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Cultura

Museu histórico está “jogado às traças”

Espaço concentra mais de 4,5 mil itens, entre livros, trajes e fotos que compõem o acervo local

23 Nov 2020 - 15h21
Museu histórico está “jogado às traças” - Crédito: Divulgação Crédito: Divulgação

O adágio popular “jogado às traças” define bem a situação do Museu Histórico de Dourados. Com o adendo de que as traças- as verdadeiras e não as da figura de linguagem - podem fazer um “estrago” em parte do acervo de mais de 4. 500 itens que compõem o acervo do local. Em uma ampla sala improvisada no Terminal Renato Reles Soares (a Rodoviária), repousa a história do município, na forma de objetos, fotografias, livros, trajes e outros itens.

Criado pelo decreto municipal nº. 102, de 19 de dezembro de 1977, mesmo ano da criação da Secretaria Municipal de Educação e Cultura, o museu foi resultado da união de uma equipe preocupada com a valorização da história e das manifestações culturais da região. Sob a coordenação da secretária, a professora Lori Alice Gressler, integravam a equipe responsável pelo Departamento de Cultura Luiza Mello Vasconcelos, Nilceia Pacco e Edil Luiz da Silva.

Nas discussões sobre o que se poderia fazer, contando com poucos recursos e uma equipe bastante reduzida (o que eu não mudou muito até hoje) surgiu a ideia de se realizar entrevistas com alguns personagens da história de Dourados. Afinal, sendo uma cidade relativamente nova, ainda existiam testemunhas vivas de momentos importantes da história do município. Foram entrevistados pioneiros como Ranulfo Garcia Pires (1906), Raul Frost (1899), Antonio Alves da Rocha (Nhonhô) (1903), Antonio Capilé (1894), Pedro Palhano (1894), José de Matos Pereira (Juca de Matos) (1898).

Ainda com esse foco de preservação da memória, pensou-se na criação de um museu histórico da cidade. Para iniciar seu acervo, foi promovida uma gincana que envolveu toda a comunidade, como se pode observar nas primeiras doações inscritas no livro de registros do museu. Nesse processo, a população de Dourados teve papel fundamental, doando documentos e objetos de valor relevante para a história e preservação da memória do município.


Após um levantamento baseado no escasso material existente na época sobre a história da cidade, foram identificados objetos que seriam significativos para o futuro museu. Localizados esses objetos e com a concordância de seus proprietários, foram definidas as tarefas a serem realizadas pelas equipes participantes. Com ampla divulgação, principalmente pela Rádio Clube de Dourados e pelo jornal O PROGRESSO, vários grupos se inscreveram para a Gincana. As tarefas foram entregues com antecedência, e as primeiras doações foram feitas no início de dezembro de 1977. Lá está, por exemplo, as Atas  de fundação do Distrito de Paz de Dourados (1914) e do município(1935). E objetos outros a partir dos quais de observa a evolução, desde a antiga máquina de escrever aos potentes computadores de hoje,

De lá para cá, o museu foi fechado e reaberto, de acordo com as prioridades de cada administração. Seu acervo esteve guardado em caixas, depositadas até em ginásios de esportes, peças foram perdidas. Essa prática trouxe o receio de que o museu fosse desativado, como ocorreu recentemente, com a mudança para o prédio do Terminal Rodoviário Renato Lemes Soares.

Do grupo remanescente, um tem se destacado na luta pela preservação do Museu e sobretudo para que se construa uma sede própria,  adequada no que tange a ventilação, mobiliário e outros requisitos fundamentais para manter intacto o acervo: Ilson Venâncio, o “Boca”, que nos últimos 8 anos acompanhou as idas e vidas do Museu, na condição de servidor da Prefeitura.

‘Boca” deu vida ao Museu, organizando visitas monitoradas e explicativas de mais de dois mil alunos ao local, organizando minimamente o espaço (“Em certo momento faltou armários. Depois faltaram pastas. E, por último faltou o armário para colocar as pastas, as pastas para colocar no armário e o papel para catalogar as peças e colocar nas pastas”, diz, em relato que seria cômico se não fosse trágico)

Para “Boca”, esse é o desafio dos gestores e um clamor dos que veem os museus não apenas como um “depósito de coisas velhas” e sim como um espaço de estudo da evolução dos objetos e de contar, também através de objetos a história da cidade: construir um Museu Municipal no sentido efetivo do nome. Em tempo: o adágio popular “jogado às traças” se diz de “algo ou alguém que está abandonado, esquecido, desprezado, desvalorizado”.


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