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Os conselhos de Cintia Moiana, a influencer digital da Terceira idade

Autora de dois livros, titular do blog "Finalmente 60", publicitária fala sobre vários assuntos ligados ao envelhecimento feliz

18 Jun 2022 - 11h45Por Rozembergue Marques, especial para O Progresso
Cintia começou a escrever para a internet há vários anos, falando sobre Marketing para pequenas empreendedoras - Crédito: DivulgaçãoCintia começou a escrever para a internet há vários anos, falando sobre Marketing para pequenas empreendedoras - Crédito: Divulgação

Cintia Moiana é Publicitária por formação, escritora por vocação e, na sua própria definição, “nômade por paixão”. Nascida no interior de São Paulo, viveu em Dourados durante a década de 70, até seguir o caminho de muitos dos jovens douradenses daquela época, indo estudar no Sul do País. Sua vocação para a escrita a fez publicar dois livros, sendo um de literatura infantil, visando promover a inclusão de crianças com Síndrome de Down e o outro uma coletânea de escritos sobre a maturidade, abrindo a reflexão sobre o empoderamento feminino na terceira idade. Este e outros Assuntos foram abordados na entrevista abaixo.

O Progresso: Como lhe veio a ideia de criar um blog para a terceira idade?
Cintia Moiana: Comecei a escrever para a internet há vários anos, falando sobre Marketing para pequenas empreendedoras, no Blog Empreendedorismo Rosa, da Lênia Luz, referência em empreendedorismo feminino no Brasil. Comecei a pensar na maturidade quando ia fazer 50 anos. Aos 48 me peguei pensando sobre como seria minha vida após a aposentadoria. Naquela época eu escrevi uma carta pra uma amiga da mesma idade, falando que os 50 eram os novos 30, para uma mulher, pois me sentia uma adulta plena, bem longe de me sentir uma idosa.  Então, a partir desta reflexão me senti compelida a escrever para” abrir os olhos” dessa nova geração de mulheres que precisavam conhecer e vivenciar o seu poder

Como  surgiu a ideia de escrever o livro sobre dowm? alguma experiencia pessoal?
Conheci a filha de um casal de amigos do Recife. A maneira com que ela se relaciona com as pessoas que a cercam me encantou. A forma como ela encontra soluções para tudo, sempre pensando nos irmãos e amigos, transbordando amor a cada olhar fez nascer a história “a princesa Maitê e o reino das sementinhas do amor”, título do livro, publicado em 2020 pela editora Giostri, de São Paulo. Minha intenção foi difundir o tanto que as crianças que nascem com Síndrome de Down são especiais de fato. São muito amorosas e inventivas. Elas sempre agem a favor do todo e isso precisava ser dito. Escolhi a literatura infantil para que o livro pudesse ser uma ferramenta a favor da inclusão. Quero que o livro seja adotado nas escolas para que as crianças tradicionais entendam que eles têm coleguinhas sensacionais, com olhinhos puxadinhos e mãozinhas quadradinhas.  

Como você avalia essa sua fase da vida?
A partir dos 40 anos a mulher muda seu foco de preocupação. À preocupação com a vida profissional e com os filhos, vem se juntar a eminência da maturidade e os questionamentos sobre o sentido de sua vida. É normal mulheres desta idade entrarem em depressão pois a sensação é de que a vida vivida não está sendo suficiente.  Ela sempre acha que poderia ter feito mais. Bate a síndrome da impostora. Começa-se a questionar a qualidade do relacionamento e de fato, inicia-se um período que não é nada fácil. Aos 50 a coisa só piora. Entrar na menopausa é um desafio até maior do que a puberdade. Neste ponto a mulher começa a questionar sua feminilidade e seu valor perante a família. A vida profissional também passa por um turbilhão, pois a juventude dos colegas grita aos seus olhos.
É preciso ser muito autoconfiante, pois a aproximação da aposentadoria é outro fator apavorante para a maioria. Quando cheguei aos 60, parece que tudo mudou. Aprendi que ligar o “PH*DA-SE” é transformador. Assumi meus cabelos brancos e me decepcionei porque ainda não estão tão brancos como eu desejo. O importante, em qualquer idade, é entender o que te deixa feliz e praticar. pratique felicidade. Este é o meu conselho. 

Quais os temas que você aborda no blog "Finalmente 60"?
Iniciei um Blog que se chamava “Embranquecer”. Nele eu falava sobre o ato de crescer enquanto os cabelos ficavam brancos. Ali eu compartilhava minhas percepções sobre o amadurecimento para empoderar as mulheres que estivessem entrando nesta fase da vida. Com os movimentos nas redes sociais aumentando, migrei meus textos para o Facebook e Instagram em um perfil que se chamava “Poderosas na Maturidade”. Em 2020, fiz uma coletânea dos textos mais lidos do blog e publiquei um livro na Amazon, sob o nome “Finalmente 60”. São histórias que vivi, inclusive algumas lembrando meus tempos de Dourados. Hoje escrevo e publico nas redes sociais, em meus perfis cintia.moiana, no facebook e Instagram. Além do Linkedin, onde também escrevo focado em mulheres em fase de pré-aposentadoria e todas as incertezas que esta fase profissional acarreta. Os textos falam sobre os desafios que esta fase da vida traz e como podemos encará-los com criatividade e positivismo. O foco é empoderamento feminino nas situações do dia a dia. Relação com filhos, marido, consigo mesma. Quero mostrar às mulheres com 60 anos e mais, que elas são muito importantes para a sociedade e podem fazer muita coisa ainda na vida.

O quê a ociosidade mental, a falta de ter algo que lhe interesse, pode causar à pessoa da terceira idade?
“Cabeça vazia é oficina do diabo”, já dizia minha sábia avó. A ociosidade mental pode levar ao desenvolvimento de quadro de depressão severa, que é uma das enfermidades que mais acometem os idosos.  Além disso, um idoso deprimido ficará sem vontade de se movimentar e de se alimentar corretamente, o que é crucial para a saúde física desta pessoa. Este quadro de fragilidade física causada pela depressão, pode levar um idoso à morte muito rapidamente. É importante que o idoso mantenha acesa a chama de um propósito na vida. Algo pelo qual ele se sinta motivado a acordar todos os dias e a lutar pela vida.

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