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De 2020 para 2021, gastos com turismo caem de R$ 11,0 bilhões para R$ 9,8 bilhões

Em 2021, os maiores gastos foram em viagens para São Paulo (R$ 1,8 bilhão), Bahia (R$1,1 bilhão) e Rio de Janeiro (R$1,0 bilhão)

07 Jul 2022 - 14h15Por Umberlândia Cabral, Agência de Notícias IBGE
O número de viagens caiu 41% entre 2019 e 2021, segundo pesquisa do IBGE - Crédito: Jonathan Campos - AEN-PRO número de viagens caiu 41% entre 2019 e 2021, segundo pesquisa do IBGE - Crédito: Jonathan Campos - AEN-PR

A proporção de domicílios em que os moradores realizaram ao menos uma viagem caiu de 21,8%, em 2019, para 13,9% em 2020. Um ano depois, chegou a 12,7%. As despesas totais em viagens nacionais com pernoite somaram R$ 9,8 bilhões em 2021, uma queda em relação ao total registrado no ano anterior, quando haviam sido gastos R$ 11,0 bilhões.

Mesmo com a pandemia de Covid-19, a falta de dinheiro continua sendo o motivo mais apontado pelos entrevistados para não ter viajado. Em 2020, 33,3% alegaram falta de dinheiro (em 2021, esse percentual caiu para 30,5%), 19,2% disseram não ter necessidade (20,8% em 2021) e para 9,6% faltou tempo (8,3% em 2021). Os dados são da PNAD Contínua Turismo 2020-2021, divulgada hoje (6) pelo IBGE. A pesquisa, fruto de uma parceria com o Ministério do Turismo, é realizada desde 2019.

“Os resultados refletem os impactos causados pela pandemia no comportamento das pessoas em relação às atividades turísticas. As viagens caíram 41% entre 2019 e 2021 e essa queda atingiu todas as classes de rendimento. O ano de 2021 foi ainda pior para o turismo que o de 2020”, aponta a analista da pesquisa, Flávia Vinhaes. Em 2019, foram realizados 20,9 milhões de viagens e, em 2021, 12,3 milhões.

Ela ressalta que embora a falta de dinheiro ainda seja o motivo de não viajar mais apontado pelos entrevistados, a participação dessa resposta caiu, chegando a 30,5% em 2021, enquanto 20,9% escolheram a opção Outro. Essa categoria inclui os motivos relacionados à pandemia, como a impossibilidade de pegar voo, necessidade de isolamento social ou infeção pelo vírus no período. Em 2019, em quase metade (49,2%) dos domicílios cujos moradores não viajaram, o motivo para a ausência de viagem foi a falta de dinheiro.

Essa escassez de recursos como motivo para não viajar cai à medida que os rendimentos domiciliares per capita crescem. Entre aquelas pessoas que ganham até meio salário mínimo, não ter dinheiro foi apontado por 44,4% em 2021. No ano anterior, esse percentual era ainda maior: 47,9%. Entre os que têm rendimento de quatro salários mínimos ou mais, a falta de dinheiro aparece na penúltima posição entre os motivos alegados para a não realização de viagem, atrás apenas de problemas de saúde, que foram citados por 2,8% dos entrevistados desse grupo. Em 2021, o motivo mais apontado pelas pessoas dessa classe de rendimento foi Outro, com 44,8%, seguido pela falta de necessidade (15,0%).

“A categoria Outro ganhou relevância com as questões relacionadas à pandemia. Os domicílios com rendimentos mais elevados mostraram maior preocupação com a crise sanitária ser um impeditivo para a realização de viagens. Se observarmos em 2019, o principal motivo de não viagem desse grupo era a falta de tempo”, diz Flávia. Em 2021, a falta de tempo foi citada por 12,7% dos moradores de domicílios com maiores rendimentos e por 8,3% do total de entrevistados.

Em cerca de um terço (33,1%) dos domicílios com renda per capita de quatro ou mais salários mínimos, algum morador viajou em 2021. Já entre aqueles com renda per capita abaixo de meio salário mínimo, esse percentual foi de 7,7% no mesmo ano. Em 86,2% dos 62,4 milhões de lares cujos moradores não fizeram nenhuma viagem, a renda era inferior a dois salários mínimos.

A analista da pesquisa observa que em 2021 houve um aumento no contingente de domicílios com rendimento menor que um salário mínimo, chegando a 43,3 milhões. Em 2019, eram 40,7 milhões de domicílios com essa faixa de rendimento.

“O que pode ser observado também pela PNAD – Rendimento de todas as fontes é uma queda no rendimento médio mensal domiciliar per capita entre 2019 e 2020. Então, apesar de esses domicílios comporem classes de rendimento mais baixas do que compunham em 2019, essa ausência de viagem não foi mais atribuída à falta de dinheiro do que havia sido naquele ano. Isso pode ter acontecido porque, com a Covid-19, algumas pessoas passaram a atribuir a não viagem ao afastamento social ou a dificuldade de deslocamento inerente à pandemia”, diz Flávia.

A proporção de viagens internacionais caiu de 3,8% em 2019 para 0,7% em 2021. Dos 12,3 milhões de viagens analisadas no ano passado, 99,3% tiveram trajeto nacional. Em 2020, as viagens dentro do país representaram 98,0% dos 13,6 milhões de viagens detalhadas pela pesquisa. De acordo com a analista, esse dado está relacionado a outro indicador: o meio de transporte utilizado pelos viajantes.

“Uma característica marcante nas viagens analisadas é que a maioria delas é feita de automóvel, seja de carro pessoal ou de empresa. Em um país de dimensões continentais como o Brasil, é bem mais raro uma pessoa sair do país utilizando carro. Em geral, ela viaja dentro da mesma região em que mora ou até do mesmo estado”, pontua.

Em 2021, o carro particular ou de empresa continuou sendo o principal transporte para viajar, com 57,2%, seguido por ônibus de linha (12,5%). Quando observada a análise por classe de renda, a participação do uso do avião cresce quando aumenta o rendimento domiciliar. Nos domicílios com rendimento domiciliar per capita de até meio salário mínimo, o avião foi o meio de transporte utilizado em apenas 4,3% das viagens. Esse percentual sobe para 21,1% nos domicílios que têm rendimento per capita de quatro salários mínimos ou mais.

Nos domicílios com menor renda, 35,1% das viagens foram para tratamento de saúde

Em 2021, cerca de 85,4% das viagens tiveram finalidade pessoal, enquanto 14,6% foram profissionais. Os principais motivos pessoais de viagem são lazer (35,7%), visitas a parentes ou amigos (32,5%) e tratamento de saúde (19,6%). Essa última categoria inclui os trajetos feitos para consultas médicas, internações ou cirurgias e atendimento psicológico.

O lazer foi predominante como motivo de viagem entre os domicílios com rendimento domiciliar per capita igual ou superior a um salário mínimo. Nos lares com renda per capita de quatro ou mais salários mínimos, mais da metade (57,5%) dessas viagens pessoais foi feita por lazer.  Mas, entre as classes de rendimento abaixo de meio salário mínimo, a prioridade é outra: 35,1% das viagens se destinaram a tratamento de saúde. A visita a parentes ou amigos aparece em segundo lugar para esse grupo, com 31,4%, e apenas 14,3% delas foram feitas por lazer.

“A visita a parentes ou amigos continua bastante expressiva em todas as classes de rendimento, enquanto o lazer aparece mais nas classes de rendimentos mais elevados. Já o tratamento de saúde, que é bem significativo entre os motivos de viagens das classes com menores rendimentos, pode ser explicado pela necessidade de deslocamento de pessoas que moram em cidades pequenas, que muitas vezes não têm estrutura para realização de cirurgias, intervenções e outros tipos de tratamento. As classes com maiores rendimentos, por sua vez, estão concentradas em grandes centros urbanos, que costumam ter uma estrutura relacionada à saúde mais diversificada”, diz a analista da pesquisa. O tratamento de saúde representa a motivação de apenas 4,4% das viagens pessoais entre os domicílios com rendimento de quatro ou mais salários mínimos.

Enquanto, em 2020, mais da metade (55,6%) das viagens motivadas por lazer foram em busca de destino de sol e praia, no segundo ano da pandemia, esse número caiu para 48,7%. Outras 25,6% buscaram natureza, ecoturismo ou aventura, percentual superior ao registrado no ano anterior (20,5%). “Isso também pode ter sido influenciado pelas questões sanitárias da pandemia. Muita gente pode ter buscado alternativas de lazer com menos aglomeração, como trilhas e cachoeiras, em vez de viajar para praias, onde há maior concentração de pessoas”, afirma Flávia. A viagem por cultura e gastronomia, com acesso a patrimônio histórico e cultural, aparece em terceiro lugar, com 16,0%.

Em 2021, uma em cada cinco viagens foi para o estado de São Paulo

O principal local de hospedagem relatado pelos entrevistados em 2021 foi a casa de amigos ou parentes, com 42,9%. Em 2019, ela já aparecia como a opção de quase metade das viagens (47,2%). No ano passado, foi seguida pela categoria Outro (28,2%), que inclui casa de apoio, hospital, veleiro, local do trabalho, entre outros tipos de alojamento. Já a opção hotel, resort ou flat foi escolhida por 14,7%.

Essa categoria foi o principal tipo de hospedagem entre aqueles que viajaram com finalidade profissional em 2019, com 45,5%. Mas, em 2021, esse percentual caiu para 28,3%, ficando atrás de Outro (38,8%). “Essa grande diminuição da hospedagem em hotel e flat em viagens realizadas por motivos profissionais está provavelmente relacionada à crise sanitária. Essas pessoas que antes se hospedavam em hotéis tiveram que buscar hospedagem na casa de amigos ou parentes”, diz a pesquisadora. Em 2019, a casa de amigos ou parentes havia sido o tipo de hospedagem de 15,5% das viagens a trabalho, percentual que subiu para 20,7% em 2021.

A pesquisa também aponta que as regiões mais visitadas no Brasil foram Sudeste (40,9%), Nordeste (28,2%) e Sul (17,3%). Parte expressiva dos deslocamentos aconteceu dentro de uma mesma região e até no interior dos estados. São Paulo aparece em primeiro lugar entre os destinos mais procurados para as viagens nacionais, concentrando 20,6% dos viajantes do país. Esse estado foi seguido por Minas Gerais (11,4%), Bahia (9,5%), Rio de Janeiro (6,6%) e Rio Grande do Sul (6,5%).

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