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Maus-tratos

Protetores de animais denunciam maus-tratos contra cães em Dourados

São as mais diversas práticas de maldades contra os animais, inclusive o estupro. Apenas o Grupo de Proteção aos Animais “Abana Rabo”, recebe em torno de seis denúncias por dia

19 Fev 2020 - 08h33Por Marli Lange
A voluntária Gisele Pizzini faz parte do Grupo de Proteção Abana Rabo, que mantém uma casa de apoio a cães desamparados em Dourados - Crédito: Marli LangeA voluntária Gisele Pizzini faz parte do Grupo de Proteção Abana Rabo, que mantém uma casa de apoio a cães desamparados em Dourados - Crédito: Marli Lange

O estupro contra cães e demais violência são práticas que têm preocupado protetores de animais que atuam em Dourados. Não se tem uma estatística, mas hoje a violência contra os animais  é uma prática bastante comum denunciada diariamente na cidade. Conforme a última estimativa do Senso feito pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), Dourados possui  55 mil cães e 12 mil gatos, destes, em média, 1 a 2% sofrem abandono ou maus-tratos. Os dados são do CCZ (Centro de Controle de Zoonozes).

Entre os casos estarrecedores está o estupro. Isso mesmo, violência sexual contra cães, conforme relata Gisele Pizzini Velloso, que faz parte de um grupo de protetores de animais chamado “Abana Rabo”, que atua em Dourados há cerca de um ano. Ela conta que já foi pessoalmente resgatar centenas de animais, que estavam sendo maus-tratados e submetidos a todos tipos de atos cruéis, como a fome e sede, mantidos em locais insalubres, expostos à chuva e sol, acorrentados, espancados, esfaqueados e até abusados sexualmente. “Não há limite quando se trata de maus-tratos a cães, apenas nós do grupo, recebemos em torno de seis denúncias por dia”, conta.

Ela lembra que um dos casos mais chocantes aconteceu em 2018 quando foi restagar no Jardim Água Boa quatro cães que eram submetidos a violência sexual pelo tutor. “O homem sádico já abusava da filha deficiente e ainda descobriu-se depois e, confirmado pelo veterinário, que ele abusava dos cães também”, lembra.

Recentemente ela conseguiu resgatar cerca de 25 cães de posse de uma idosa e de um homem, ambos visinhos, nas sitiócas, saída para Caarapó. Os cães estavam acorrentados, passando fome e sede em local totalmente insalubre. O veterinário de um dos cães resgatados deu indicação que o animal era estuprado. Todos os casos foram parar na delegacia, mas segundo Gisele, muito pouco se pode fazer, porque infelizmente as leis não são cumpridas adequadamente. Exite uma Lei Federal, mas seria necessário uma Lei Municipal para punir com maior rigor os agressores de animais.


Gisele Pizzini faz parte de um grupo de protetores de animais chamado “Abana Rabo”, que atua em Dourados há cerca de um ano/ Foto: Marli Lange

 

Tirando das ruas

A mesma opinião é de Thais Kaneiski, que é vice-presidente da ONG Refúgio dos Bichos, que atua em Dourados há seis anos. Ela conta que em torno de 100 a 150 animais, entre cães e gatos são resgatados por ano das ruas. “Encontramos principalmente cães, submetidos a todo tipo de maus-tratos, sem alimentação adequada, casos de agressão e espancamento. Animais soltos nas ruas, sujeitos à qualquer tipo de risco, como atropelamentos, agressões, envenenamento e doentes. Além de abandono de animais, se encontra muito ninhadas de filhotes de cães e gatos, que é uma pratica comum”, relata.

Violência sexual

Ela conta que já se deparou com casos mais violentos como de estupros contra cães, cujos animais foram resgatados e avaliados por veterinários que atestaram o ocorrido. Além de cães, outros animais são vítimas. Ano passado foi veiculado na mídia um caso de estupro de uma égua em Dourados. “A alguns veículos de comunicação local fizeram piada com o ocorrido, colocando na matéria a música Egüinha Pocotó. Fato lamentável e inaceitável”, comentou Thais.

Espaço físico

Thais lembra que hoje o maior problema é a falta de um espaço físico para abrigar os animais recolhidos. Contam apenas com lares temporários, ou seja, a casa de pessoas que oferecem abrigo aos animais resgatados enquanto estes passam pelo processo de recuperação, castração e até que possam ser inseridos novamente em lares definitivos.

Um desses espaços foi montado pelo Grupo Abana Rabo, localizado na Rua Cuiabá, esquina João Cândido Câmara. De acordo com Gisele Pizzini,  são oito voluntários, integrantes do grupo, que mantém o lar provisório, custeando alimentação, remédios, veterinário e pagando uma pessoa para auxiliar nos cuidados com os cães. Alguns cães chegaram em situação deplorável, foram tratados e se recuperaram. Vários foram adotados, outros ainda se encontram no lar. Atualmente a casa serve de moradia para cerca de dez cães. Existem animais para adoação, mas a maioria não está apta, por ter algum problema de saúde ou por ser idoso e neste caso, dificilmente alguém quer adotar.


Há poucos dias este cão foi esfaqueado pelo tutor e deixado para morrer, mas foi recolhido pelo CCZ e tratado, depois colocado para adoção. (Foto: facebook/ Refúgio dos Bichos)

Certeza da impunidade

De acordo os protetores de animais, faltam políticas públicas e leis adequadas que punam os responsáveis por maus-tratos. De acordo com Thaís, apesar dos grupos de protetores trabalharem em prol da conscientização sobre “posse responsável” e realizarem campanhas para facilitar a castração e reduzir o abandono, o número de casos não tem diminuido. “A certeza da impunidade ainda dificulta muito nosso trabalho”, destaca.

Ela explica que os animais resgatados das ruas ou retirados de seus tutores por maus tratos são encaminhados para atendimento veterinário, passam por exames e recebem tratamento adequado. Após recuperação são vacinados, castrados e disponibilizados para adoção. O processo de adoção é acompanhado por um tempo para certificar se o animal encontra-se bem cuidado. “Além dos animais resgatados, na medida do possível prestamos assistência para protetores independentes, que abrigam muitas vezes um número enorme de animais. Auxiliamos pessoas carentes oferecendo castrações a baixo custo e orientando sobre os cuidados necessários com seus animais”, explica.

Thais Kaneiski, vice-presidente da ONG Refúgio dos Bichos, em Dourados, informou que a entidade resgata entre 100 a 150 animais por ano, entre cães e gatos. (Foto divulgação)

 

Ela acrescenta que a ONG Refúgio dos Bichos não recebe nenhum tipo de auxílio público, apesar de já solicitado inúmeras vezes. Thais diz que a entidade conta apenas com as mensalidades pagas por associados, doações voluntárias de pessoas físicas e recursos provenientes de ações que são promovidas pela entidade, como leilões virtuais, bingos, bazares e parcerias com estabelecimentos comerciais. Qualquer cidadão pode ser um associado e contribuir com a ONG, e essa ajuda é revertida a ele em descontos em estabelecimentos comerciais com os quais possuimos convênio.

 

A ONG e o Grupo Abana Rabo aceitam doações de ração ou outro tipo de contribuição da sociedade. Informações na  ONG Refúgio dos Bichos e só na página de Facebook: “Refúgio dos Bichos”, onde a pessoa pode enviar mensagens. Já o Grupo Abana Rabo pelo telefone (67) 99972-1778.

Como denúnciar

Os animais existem em nosso universo jurídico desde 1934, quando Getúlio Vargas promulgou o Decreto Lei 24.645/34. Mas a principal, é a Lei Federal 9.605/98, que prevê que abandonar animais é crime ambiental.

No artifo 2º da Lei prevê que ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos a pena é de 3 meses a 1 ano de prisão e multa, aumentada de 1/6 a 1/3 se ocorrer a morte do animal.

A Constituição Federal de 1.988 diz em seu artigo 225, que o poder público federal, estadual e municipal tem o dever de promover politicas de proteção aos animais. Proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies e submetam os animais a crueldade.

Para os órgão protetores dos animais, existem Leis, mas o que falta é serem cumpridas verdadeiramente. “O seu silêncio é tudo que um criminoso precisa para continuar maltratando animais”.

Denúncias em Dourados: Promotoria de Meio Ambiente (67) 3902-2864 (atendimento das 8h às 11h e das 13h às 18h) e CCZ (Centro de Controle de Zoonozes) 3411-7753 (A partir das 13h)  

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