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Cultura

“Meu trabalho é fazer arte do lixo”, define artista

Ed Alvarenga une sustentabilidade e criatividade em todas as suas criações

28 Set 2020 - 15h13Por Rozembergue Marques, especial para O PROGRESSO
“Meu trabalho é fazer arte do lixo”, define artista - Crédito: Divulgação Crédito: Divulgação

No dia a dia utilizamos e descartamos muitos materiais sem nem pensar em como eles poderiam ser reaproveitados. Apesar da cultura da coleta seletiva e reciclagem estarem cada vez mais presentes na sociedade, ainda é difícil enxergar um futuro diferente para o produto descartado. Se para uns o produto acaba ali, no lixo, para outros, o lixo é a solução. Não é preciso ser artista nem muito criativo, basta entender a relação entre arte e reciclagem, e imaginar novos produtos a partir dos materiais “velhos”.

Por ser um tipo de fonte de renda extremamente sustentável, ambiental e economicamente falando, esse tipo de arte com materiais reciclados atrai cada vez mais adeptos. De decoração natalina a exposições, com um pouco de criatividade, plásticos, pneus, garrafas, latas, papéis e jornais, podem ser transformados em vários produtos. A criação de bolsas, cestas, porta-lápis, carteiras, cadeiras, sofás, puffs, almofadas e até mesmo roupas, estão entre as mais comuns e mais “práticas”. No entanto, há quem ouse mais. Artistas plásticos aderem, cada vez mais, à criação sustentável. Com a reutilização de materiais para a produção de obras eles atraem os olhares de curiosos e a atenção das pessoas em geral. Muitas vezes, a mudança é tão grande que os produtos finais não se parecem nada com material reciclado.

O artista multimídia (transita entre as artes visuais, o artesanato, restaurações e poesia)  Ed Alvarenga é certamente um dos artistas douradenses que está entre os expoentes dessa nova tendência. Além de reciclar, Ed dá ao seu trabalho um contorno social. “Arte para mim é um dos mais importantes mecanismos de transformação social.  O papel do artista de forma geral é o de transformar o olhar do outro, pois a arte está em tudo. O artista molda a matéria, molda o som, molda a imagem, de maneira que atinge e mexe com a emoção do indivíduo”, afirmou o artista em entrevista ao O Progresso.  

“Eu particularmente concentro meu trabalho em fazer arte do lixo.  Recolho materiais descartados e os reaproveito. O objetivo é levar essa mensagem as pessoas sobre a importância  da reciclagem, e os cuidados com materiais que vai para o lixo.  Nosso planetinha pede socorro”, conclama o artista.  “Hoje se fala muito em reciclagem, e da sua importância para o planeta.  É necessário mudarmos o conceito que temos de lixo, deixando de enxergá-lo como uma coisa suja e inútil. O primeiro passo é perceber que o lixo é fonte de riqueza e que para ser reciclado deve ser separado. Sabemos que para o meio ambiente é muito importante conscientizar as pessoas que devemos reciclar, pois o lixo que produzimos está destruindo o nosso mundo”, prossegue Ed, lembrando que o lixo é reutilizado por muitas pessoas no campo da arte. “Criar objetos com material reciclado, além de cuidar do planeta está ajudando a diminuir a poluição gerada por papéis, plásticos, vidros, e outros materiais. É preciso usar a criatividade e imaginação para dar novas forma a diversos materiais. Com produtos que podem ser reciclados, como; plásticos, garrafas pet, latinhas de refrigerante, tampinhas, papéis, jornais e revistas velhos, dentre outras, podem sofrer uma bela metamorfose”, citando como exemplo bijuterias, caixas de presente, croché de sacolas plásticas, cadeira com garrafas pet, cestaria com jornal, objetos de decoração, bolsas, acessórios, roupas, brinquedos, quadros, enfeites, bandejas e outros objetos para uso ou enfeite/decoração. “Tudo isso com a vantagem de ajudar a reciclar uma porção de objetos que demorariam anos para se decompor e ainda preservar a natureza”.

“O lixo também veio pra mim como metáfora, como uma coisa filosófica. A arte, que é uma coisa tão bonita, e o lixo que é uma coisa feia, que ninguém quer ver. Assumi como missão responder à intrigante pergunta: Como é que essas coisas se casam?”, resumiu o artista sobre o trabalho que desenvolve e que tem recebido muitos elogios onde é mostrado ou colocado como parte do ambiente. O artista assinou, por exemplo, o projeto e execução do processo de adequação e transformação do Espaço Sucata Cultural, desde a parte de construção civil (Madeira, alvenaria e iluminação), assinando também o mobiliário e obras de arte, e também a decoração do espaço  Eden Beer,  bar temático que tem sido point de artistas e intelectuais por oferecer exposições, música e outras formas de arte a seus frequentadores.

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