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Inflação desacelera, mas trégua não deve durar muito tempo

10 Fev 2021 - 08h52Por Correio Braziliense
Resultado do aumento de 0,24% do IPCA é o menor índice mensal desde agosto de 2020 - Crédito: DivulgaçãoResultado do aumento de 0,24% do IPCA é o menor índice mensal desde agosto de 2020 - Crédito: Divulgação

Depois de assustar os brasileiros em 2020, a inflação desacelerou no início deste ano. Analistas dizem, no entanto, que a trégua não será duradoura. É que os preços dos alimentos e dos combustíveis continuam pressionados e, nos próximos meses, o consumidor ainda deve encarar novos reajustes.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou de 1,35% em dezembro para 0,25% em janeiro. O resultado veio abaixo das expectativas do mercado e é o menor para um mês desde agosto, quando a inflação engatou um ciclo de alta por conta do aumento do dólar e do efeito do auxílio emergencial no consumo.
O IBGE explicou que o alívio se deve à mudança da tarifa da energia elétrica, que saiu da bandeira vermelha patamar dois, em dezembro, para a bandeira amarela em janeiro, e do barateamento das passagens aéreas. A alimentação no domicílio, que foi a vilã da inflação em 2020, também contribuiu, pois subiu menos em janeiro: 1,06%, ante os 2,12% de dezembro.
A aparente trégua da inflação, no entanto, não foi suficiente para dar uma folga ao bolso dos brasileiros. A alimentação no domicílio ainda acumula alta de 19,17% em 12 meses e os combustíveis continuam subindo: a gasolina aumentou 2,17% e o diesel, 2,6% em janeiro, antes mesmo dos reajustes anunciados nesta semana pela Petrobras. “A desaceleração da inflação foi maquiada pela energia elétrica. Não fosse a mudança na bandeira tarifária, a inflação teria vindo perto dos 0,45%, pois, nas gôndolas, a carestia continua”, analisou o coordenador dos índices de preços da Fundação Getúlio Vargas, André Braz.
Segundo Braz, a tendência é de que a inflação continue pressionada. Além dos reajustes já anunciados da gasolina e do diesel, também estão previstos para este ano aumentos de mensalidades escolares, planos de saúde, energia elétrica e ônibus urbano. Os alimentos também correm o risco de voltar a acelerar, pois o início do ano tem sido de alta de preços no atacado.

Atacado dispara

De acordo com a FGV, o Índice Geral de Preços — Mercado (IGP-M) subiu 1,82% em janeiro e mais 1,98% no primeiro decêndio de fevereiro. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) aumentou ainda mais: 2,42% em janeiro e 2,54% no primeiro decêndio de fevereiro. “As matérias-primas acumulam alta de 75% em 12 meses, porque o dólar continua caro e os preços internacionais de commodities, como soja, minério de ferro, milho, cobre e petróleo, estão subindo”, explicou Braz, lembrando que parte desse aumento pode ser repassado aos preços de alimentos, bens industriais e combustíveis.
“Os núcleos de inflação devem continuar subindo. Por isso, apesar de o número de janeiro ter sido positivo, o sinal ainda é de alerta”, reforçou o economista do Banco ABC Brasil Daniel Lima.
A inflação acumulada em 12 meses, que estourou a meta de 4% em 2020, por sinal, já acelerou novamente em janeiro, saindo de 4,52% para 4,56%. Economistas calculam que essa taxa pode chegar a 6% ainda neste primeiro semestre. Por isso, a expectativa de inflação de 2020 já subiu para 3,6%, bem próximo da meta deste ano, de 3,75%, segundo o Boletim Focus, elaborado pelo Banco Central (BC).
Por conta disso, analistas dizem que o BC pode começar a elevar a taxa básica de juros (Selic) em março para conter a inflação. A expectativa é de que a Selic saia dos atuais 2% para cerca de 3,5% ou 4% até o fim do ano. “Esse processo de normalização dos juros é necessário, especialmente, se houver a retomada do auxílio emergencial, que, apesar de fundamental do ponto de vista social, pode aumentar o problema do lado fiscal”, explicou o CEO e planejador financeiro da K1 Capital Humano, Vitor Noronha.

Alimentação ainda pesa

Vilã da inflação em 2020, a alimentação no domicílio seguiu a inflação oficial brasileira e desacelerou neste início de ano. Consumidores, no entanto, reclamam que ainda é muito caro ir ao supermercado. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação da alimentação no domicílio desacelerou de 2,12% em dezembro para 1,06% em janeiro.
O resultado é fruto da “alta menos intensa” das frutas (2,67%) e da redução dos preços das carnes (-0,08%), do leite longa vida (-1,35%) e do óleo de soja (-1,08%), que vinham pressionando a inflação nos últimos meses, por conta da alta do dólar e do aumento de demanda provocada pelo auxílio emergencial.
A desaceleração, no entanto, não foi sentida pelos consumidores. É que, em um ano, os alimentos ficaram 19,17% mais caros. “Os alimentos subiram quase 20% nos últimos 12 meses. Então, subir menos não é um alívio, pois os alimentos não ficaram mais baratos”, explicou o economista da FGV, André Braz. “A desaceleração da inflação foi menos expressiva que o esperado. E esse ritmo mais devagar ajuda a sustentar um nível elevado de preços”, acrescentou o economista do Banco ABC Daniel Lima.
Apesar de ter caído de preço em janeiro, a carne ficou 22,82% mais cara nos últimos 12 meses, e o óleo de soja quase dobrou de preço: 96,2%. A saída para absorver esses aumentos e outros reajustes, como o do botijão de gás, que subiu 11,75% em um ano, segundo especialistas, foi abrir mão de outros alimentos que também dispararam de preço na pandemia, como o tomate, que está 40,9% mais caro que no início do ano passado.

BC age para conter alta do dólar

A preocupação do mercado com a possibilidade de maior deterioração das contas públicas voltou a pressionar as cotações do dólar, ontem. O Banco Central (BC) teve que fazer duas intervenções no mercado para conter a disparada da moeda norte-americana. A divisa chegou a subir 1,39% durante o dia, mas acabou fechando com elevação de 0,19%, cotada a R$ 5,382 para venda, após a ação da autoridade monetária.
Na primeira operação, por volta das 14h20, o BC anunciou um leilão de swap cambial (equivalente à venda futura de dólares), com oferta de 20 mil contratos. Às 15h10, outro leilão foi feito com contratos remanescentes. No total, o BC despejou US$ 1 bilhão no mercado.
O nervosismo também foi sentido na Bolsa de Valores de São Paulo (B3), que fechou em baixa de 0,19%. A economista-chefe da Reag Investimentos, Simone Pasianotto, avaliou o resultado do Ibovespa como fruto da pressão dos papéis da Petrobras. “Desde a última sexta-feira, a estatal vem sendo questionada pela falta de transparência na política de preços”, observou. Com a alta do valor dos combustíveis, o mercado teme interferência do governo na gestão da estatal
Além disso, da mesma forma que no mercado de câmbio, o desempenho da Bolsa também foi afetado pela discussão sobre a extensão do auxílio emergencial, que voltou ao cenário político nos últimos dias. “Isso ficou bastante no radar dos investidores e também pressionou para baixo o resultado do mercado de ações”, pontuou Pasianotto.
Ela explicou que o deficit fiscal é uma velha dor de cabeça dos investidores que aportam capital no Brasil. “O mercado ainda está com bastante receio em relação às despesas públicas, o que levou o real, mais uma vez, ao pior desempenho em relação a outras moedas.”
Já Alexandre Espírito Santo, economista-chefe da Órama Investimentos e professor do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais do Rio de Janeiro (Ibmec-RJ), afirmou que a atuação por meio dos swaps é normal. “O Banco Central tem procurado dar normalidade e liquidez ao mercado de câmbio, mas as cotações permaneceram pressionadas”, disse.

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