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Gastronomia

Sabores da Cultura Douradense

23 Dez 2019 - 15h32Por Hakeito Almeida
Yakisoba é um dos mais consumidos no Japão Fest - Crédito: DivulgaçãoYakisoba é um dos mais consumidos no Japão Fest - Crédito: Divulgação

Nas mesas dos restaurantes, barracas de feiras, eventos culturais em Dourados, os múltiplos sabores do Paraguai, Japão e países árabes, aguçam os mais exigentes paladares e atraem pela mistura de ingredientes e tradições que resgatam deliciosas memórias afetivas. 

Quem não já visitou o Mato Grosso do Sul e foi convidado para provar a chipa (pão feito com queijo, polvilho e queijo ralado), e a sopa paraguaia (apesar da denominação, não tem nada de líquida, sendo uma torta feito com milho, queijo, cebola, ovos e leite) e foi surpreendido pelos sabores e texturas. Para o diretor cultural da Associação da Colônia Paraguaia de Dourados, Elizeu Cristaldo, a construção desta identidade gastronômica tem uma explicação histórica que remete aos tempos sombrios.

  “Grande parte, do território hoje relacionado ao Mato Grosso do Sul, no passado pertencia ao Paraguai. Muitos dos paraguaios sobreviventes da Guerra, ficaram por aqui mesmo, com isso permaneceram com eles as suas culturas e tradições. Outros grupos de paraguaios vieram depois em busca de trabalho que também trouxeram com eles os seus costumes.  Considerando a grande concentração de paraguaios e seus  descendentes em Dourados, a  valiosa contribuição de um entrelaçamento cultural, está muito presente nas padarias, lanchonetes, restaurantes entre outros com a venda das chipas, sopa paraguaia e sem falar na refrescante bebida feita com a infusão de erva mate que é o tereré”,  enfatiza Elizeu , que informa que os pratos típicos  que mais é vendido nos eventos da Associação da Colônia paraguaia são pela ordem: chipa, sopa paraguaia, Pajagua Mascada (bolinho de carne moída cozida; mandioca e temperos);  Vori Vori (ensopado  à base de carne e fubá) e Lócro (sopa com milho, feijão e batata).

A delicadeza e o ritual no preparo de iguarias para agradar os olhos antes de saboreá-la é apreciada pelos douradenses ao longo destes 66 anos do Clube Nipo Brasileiro de Dourados. O Japão Fest, inserido no calendário oficial turístico e cultural do município que está em sua 18ª edição, traz para a Praça de Alimentação, uma variedade de opções da culinária oriental.  

 “Os pratos mais consumidos no Japão Fest são: o yakisoba (macarrão refogado com legumes e carne), sobá (macarrão feito de trigo sarraceno), mas o pastel, dentre os ocidentais, tem uma procura muito grande. Em relação aos anos anteriores percebemos que a procura pelas diversidades de sushi (makizushi, inarizushi, uramaki, temaki) tem aumentado bastante. No decorrer destes anos, foram apresentadas novidades como Rolinho Primavera, Tempurá de Sorvete (sorvete frito) e Udon (tipo de macarrão apresentado de forma diferente do Sobá). Nesta edição do Japão Fest, oferecemos 18 opções de pratos para quem esteve nos prestigiando”, afirma Márcia Kurimori, diretora do Departamento de Senhoras (Fujinkai) e segunda secretária da Diretoria Executiva do Clube Nipônico.

 

Sonho Árabe

As fortes ligações familiares, fizeram com que o sírio Afif Hani Abou Harb, abrisse seu primeiro restaurante árabe, no ano de 1995 em Dourados. O pioneiro conhecido como Turquinho,  chegou por aqui na década de 60 , foi jogador de futebol e teve incursões por diversos tipos de negócios como loja de produtos esportivos, bazar, mercearia e lanchonete e agricultor de uma pequena área de 16 hectares na região parte da fazenda São João. Por conta da alta  inflação na época, ele decidiu vender a pequena área para se investir num pequeno restaurante. “Iniciamos as atividades na rua Toshinobu Katayama e ali ficamos por oito anos, se mudando depois para a Avenida Weimar Gonçalves Torres, onde permanecemos em igual período. Finalmente em 2010 decidimos vender o terreno para comprar outro menor e construir um restaurante mais moderno para atender os clientes com mais conforto e qualidade, mas sempre mantendo a tradição da culinária árabe. Assim surgiu a Casa Monte Líbano que foi reinaugurada no dia 15 de abril de 2012”, relata Hacib Panage, filho de Afif, que auxilia o pai a gerir o estabelecimento.   

Entre as delícias servidas no local, estão os tradicionais Quibe Cru e a Coalhada Seca. “O primeiro já faz parte da mesa dos brasileiros e praticamente hoje já tem suas receitas de como fazer e como temperar. O perfil dos nossos clientes é bem eclético.  Mas os brasileiros são a maior parte além dos descendentes árabes e de um numeroso público da colônia japonesa”, complementa Hacib.

Para ele, a cozinha árabe traz a tona a grande imigração que teve como o Brasil seu principal destino nas décadas de 30, 40, 50. “Até hoje podemos ver mundo afora a imigração em busca de novas oportunidades e a principal delas para quem vem em busca de uma nova vida é a culinária. Aqui em Dourados tivemos a grata satisfação de ter uma grande colônia árabe simbolizada até mesmo por uma Mesquita onde se pratica o Hamadâ anualmente e muçulmanos fazem suas orações”, destaca.  

Influências Gastronômicas

Levantamento realizado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, indica que existem em Dourados, 55 pizzarias, 29 hamburguerias, 19 bares noturnos e 18 cafeterias. Os restaurantes somam 110. A pasta não divide os estabelecimentos por tipo de cozinha étnica. 

"Em Dourados como em todo o Mato Grosso do sul, a nossa gastronomia está em processo de formação. Isto é resultado dos movimentos imigratórios. Neste processo, as colônias árabes, paraguaias e japonesas são responsáveis pela manutenção e difusão da cultura culinária", constata Gabriel Pimentel, consultor e professor de Gastronomia da Unigran.   

Pimentel diz que o público interessado em capacitações na área querem aperfeiçoar o preparo dos pratos clássicos e tradicionais. "As pessoas que frequentam os cursos buscam aumentar o repertório de receitas e ter uma experiência gastronômica nas aulas. A maioria reproduz os pratos em casa, sendo para a família ou para receber amigos", comenta.   

 

 

 

 

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