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Cultura

As questões étnico-raciais e o silenciamento em espaços escolares

Ao discutir sobre as temáticas étnico-raciais a escola contribui para construção de uma sociedade mais justa e igualitária

21 Nov 2021 - 11h35Por Nubea Rodrigues Xavier, especial para O Progresso
Pesquisa indica que o cuidado com os corpos e cabelos das crianças negras, ainda perpassa situações de desconhecimento e incompreensão sobre suas peculiaridades - Crédito: Banco de ImagensPesquisa indica que o cuidado com os corpos e cabelos das crianças negras, ainda perpassa situações de desconhecimento e incompreensão sobre suas peculiaridades - Crédito: Banco de Imagens

Em novembro, a maioria das escolas brasileiras fomentam conscientização sobre cultura, resistência e ancestralidade negra, abordando o racismo estrutural como consequência de desigualdade social. 

Por racismo estrutural compreendemos toda forma de reprodução, seja de discurso ou um conjunto de práticas, costumes ou situações que incitem direta ou indiretamente o preconceito racial, através de piadas que expõem os negros a situações vexatórias ou criminosas, quando se vincula uma índole negativa pela pessoa ter cor de pele escura, apelidos pejorativos ou predileção em postos de trabalho por pessoas que não tenham fenótipo negro. Além dessas posturas incoerentes, há ainda a utilização de eufemismos para se dirigir a negros ou pretos, por meio das palavras “moreno”, “mulata” e “pessoa de cor”. Sobre essa questão, o pesquisador Silvio Almeida ressalta que o racismo estrutural é um processo que está na organização da sociedade, de maneira a reproduzir subalternidade a determinados grupos identificados racialmente. 

 Nubea Rodrigues Xavier, doutora em Educação pela UFGD

Geralmente há um certo desconforto para se utilizar as palavras “negro” ou “preto”, buscando suavizar as denominações étnicas, aumentando assim, a ausência de reconhecimento e empoderamento dos corpos pretos. Já que a utilização desses deveriam ser vistos como motivo de orgulho. 

Todavia nem sempre as crianças ou adolescentes negras conseguem visibilidade e respeito. Um estudo realizado no ano de 2017, com crianças com faixa etária entre 3 e 5 anos numa instituição infantil de Dourados/MS, indicou que o cuidado com os corpos e cabelos das crianças negras, ainda perpassa situações de desconhecimento e incompreensão sobre suas peculiaridades, formatos e maneiras de cuidar. Nos relatos de práticas das professoras, indicaram que geralmente as crianças pretas iam à instituição com os cabelos presos e quando questionados às mães, explicavam que não as levavam com os cabelos soltos, para evitar que suas filhas ou filhos sofressem preconceito de outras crianças.  

Já em faixa etária superior, a pesquisadora Nilma Lino Gomes realizou análise com crianças do ensino fundamental, comprovando a existência do preconceito e da discriminação racial por meio de autorrejeição, baixa autoestima; timidez, ausência de participação em sala de aula; falta de pertencimento racial; além de recusa em ir à escola e, consequentemente, evasão escolar.

Por isso, a necessidade de se discutir as questões étnico-raciais nos espaços escolares, principalmente apresentando as representatividades de sucesso de pretos e negros. Ao aproximar crianças e adolescentes aos contextos diversos dos seus, especialmente que envolvem as temáticas étnico-raciais, podemos processualmente, desconstruir as identidades essencializadas, além de colocar em prática a sua participação na vida cultural e social. As crianças estão imersas numa enorme teia de interdependências, as quais também podem dar origem a alguns problemas, principalmente relacionados a visões estereotipadas e preconceituosas. Desse modo, é preciso que a educação oferecida pelas instituições esteja focada nas relações sociais, de modo que as crianças aprendam a ser e estar no mundo, num mundo diverso, onde se faz necessária a convivência e o respeito às diferenças.

Ao discutir sobre as temáticas étnico-raciais, principalmente ao lugar que as pessoas negras ocupam, ou deixam de ocupar na sociedade, a escola contribui para construção de uma sociedade mais justa e igualitária. 

Entretanto, sabemos que a atuação dos professores só surtirá efeito, caso haja, concomitantemente ações e projetos políticos que visem mudanças estruturais na sociedade, para uma costura coletiva de uma colcha de retalhos sobre a nossa diversidade racial brasileira, necessitamos desfazer nós sobre a temática étnico-racial e obter novas linhas para as identidades e representatividades sociais negras.

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