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Carlos Marinho destaca a importância do “pessoal atrás do palco” para a carreira do artista

Compositor de “Meu Mato Grosso do Sul” diz que “Cadeia produtiva” de um evento é fundamental, valoriza mão de obra local e destaca qualificação oferecida

05 Jun 2022 - 09h00
Carlos Marinho: “Dourados tem muito bons profissionais e já não precisa “importar” mão-de-obra” - Crédito: DivulgaçãoCarlos Marinho: “Dourados tem muito bons profissionais e já não precisa “importar” mão-de-obra” - Crédito: Divulgação

Nascido no Rio de Janeiro, o músico (toca e compõe) e jornalista Carlos Marinho já pode ser considerado sul-mato-grossense de coração. Aliás, é dele e do cantor Carlos Fábio a canção “Meu Mato Grosso do Sul”, que virou hit inclusive fora do estado por retratar à exatidão as belezas do estado. Há pouco passou a integrar a Academia Douradense de Letras (ADL). Como o leitor observará, Marinho tem uma vivencia muito ativa no meio cultural, iniciada já na época de escola, quando fazia parte do coral no Colégio André Maurois (Rio de Janeiro) e na sequencia participando constantemente dos festivais estudantis, em diversas escolas, destacando principalmente os que aconteciam no Colégio Pedro II, onde vários músicos que tiveram e têm carreira de sucesso participavam. 

Após um período em que tocou com músicos da estirpe de Celso Blues Boy e Victor Biglione, hoje considerado um dos melhores guitarristas do mundo e participou de eventos com outros músicos também de renome, Marinho optou por afastar-se do meio.

Veio para Mato Grosso do Sul e depois de dez anos em Campo Grande mudou-se para Dourados. Ao compor alguns jingles, conheceu aquele que se tornaria um de seus principais parceiros: o cantor Carlos Fábio, que na época tinha um estúdio. “Começamos a compor alguma coisa juntos, o que gerou uma grande amizade. Disso então surgiram dezenas de parcerias, quer seja jingles (comerciais e políticos), quer sejam músicas (mais de 50, pelo menos), sendo que “Meu Mato Grosso do Sul” ficou e é reconhecida, até hoje, como um segundo hino do MS”, relata o compositor.

De 2013 a 2016 esteve diretor de cultura de Dourados, período em que participou de praticamente todas as produções culturais que passavam pela Secretaria de Cultura do município. Também nesse período publicou um livro de poesias (Cá entre Nós) e participou de diversos espetáculos. Nesses eventos Carlos Marinho reforçou uma convicção: a importância da chamada “cadeia produtiva” de pessoas fundamentais para o sucesso de um evento:  os produtores culturais, do figurinista ao pessoal da luz, som e outros aparatos necessários a depender do evento e da manifestação artística a que se destina: uma peça de teatro, um show musical, um espetáculo de dança...

“Como em tudo na vida, todos são importantes para que um trabalho atinja seus objetivos e tenha sucesso. Cada um dos que atuam na produção de um show ou espetáculo, independente de ser o produtor ou diretor, figurinista ou iluminador, técnico de som, roadie ou montador, é fundamental para que a produção em si saia dentro do que se projetou e que se espera como resultado”, avalia Marinho, para o qual a “humildade e união são o elo entre todos na busca do melhor”.

Ele lembra que na pandemia, com as leis restritivas de abertura de estabelecimentos e de circulação de pessoas, o setor cultural foi bastante atingido. Os que ficam atrás do palco mais ainda. “A pandemia realmente atrapalhou a vida de muita gente, em todos os setores. No artístico talvez tenha acontecido a mas dura das restrições. Os grandes artistas, de renome nacional, tiveram enormes prejuízos, pois a proibição de shows e outras apresentações tiraram-lhes a maior fonte de arrecadação. Ainda assim, a maioria teve como se sustentar com o que já havia ganho”, ponderou. “O grande problema ficou na retaguarda. Todo o pessoal de “mão de obra”, que são aqueles que trabalham na preparação e montagem dos shows, como montadores, iluminadores, técnicos de som, roadies e pessoal de apoio (portarias, estacionamentos, seguranças, vendedores ambulantes e de barraquinhas) tiveram seus ganhos reduzidos a zero e passaram sérias necessidades; muitos chegaram às raias do desespero”, observou, destacando casos de amigos que passaram a vender o que podiam nas ruas (quando podiam ou deixavam), trabalhar com transporte, serviços pesados, construção civil, entre outros. “Felizmente, de forma gradativa, as atividades artísticas vêm sendo retomadas e também aos poucos, alguns vêm retornando ao seu antigo “ganha-pão” e com a volta das apresentações, tendo também o retorno de sua dignidade e prazer da profissão”, comemorou, acrescentando algo que, segundo ele, talvez muita gente não saiba: “As pessoas, de forma silenciosa, buscam se qualificar e isso explica a qualidade das produções artísticas na música, teatro e outras manifestações de arte. Dourados tem muito bons profissionais, não precisando “importar” mão-de-obra”, opinou.

Para essa qualificação, Carlos Marinho ressaltou que além da UFGD, que tem o curso superior de Artes Cênicas, vez por outra são oferecidos cursos técnicos para aprimoramento em diversos segmentos. “Certo que ainda são poucos, mas isso deve aumentar, a partir do quanto os que são oferecidos são procurados. Importante destacar que alguns desses treinamentos e/ou cursos são oferecidos por profissionais daqui mesmo”, completou o músico, referindo-se às muitas escolas de arte existentes na cidade.

No caso da chegada da internet, na opinião de Marinho não apenas na arte, mas em todos os segmentos da vida, essa novidade irreversível vem sendo muito importante e influente. “Antes, se fossemos usar uma música de outro compositor, ou montar uma peça ou apresentação teatral, a dificuldade para conseguir a letra da música ou trecho do texto demandava um esforço sobre-humano para concluir”, exemplificou. 

“Hoje, todos nós podemos, e entre nós estão os produtores, em poucos minutos, através da internet, encontram raridades da criação.  Enfim, a internet facilitou a vida e o trabalho de todos, assim como a comunicação. Às vezes chegamos através dela ao autor da obra”, avaliou, finalizando a entrevista a O Progresso com uma “cobrança” que é recorrente no meio artístico. “Acho que o pensamento e unânime no meio artístico. Faltam mais espaços de qualidade para a arte a ser apresentada e principalmente apoio, quer seja do poder público ou privado. É preciso que se acredite mais nos nossos artistas. Tenho convicção que com apoio e espaços para apresentações, todos sairão ganhando e nosso público muito mais feliz”, conclamou o músico, jornalista e agora membro da ADL.

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