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DESASTRE AMBIENTAL

7 meses após desastre, pescadores ainda não podem trabalhar no Rio Doce

05 Jun 2016 - 13h09
Peixes morreram com lama presente no Rio Doce - Crédito: Foto: Carlos Dório Costa/DivulgaçãoPeixes morreram com lama presente no Rio Doce - Crédito: Foto: Carlos Dório Costa/Divulgação
A data que marca os sete meses do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais, é a mesma em que se celebra o Dia Mundial do Meio Ambiente: 5 de junho, este domingo. Para ambientalistas, a coincidência serve de alerta: a natureza tem pagado caro pelos crimes humanos.

No dia 5 de novembro de 2015, no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, uma barragem da Samarco, cujos donos são a Vale e a BHP Billiton, se rompeu. Uma lama de rejeitos de minério vazou, arrasou vilas, matou pessoas e chegou até o Rio Doce, que percorre cidades mineiras e também capixabas. No Espírito Santo, as cidades afetadas foram Baixo Guandu, Colatina e Linhares, onde fica a foz do rio.

Após sete meses do desastre, a água do Rio Doce ainda tem coloração marrom, a pesca na Foz continua proibida, pescadores continuam sem sua principal fonte de renda e algumas perguntas seguem sem resposta.

Enquanto o gerente de Engenharia de Meio Ambiente da Samarco, Paulo Cezar Siqueira, aponta uma "melhora bastante significativa da qualidade da água do Rio Doce", ambientalistas que acompanham o caso de perto garantem que não há o que se comemorar.

‘Melhora visível’, diz Samarco

Segundo informações do G1, o gerente de Engenharia de Meio Ambiente da Samarco, Paulo Cezar Siqueira, destaca que as ações implementadas pela empresa desde o primeiro momento vem impedindo que mais sedimentos oriundos da barragem alcancem o rio, mas reconhece que ainda há muito a ser feito.

"A gente têm uma expectativa de que ao longo dos próximos três anos se concluam as ações de recuperação para contenção do rejeito. E no que diz respeito às ações de recuperação de cobertura florestal, há ações previstas ao longo dos próximos 10 anos. Sendo que já esse ano deve inciar a recuperação e o plantio de 500 nascentes", disse.

Para ele, as melhorias conquistadas através das ações implementadas já são visíveis. "A mudança já estava acontecendo. Visualmente, já existe uma diferença bastante significativa da qualidade do Rio Doce e também os próprios resultados de monitoramento. É obvio que ainda tem ações a serem implementadas, que vão permitir ocorrerem melhorias adicionais, mas a gente observa que isso já está acontecendo", disse.

‘Tragédia ainda está acontecendo’

Mas, para o fotógrafo e diretor do Instituto Últimos Refúgios, Leonardo Merçon, o desastre ambiental em Mariana não acabou. E o pior: pode deixar rastros por muitos e muitos anos pela frente.

"Ainda está descendo resíduo para o rio, os laudos saem cada vez piores, os peixes estão contaminados, as pessoas ainda estão desamparadas, há muita desinformação. Minha grande preocupação é que essa tragédia traga consequências que a gente nem está esperando", disse.

O pesquisador de ecologia e recursos naturais da Ufes, Luiz Fernando Schettino, cobra respostas mais claras sobre os impactos do desastre. "Eu ainda não vi um diagnóstico real de quanto tem de lama no mar. Nós recebemos um impacto, mas não sabemos se esse impacto é de 20%, 40% ou 70%", ressaltou.

Merçon acrescenta que, assim como nos outros anos, este Dia do Meio Ambiente não deve ser uma data voltada à comemoração, e sim à conscientização.

"Não há o que comemorar. A nossa sociedade está indo para um caminho sem volta, um caminho suicida. A gente está vendo os resultados do desenvolvimento insustentável. Não culpo só a empresa, porque ela atende às demandas da sociedade", lamentou.

Schettino concorda. "O que eu sinto é que nós, seres humanos, precisamos entender que somos parte da natureza. A cada dia aumentamos o nosso próprio risco. Estamos discutindo sobre a pressão de um acidente enorme, que, na minha opinião, poderia ser totalmente evitado. Isso é um exemplo do que não podemos continuar a fazer", concluiu.

Pesca proibida

Do ponto de vista dos pescadores, a cada mês aumenta a angústia. A pesca está proibida na região da Foz do Rio Doce desde o dia 19 de fevereiro. Em abril, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a comercialização e armazenamento de pescado nessa região.

Sem poder tirar os sustento do rio ou do mar, eles lamentam ter que depender do auxílio pago pela Samarco.
"O rio está seco. A lama passou, saiu análise falando que os peixes estão contaminados, estamos sem poder pescar, o barco está parado no porto. A gente vai viver desse cartãozinho dado por ele pro resto da vida?", questionou o presidente da Associação de Pescadores de Linhares, Leoni Carlos.

Rompimento

O rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Samarco, cujos donos são a Vale a anglo-australiana BHP, causou uma enxurrada de lama que inundou várias casas no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais, na tarde do dia 5 de novembro.

Inicialmente, a mineradora havia afirmado que duas barragens haviam se rompido, de Fundão e Santarém. No dia 16 de novembro, a Samarco confirmou que apenas a barragem de Fundão se rompeu.

Mortos e feridos

Até o dia 9 de março, havia um corpo desaparecido após o rompimento da barragem de Fundão, no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana. Dezoito corpos foram reconhecidos.

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