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Capital constrói identidade cultural pelas influências das fronteiras e imigrações

11 Set 2020 - 17h16
Capital constrói identidade cultural pelas influências das fronteiras e imigrações - Crédito: Divulgação Crédito: Divulgação

“Cultura não é apenas produto, mas também processo”, destaca a professora, doutora em Teoria da Literatura, escritora e crítica de artes plásticas, Maria Adélia Menegazzo. Neste contexto, de acordo com a especialista no assunto, é preciso pensar de que maneira os artistas campo-grandenses são também responsáveis por uma visualidade local -urbana e de que maneira esses artistas preservam a autonomia estética da experiência individual e buscam um envolvimento com as formas da tradição local, modificando-as.

Segundo ela, nas artes plásticas, por exemplo, as obras/monumentos, vão definindo visualidades, na afirmação de símbolos importantes para constituição de uma cultura local.  Ela destaca como obras de arte pública, o Monumento às Araras de Cleir Ávila; o Monumento aos Pioneiros, de Neide Ono e Marisa Tibana em frente ao Horto florestal; a Cabeça do Boi, de Humberto Espíndola, na Praça Cuiabá; o Guerreiro Guaicuru, de Anor Pereira Mendes, no Parque das Nações Indígenas; o Monumento ao Sobá, de Cleir Ávila, na Feira Central, os Ipês, de Isaac de Oliveira, no SESC Cultura, entre muitos outros espalhados pela cidade.  

A professora destaca também o gesto artístico individual que, segundo ela, tem um papel modificador na estrutura da cultura. “Sempre observando que o acesso a esse gesto depende de uma escolha pessoal do observador”, explica. Entre os tantos artistas que representam a capital, Menegazzo cita Humberto Espíndola, Jonir Figueiredo, Lúcia Barbosa Coelho, Priscila Pessoa, Ana Ruas, Patrícia Helney, Cecílio Vera, Sidney Nofal, entre outros.

Cena poética invade a capital

Jornalista, poeta e “agitador” cultural, Victor Barone acredita que Campo Grande tem, sim, uma identidade cultural estabelecida e que, segundo ele, é um caldeirão que ferveu com ingredientes da tradição paraguaia, sulista, do centro oeste, mineira, japonesa, libanesa etc., e criou um caldo que, hoje, tem sabor próprio. E como Brasil é uma grande cozinha cultural, Barone diz que a cidade necessita de um ou outro tempero para firmar-se como receita original.

Para acelerar a mistura, Barone apostou na poesia como matéria prima e elemento catalisador deste caldo cultural. Junto com o poeta Fábio Gondim, criou ainda no mês de maio, o projeto Poema na Quarentena que leva a poesia para as redes sociais com o objetivo de amenizar o isolamento social e promover a cultura.

Mudanças nos últimos 30 anos

Para o professor de História e jornalista especialista em cultura, Oscar Rocha, a cidade de Campo Grande recebe as mesmas influências culturais que o Estado de Mato Grosso do Sul. Mas de alguns anos para cá, muita gente vem colocando elementos específicos da cidade nas artes em geral. Em sua percepção a cidade ainda é muito nova para se estabelecer uma identidade cultural, explica Rocha.

No campo musical, segundo ele, Paulinho Simões, Geraldo Roca, Geraldo e Celito Espíndola (para citar apenas que ficaram em Campo Grande) continuam sendo referências para as gerações pós anos 1980. As referências, claro, não poderiam ser melhores.

O jornalista também destaca os artistas que continuam usando estas referências locais em seus trabalhos, como Jerry Espíndola, Rodrigo Teixeira, Camilo, Gabriel Sater e Luan Santana. E tem mais, muito mais. “Tem uma cena rap, beirando a 30 anos, com temática totalmente voltada para Campo Grande, bem interessante, uma galera do Pop que surgiu nos últimos 10 anos”, conta. Na cena contemporânea, destaque para Marina Peralta que aparece como uma das vozes mais fortes desta geração.

Batalha de rimas 

A poesia falada e apresentada para grandes plateias não é um fato novo. A grande diferença é que hoje a poesia falada se apresenta para o povo e não para uma elite — estamos falando da poesia slam. O movimento Slam, que na essência faz um retrato da sociedade através de disputas poéticas é um elemento recente que apareceu na cena campo-grandense. Criado em 2017 na Capital o grupo Slam Campão começou se reunindo toda a semana na Praça Aquidauana para fazer as apresentações. De lá para cá o sucesso só cresceu. Entre apresentações em terminais de ônibus, feiras literárias, o Campão se destaca principalmente através de um trabalho forte entre os jovens, poetas e não poetas, que usam a poesia para se expressar. O Slam é um movimento cultural que cumpre o papel de dar voz à periferia e aos artistas. Durante a quarentena, por exemplo, o Campão vem fazendo lives com declamação de poesias nas redes sociais para, segundo eles “ manter o foco na missão” e promover a arte e os artistas da cidade.

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