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Artistas indígenas emplacam pavilhão em bienal internacional de arte digital

Estudante da USP integra equipe de curadoria do pavilhão Kamîm Tuhut, um espaço 100% virtual de arte contemporânea

20 Fev 2024 - 08h00Por Silvana Salles/Jornal da USP
Are you for real, Kamîm Tuhut e A Number From The Ghost são algumas das obras que compõem o espaço digital criado pelos artistas indígenas - Crédito: Fotomontagem: Jornal da USP  The Wrong Bienalle e PixabayAre you for real, Kamîm Tuhut e A Number From The Ghost são algumas das obras que compõem o espaço digital criado pelos artistas indígenas - Crédito: Fotomontagem: Jornal da USP The Wrong Bienalle e Pixabay

Um grupo de artistas indígenas contemporâneos criou um espaço on-line que integra a sexta edição da The Wrong Biennale (“a bienal equivocada”). Voltada à arte digital, essa bienal tem caráter independente, multicultural, descentralizado e colaborativo. Acontece a cada dois anos com pavilhões virtuais on-line, mobilizando milhares de artistas e curadores de arte em todo o mundo, o que faz do evento a maior bienal de arte do mundo. Nesta edição, um dos pavilhões virtuais é Kamîm Tuhut, que reúne trabalhos de artistas indígenas e não indígenas que utilizam diferentes linguagens – ilustração, fotografia, música, vídeo, poesia.

Na língua patxohã-maxacali, Kamîm significa “ponte” e Tuhut significa “rede”. “O nome do pavilhão é uma referência ao mundo virtual, a internet, a rede, mas também ao mundo e coexistência de mundos, por isso a ponte, criar pontes e redes dentro da grande teia que é a própria vida”, explica Tassia Mila, curadora do pavilhão. Nascida na Bahia, Tassia é indígena Pataxó-Kiriri-Tupinambá e estudante do curso de graduação em Artes Visuais da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. Ela já havia participado como artista da edição anterior da The Wrong Biennale. Nesta edição, inscreveu-se pela primeira vez como curadora, com uma proposta de pavilhão.

Tassia trabalha com som e vídeo e pesquisa cinema experimental, compondo “livros sonoros e visuais, contos sônicos, imaginações” conectados com sua ancestralidade indígena. Ao seu lado, completam a equipe de curadoria do pavilhão Kamîm Tuhut as artistas Amanara, Hortência Sant’Ana e Yaku Runa Simi. O pavilhão combina salas que reúnem trabalhos artísticos do próprio time curatorial e outras que trazem trabalhos de convidados.

O passeio começa pela Sala 0, apertando o play de uma peça audiovisual que evoca uma caminhada pela floresta. De autoria de Tassia Mila, o vídeo combina composição musical com imagens visuais estilizadas. “As salas adentram o que se chamou de O Caminho da floresta – Trioká Mîmmâtix, que é sinalizado na primeira página”, conta Tassia. “Trioká é uma palavra em patxohã-maxacali que significa caminhar, caminho… Mîmmâtix é a palavra para floresta”, acrescenta.

Clicando nas setas ao final de cada página, o passeio segue as “pegadas dos bichos”, até chegar à seção Encruzilhadas, que publica fragmentos, vinhetas, músicas e poemas de artistas convidados, e à mostra virtual da Sala Aberta, que conta com a presença de 14 artistas de diferentes partes do mundo.

Tassia Mila destaca a relevância da The Wrong Biennale para o universo da arte contemporânea. “É a bienal de arte digital, e traz os debates inseridos no contexto de pensar a internet, obras de arte digitais, metaverso, IA, etc. É uma bienal fundamental na contemporaneidade e na arte contemporânea”, afirma a artista e curadora.

O evento virtual The Wrong Biennale vai até 1º de março. A partir da home da exposição é possível acessar os links dos pavilhões. Os conteúdos em vídeo dos pavilhões também são exibidos no canal oficial da bienal, The Wrong TV. Esta edição da bienal descentralizada de arte digital também contou com um evento presencial em San José, na Costa Rica, onde uma galeria de arte expôs presencialmente trabalhos gerados por uma inteligência artificial que aprendeu o estilo de diferentes artistas.

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