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Cultura

Um pouco da história das Festas Juninas em Dourados

Festa é soma de influências e, dos seus primórdios até hoje, tem o frio como "ingrediente"

18 Jun 2022 - 13h15Por Rozembergue Marques, especial para O Progresso
O nome quadrilha tem origem na palavra francesa quadrille. A quadrille surgiu em Paris, na França, e era uma dança composta de quatro casais - Crédito: DivulgaçãoO nome quadrilha tem origem na palavra francesa quadrille. A quadrille surgiu em Paris, na França, e era uma dança composta de quatro casais - Crédito: Divulgação

Uma festa do campo, com influencias das tradições francesas, indígenas e paraguaias, dentre outras que formam o grande caldeirão de culturas que ferve no brasil, sobretudo no interior. A chegada do mês de junho é também a chegada das festas juninas, pois é neste mês que se homenageia três santos católicos: Santo Antônio (13 de junho), São Pedro (29 de junho) e São João (24 de junho). Somada ao carnaval, as festas juninas são as mais populares do Brasil e fazem parte do calendário de eventos de escolas, entidades e prefeituras.

Há diversas versões sobre a origem das festas juninas. Algumas dessas versões dizem que apesar de hoje estar embasado num forte teor cristão, a origem das festas juninas é pagã. No mês de junho é o final da primavera e começo do verão no hemisfério norte, e o dia 24 é o solstício de verão nesse hemisfério. Era essa a ocasião em que os povos promoviam festas para pedir fartura nas colheitas. Como não conseguia extinguir essa tradição, a Igreja Católica introduziu nelas o caráter religioso. Fez isso, ainda segundo essa versão, aproveitando os dias dos santos mais populares que são comemorados no mês de junho. Primeiro com São João e São Pedro, e mais tarde, especialmente em Portugal, com Santo Antônio.

Pagã ou cristã, por aqui as festas juninas, sobretudo na década de 20 e 30, quando os ervais predominavam e eram praticamente a única opção de trabalho, as festas eram realizadas muito também por um componente climático: o frio severo dos meses de junho e julho, que praticamente impedia o trabalho nos ervais. A peaõzada então vinha para as fazendas, para suas casas e para a cidade/patrimonio e à beira de fogueiras se aqueciam e jogavam conversa fora. Nas brasas, assavam as culturas da época, como o milho e a batata. Era nesse período de frio lancinante que os indígenas também faziam seus rituais de dança, bebiam a Chicha (bebida à base da fermentação do milho ou mandioca) e pediam a benção do deus Tupã. 

Com o tempo, essa reunião rústica foi ganhando novos contornos, com a inclusão de novos pratos, da música dos “hermanos” paraguaios como a polca e o chamamé. Virou uma festa “de família”. Foi nesse período que se incorporou às festas a quadrilha, uma contribuição francesa às festas e cheia de simbolismos. O nome quadrilha tem origem na palavra francesa quadrille. A quadrille surgiu em Paris, na França, e era uma dança composta de quatro casais. Há quem diga que a encenação do casamento na dança da quadrilha, seja uma crítica social às famílias tradicionais: a noiva aparece grávida e seu pai obriga o noivo a se casar. Até hoje esse trecho da festa é um dos mais divertidos.

Ainda é viva na memória da cidade as festas realizadas, já na década de 60, 70 e 80 na Praça Antônio João. Uma multidão circulando pelo quadrilátero da praça e parando aqui e ali parta degustar as iguarias das barracas montadas por entidades, escolas, universitários e colônias de japoneses e paraguaios, por exemplo. Ao centro, os concursos de melhor quadrilha, de rainha e por aí adiante.

Depois, a festa junina foi transferida para o Parque de Exposições João Humberto de Carvalho, onde ficou por dois anos sendo chamada de “Arraiá no Parque”. Depois do Parque de exposições foi a vez do estacionamento do Ginásio Municipal receber a comemoração folclórica, onde ficou por mais dois anos. A partir daí foi transferida para o estacionamento do Estádio Frédis Saldivar, o “Douradão”, onde permanece até hoje. 

Nesse início do período de festas juninas já realizaram festas com essa temática as escolas Imaculada Conceição e Vilmar Vieira de Matos. Outras já estão se programando, como a Escola Estadual Presidente Vargas, que realiza seu “arraiá” no dia 08 de julho e Firmino Viera de Matos (Macaúba), que fará a festa no dia 24 de junho. Aqui, um detalhe: como algumas festas são realizadas no mês de julho, o termo “festa julina” também é usado. 

A festa promovida pela Prefeitura deste ano (a primeira após a pandemia) será realizada nos dias 30 de junho, 1 e 2 de julho no Complexo Esportivo Jorge Antônio Salomão (Jorjão).

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