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Fotógrafo douradense abre mão da calmaria para caçar tornados em MS

13 Jul 2020 - 09h37Por Vinicios Araújo
Foto: Maycon Zanata - Foto: Maycon Zanata -

Apesar de muito trabalhoso, a atividade de fotografia é conhecida pela tranquilidade e sensibilidade aos pequenos detalhes que podem ser registrados num clique preciso. Técnica, estudo e muita habilidade são fatores mais que essenciais. Há 6 anos, o douradense Maycon Zanata passou a viver essa rotina diariamente, eternizando momentos e sorrisos. 


Mas, há cerca de dois anos, algo mudou a realidade do fotógrafo de uma vez por todas. Uma tempestade que lhe cruzou o caminho despertou dentro de Maycon um desejo de desbravar a meteorologia para encontrar os maiores tornados que pudesse. Hoje, aos 28 anos, ele caça tempestades severas na região centro-sul de Mato Grosso do Sul e conta ao O PROGRESSO sobre essa prática.


O PROGRESSO: Quando e por que começou a procurar esses fenômenos? 
Maycon Zanata: Eu sempre gostei de tornados e tempestades fortes desde criança. Aos 11 anos eu já via documentários sobre tornados e já desconfiava mais ou menos que também ocorriam aqui, porém menos frequentes. Sempre quis fazer meu próprio conteúdo, algo profissional como nos documentários que eu assistia. Há uns 6 anos atrás eu comecei estudar fotografia, isto se tornou um vício. Comecei fotografar natureza e há 2 anos atrás passou uma tempestade muito forte por mim, peguei a câmera e fiz umas imagens, depois deste dia eu comecei a estudar como conseguir me antecipar para chegar em um local antes de acontecer uma tempestade forte daquelas. Foi a partir daí que o vício começou.


O PROGRESSO: Esses fenômenos são poucos comum na nossa região?  
M.Z: Digamos que é comum, porém não tão fácil de registrar. Como disse, caçar tempestades é a arte de estudar meteorologia para conseguir se antecipar e assim conseguir chegar antes de formar uma tempestade e já estar preparado para pegar alguma cena incomum. Tempestades severas com potencial para formar tornados são comuns nas grandes frentes de tempestades que ocorrem na região sul do Brasil, RS SC e PR. Porém, às vezes parte destas frentes que vem do Paraguai pegam a parte do extremo sul de MS. O interior de SP também é um bom lugar para tempestades fortes. O restante do país é bem raro ocorrer. Vivemos na segunda maior área de incidência de tornados no mundo, perdemos apenas para os Estados Unidos. Ventos quentes da amazônia em encontro com frentes frias vindas da patagônia formam tempestades severas. Em Dourados, dentro da cidade, tivemos já dois tornados: um em 2010, causando muito prejuízo, e outro no início deste ano (foi apenas um princípio de tornado mas que já causou alguns danos). Estes eventos severos são muito isolados e pequenos por isso muita gente desacredita justamente porque a população não foi devidamente ensinada entre a diferença de tornados, furacões e etc. As pessoas fazem muita confusão na hora de saber o que significa cada coisa. Um tornado pode devastar em segundos a casa do seu vizinho e a sua não sofrer nada, por exemplo. Grande culpa também é dos filmes que aumentam em efeitos passando uma visão errada sobre um tornado real. Geralmente as melhores tempestades acontecem entre 6 a 10 vezes por mês na primavera. Geralmente a temporada vai de Outubro a Abril. Em média eu faço umas 6 a 8 caçadas por mês. Em dias de caçada eu paro tudo e me dedico a caçar. Às vezes não dá tempo nem de parar o carro para almoçar. A melhor região no Brasil para tornados e temporais fortes é o extremo oeste de SC e PR entre a fronteira com Argentina e Paraguai


O PROGRESSO: Esse trabalho exige estudos, técnica? O que é preciso para ser um caçador de tempestades? 
M.Z: Sim. Antes eu ia atrás de nuvens escuras, hoje eu sei que nem todas as nuvens escuras são severas. Saber onde ir é só através de estudos. Um básico em meteorologia, conhecer todos os tipos de nuvens, saber quais condições formam uma tempestade severa, fazer sondagens para saber índices para conseguir saber se vai ter chances de ocorrer algo severo, entender radares meteorológicos e imagens de satélite, estudar rotas, estradas que sejam na mesma direção da tempestade para conseguir perseguir e acompanhar todo seu ciclo de vida para tentar pegar o momento raro da formação de algum fenômeno. Hoje eu faço parte de um grupo de caçadores e meteorologistas e participo de projetos na área, mesmo nunca tendo feito uma faculdade em meteorologia. Tudo que aprendi foi vendo documentários, vídeos de caçadores norte americanos, e o principal, praticando, caçando e errando muito.


O PROGRESSO: Quando você sai para uma temporada o que você espera encontrar?  
M.Z: Espero pegar o máximo de tempestades fortes possíveis. Tornados, granizo grande e fortes rajadas de vento, pois preciso de conteúdo para meu canal no Youtube. No primeiro ano eu era apenas um observador de tempestades, que é uma pessoa que registra só quando passa algo perto, depois comecei caçar tempestades no extremo sul do estado, andando 200 km em busca de fenômenos. Nesta próxima temporada a meta é caçar no país inteiro, andando cerca de 800 km, como fazem os caçadores nos Estados Unidos para conseguir registrar tantos tornados. Quem vê e não entende acha que é bem comum lá, porém um tornado ocorre no mesmo local lá a cada 3 a 5 anos. Tornados são como agulhas, extremamente difíceis de se registrar. Aqui no Brasil é da mesma maneira, quanto mais longe estiver, quanto mais disposto a caçar, mais coisas vai achar. Meu sonho é conseguir manter esse hobby a nível de conseguir caçar na região sul e extremo sul do nosso estado. Também sonho em caçar nos Estados Unidos um dia, mesmo ocorrendo por aqui. Lá a ocorrência é bem maior, com fenômenos bem mais fortes e perigosos. Enquanto temos 80 a 100 tornados por ano no Brasil inteiro, nos Estados Unidos são 1000 ou até mais por ano


O PROGRESSO: Qual episódio mais te marcou? 
Em abril deste ano eu consegui pegar a tempestade que derrubou o pavilhão de eventos de Laguna Carapã. Ela formou um tornado por alguns segundos, também formou granizo gigante em uma área rural próximo a Amambai. Eu cheguei muito perto desta tempestade e como foi a noite, foi extremamente radical. Minha namorada estava junto e me ajudou filmar, aliás ela também gosta e me ajuda a fotografar. Caíram muitos raios perto e os ventos estavam intensos, foi algo assustador mas foi um momento único. Me senti nos Estados Unidos, sem dúvidas a melhor tempestade que vi até hoje.

O PROGRESSO: Qual investimento você já fez para esse trabalho? 


M.Z: Bastante tempo e um pouco de dinheiro. Como eu sou autônomo, consegui me programar para conseguir trabalhar e em dias de alta probabilidade de tempestades, conseguir caçar. Na última temporada gastei por volta de 6 mil reais no ano, foram 4 mil km rodados. Nesta temporada me juntei com outros 4 caçadores: um do MT, PR e outro do RS. Juntamos um orçamento de 20 mil reais e pretendemos caçar no país inteiro, nas maiores frentes de tempestades onde sejam que elas aconteçam, que provavelmente será no sul. Caçar tempestades é um hobby extremamente viciante. Nos Estados Unidos já é algo popular, tem milhares de caçadores, onde muitos vivem disso, fazem excursões para caçar tornados e pessoas do mundo inteiro vão até lá e pagam estes caçadores para eles colocarem estas pessoas de frente com uma grande tempestades. A maioria destes clientes, são fotógrafos hobbistas de paisagem e natureza e fãs de eventos extremos.
Os trabalho de Maycon estão disponíveis no https://www.facebook.com/maycon.zanata.stormchaser/.

 

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