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Os 29 anos da viola “acrobática” de Paulo Cezar

Paulo Cezar aprendeu a arte da Viola sozinho, vendo violeiros tocando e pesquisando para se aperfeiçoar

04 Jul 2021 - 14h00Por Rozembergue Marques
A trajetória de Paulo Cezar é muito semelhante à maioria dos bons violeiros - Crédito: DivulgaçãoA trajetória de Paulo Cezar é muito semelhante à maioria dos bons violeiros - Crédito: Divulgação

Um violeiro habilidoso no sentido literal do termo. Quase um acrobata do instrumento que é unanimidade nacional. Essa é a melhor definição do músico Paulo Cesar, que chega aos 29 anos de carreira como uma referência da viola de 10 cordas em Dourados.

Embora com um estilo próprio e diferenciado tanto no manejo do instrumento (toca com a viola apoiada nas costas, toca na posição das harpas paraguaias e por adiante) como no tom de voz (a voz grave que é marca de grandes nomes da viola caipira) a trajetória de Paulo Cezar é muito semelhante à maioria dos bons violeiros. “Meu primeiro contato com a viola foi através do rádio, junto com meu pai, meu pai Aparecido Simão. Quando ele ligava nas madrugadas, na rádio Record de S.P tocava só modão, com Tião Carreiro e Pardinho, Zé Tapera e Teodoro, Liu e Leo e Tonico e Tinoco entre outros”, lembrou o músico em entrevista concedida a O Progresso no Musical Tião Carreiro. O nome ao espaço onde dá aulas de viola é uma homenagem ao criador do pagode, também conhecido como pagode caipira ou pagode sertanejo.

Autodidata, Paulo Cezar aprendeu a arte da Viola sozinho, vendo violeiros tocando, como João Mulato, Deley, Ronaldo Viola, e pesquisando para se aperfeiçoar. Além da Viola Caipira/ de raiz, toco chamamé, que é típico da região, e batidão e vanerão, ritmos que faz parte dos modões sertanejos.Junto com o violonista Vanderley, que com ele forma a dupla Paulo Cezar e Vanderley, já levou sua viola e a voz potente para estados como Rondônia, Mato Grosso, Paraná, Goiás e no nosso Mato Grosso do Sul, levando a verdadeira música sertaneja caipira em programas de TV como Brasil Caipia e outros voltados à música caipira/sertaneja.

“Nesses 29 anos de viola tenho participado de muitos eventos por esse Brasil afora, sendo que o mais importante foi no DVD do locutor de rodeio de renome Nacional Marcos Brasil, gravado na cidade de Valinhos no ano de 2012 e no qual participaram também estava artistas como Mato Grosso e Mathias, Di Paulo e Paulinho, Cesar Menotti e Fabiano e Barra da Saia entre outros”, relatou o violeiro, que ao longo desse tempo de estrada tem incorporado outros instrumentos em suas apresentações mas mantido a viola como a presença mais imponente nos palcos. “A inclusão de outros instrumentos é válida, desde de que não esconda a peça mais importante no estilo que é a viola caipira, ou seja, não pode esconder a viola”, avalia Paulo Cezar.

Sobre o cenário local no que tange aos violeiros Paulo Sergio acha que a cidade tem muitos violeiros bons e que não deixam a desejar em relação aos violeiros dos grandes centros. “O problema é a cultura local, que não apoia pratas da casa. Exemplo disso é minha dupla: quando descobriram que éramos da- qui ficamos sem valor como ar- tistas e queriam que a gente se apresentasse de graça”, criticou, apontando outra “esperteza” que emperra a carreira de muitos violeiros. “Apesar de não ser de origem brasileira, a viola caipira é considerada como artístico instrumento brasileiro e a grande mídia não divulga. Usa o nome da viola para promover eventos, mas no próprio evento a viola é excluída”, disse.

Além de intérprete Paulo Cezar é compositor e produtor e, com a experiência de quem lida com a viola todo dia, deixa um recado para os que estão começando: “Tem muitos que são bons mas estão confundindo qualidade técnica com velocidade, e assim poluindo e embolando as músicas”. Fica a dica. Paulo Cesar manja.

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