bens e serviços finais produzidos no país, está novamente no maior patamar da série histórica e opera 7,2% acima do nível pré-pandemia, registrado no quarto trimestre de 2019. Em valores correntes, foram gerados R$ 2,741 trilhões no terceiro trimestre. De janeiro a setembro, o PIB acumulou alta de 3,2%, na comparação com o mesmo período do ano passado. Os dados são do Sistema de Contas Nacionais Trimestrais, divulgado hoje (5) pelo IBGE.

Na publicação de hoje, com os resultados anuais definitivos de 2021, foram divulgadas as revisões das séries das Contas Nacionais Trimestrais relativas a todos os trimestres do ano passado e dos dois primeiros deste ano. “Com essa revisão, o resultado anual de 2022 variou +0,1%, explicado principalmente pela mudança de pesos do Sistema de Contas Nacionais. Já as revisões do primeiro e segundo trimestres de 2023 foram mais relacionadas à agropecuária, porque agora incorporamos as estimativas de novembro do LSPA, com o ano já terminando”, explica a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

Dois dos três grandes setores econômicos avançaram no trimestre: Indústria (0,6%) e Serviços (0,6%). “Olhando por dentro do setor de serviços, os maiores destaques são as atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (1,3%), especialmente na parte ligada aos seguros, e as imobiliárias (1,3%), com o aumento no número dos domicílios”, ressalta Rebeca.

Das sete atividades analisadas no setor de serviços, seis ficaram no campo positivo. Os maiores aumentos percentuais vieram das duas atividades citadas pela pesquisadora, seguidas pelo segmento de Informação e comunicação (1,0%). As demais variações positivas foram de outras atividades de serviços (0,5%), administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (0,4%) e comércio (0,3%).

Já o setor de transporte, armazenagem e correio recuou 0,9%. “Essa queda vem após oito trimestres de altas e é relacionada ao transporte de passageiros”, diz a coordenadora de Contas Nacionais. Como um todo, o setor de serviços representa cerca de 67% da economia.

Entre as atividades industriais, o único crescimento foi registrado pelo setor de eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (3,6%), influenciado pelo crescimento no consumo de energia. “Está sendo um ano bom para o setor, sem problemas hídricos e com bandeira verde. Também foi muito quente, o que favoreceu o consumo de eletricidade e de água”, analisa Rebeca.

Já as indústrias extrativas (0,1%) e as indústrias de transformação (0,1%) ficaram estáveis. Na mesma comparação, a construção (-3,8%) foi a única atividade industrial a cair no trimestre. “Essa atividade cresceu nos dois anos anteriores, mas 2023 não está sendo um ano bom, com juros altos e queda na ocupação, na produção de insumos típicos e no comércio de material de construção”, diz. No acumulado do ano, a construção recuou 0,9% frente ao mesmo período do ano anterior.

A agropecuária caiu 3,3% no trimestre. De acordo com os dados revisados na publicação, essa foi a primeira queda da atividade após cinco trimestres com taxas positivas. “A agropecuária atingiu o seu maior patamar no trimestre passado e neste há a saída da safra da soja, a maior lavoura brasileira, que é concentrada no primeiro semestre. Então há a comparação de um trimestre em que há um grande peso da soja com outro em que ela não pesa quase nada. Portanto, essa queda era esperada, mas está sendo um bom ano para a atividade, que está acumulando alta de 18,1% até o terceiro trimestre”, avalia a pesquisadora.

Na ótica da demanda, houve queda de 2,5% nos investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo) frente ao segundo trimestre. Essa foi a quarta queda consecutiva desse indicador. “É um reflexo da política monetária contracionista, com queda na construção e também na produção e importação de bens de capital. Todos os componentes que mais pesam nos investimentos caíram neste trimestre”, analisa Rebeca.

Na mesma comparação, a Despesa de Consumo das Famílias aumentou 1,1% e a do Governo, 0,5%. “O crescimento do consumo das famílias é explicado por alguns fatores, como os programas governamentais de transferência de renda, a continuação da melhora do mercado de trabalho, a inflação mais baixa e o crescimento do crédito. Por outro lado, apesar de começarem a diminuir, os juros seguem altos e as famílias seguem endividadas. Houve também a queda no consumo de bens duráveis”, destaca a coordenadora.

PIB cresce 2,0% frente ao mesmo período do ano passado

Quando a comparação é feita com o mesmo trimestre de 2022, o PIB cresceu 2,0%, impactado pelos resultados positivos dos três grandes setores. Nesse período, a agropecuária avançou 8,8%, com o aumento na estimativa de algumas culturas que têm safra relevante no terceiro trimestre, como o milho, a cana-de-açúcar, o algodão herbáceo e o café, e também da pecuária.

Na indústria, a alta foi de 1,0% frente ao terceiro trimestre do ano passado. Também nessa comparação, a maior variação positiva veio da atividade de eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (7,3%), com o impacto do maior consumo de eletricidade no ano. Houve alta nas indústrias extrativas (7,2%) e queda nas atividades de construção (-4,5%) e das indústrias de transformação (-1,5%).

Já o setor com maior peso no PIB, o de serviços, avançou 1,8% na comparação com o mesmo trimestre do ano passado. Todas as suas atividades ficaram no campo positivo: atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (7,0%), atividades imobiliárias (3,6%), informação e comunicação (1,6%), transporte, armazenagem e correio (1,6%), outras atividades de serviços (1,1%), comércio (0,7%) e administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (0,4%).

Sobre o Sistema de Contas Nacionais

O Sistema de Contas Nacionais apresenta os valores correntes e os índices de volume trimestralmente para o Produto Interno Bruto (PIB) a preços de mercado, impostos sobre produtos, valor adicionado a preços básicos, consumo pessoal, consumo do governo, formação bruta de capital fixo, variação de estoques, exportações e importações de bens e serviços. No IBGE, a pesquisa foi iniciada em 1988 e reestruturada a partir de 1998, quando os seus resultados foram integrados ao Sistema de Contas Nacionais, de periodicidade anual.

 

Deixe seu Comentário

Leia Também

Mapa abre mais dois novos mercados na Austrália e Costa Rica
Comércio Exterior

Mapa abre mais dois novos mercados na Austrália e Costa Rica

20/02/2024 15:00
Mapa abre mais dois novos mercados na Austrália e Costa Rica
Receita alerta microempreendedor sobre erro na declaração anual
Economia

Receita alerta microempreendedor sobre erro na declaração anual

20/02/2024 12:45
Receita alerta microempreendedor sobre erro na declaração anual
Projeto institui homenagem às mulheres empreendedoras integrantes da BPW em MS
ALEMS

Projeto institui homenagem às mulheres empreendedoras integrantes da BPW em MS

20/02/2024 07:15
Projeto institui homenagem às mulheres empreendedoras integrantes da BPW em MS
Emprego no setor privado atinge maior patamar da série histórica em MS
Economia

Emprego no setor privado atinge maior patamar da série histórica em MS

19/02/2024 22:15
Emprego no setor privado atinge maior patamar da série histórica em MS
Mais de 85% dos ex-alunos de cursos técnicos do Senai estão empregados em Mato Grosso do Sul
Economia

Mais de 85% dos ex-alunos de cursos técnicos do Senai estão empregados em Mato Grosso do Sul

19/02/2024 21:30
Mais de 85% dos ex-alunos de cursos técnicos do Senai estão empregados em Mato Grosso do Sul
Últimas Notícias