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Estudantes de baixa renda deixam de ir a escola no período menstrual

Frente Feminista de Dourados critica veto de Bolsonaro à distribuição gratuita de absorventes a mulheres carentes

17 Out 2021 - 10h00Por Gracindo Ramos, especial para O Progresso
Dados da ONU apontam que, no mundo, uma em cada dez meninas falta às aulas durante o período menstrual - Crédito: Banco de ImagensDados da ONU apontam que, no mundo, uma em cada dez meninas falta às aulas durante o período menstrual - Crédito: Banco de Imagens

A distribuição gratuita de absorventes é vista como uma medida que auxilia na permanência de mulheres de baixa renda no ensino regular e combate a evasão escolar. De acordo com a Agência Senado, “jornal, pedaços de pano ou folhas de árvores são usados de forma improvisada no lugar de um absorvente para conter a menstruação. A falta do absorvente afeta diretamente o desempenho escolar dessas estudantes. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde 2013, do IBGE, revelaram que, das meninas entre 10 e 19 anos que deixaram de fazer alguma atividade (estudar, realizar afazeres domésticos, trabalhar ou até mesmo brincar) por problemas de saúde nos 14 dias anteriores à data da pesquisa, 2,88% delas deixaram de fazê-la por problemas menstruais.” 

Ainda conforme a agência pública, “dados da ONU apontam que, no mundo, uma em cada dez meninas falta às aulas durante o período menstrual. No Brasil, esse número é ainda maior: uma entre quatro estudantes já deixou de ir à escola por não ter absorventes”. Para a professora douradense Gleice Jane, “o medo de terem suas roupas manchadas durante o período menstrual ocupa mais o tempo das adolescentes durante as aulas do que a concentração no aprendizado. O projeto seria uma proposta de garantir que elas tenham melhor desempenho educacional e o veto anuncia que o governo não tem compromisso com o futuro dessas jovens.”

A educadora popular e teóloga feminista Lilian Sarat, conta que aos 13 anos de idade soube o que era pobreza menstrual. “Ainda estávamos na ditadura militar e, como hoje, o dinheiro só circulava entre os ricos. Minha mãe fazia paninhos de toalhas ou camisetas velhas com todo o capricho pra eu poder ir pra escola. Todas nós sabemos que o fluxo é bem maior nos primeiros anos, e aqueles paninhos não conseguiam segurar por muito tempo o sangramento. Por isso, eu sei muito bem o constrangimento e desconforto para ir à escola ou qualquer outro lugar, se sentindo insegura e com vergonha de sujar a roupa, caso o sangue aparecesse. Só nós mulheres sabemos a importância deste projeto que foi vetado”, analisou.

O veto
No último dia 7 de outubro o presidente Jair Bolsonaro vetou artigos do Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual, que previa a distribuição gratuita de absorventes higiênicos, e que fossem beneficiadas estudantes de baixa renda matriculadas em escolas da rede pública de ensino; mulheres em situação de rua ou em situação de vulnerabilidade social extrema; mulheres apreendidas e presidiárias, recolhidas em unidades do sistema penal; e mulheres internadas em unidades para cumprimento de medida socioeducativa; além de vetar trecho que incluía absorventes nas cestas básicas do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional.

A Frente Feminista de Dourados criticou o veto do governo federal. “O presidente Bolsonaro sempre dá sinais de desprezo às mulheres e o veto a distribuição de absorvente para mulheres jovens foi mais um sinal. Ele não tem projetos de governo para mulheres, para jovens e nem para a população pobre. Nesse veto ele ignorou a necessidades de mulheres jovens de baixa renda”, disse a entidade de mulheres douradenses ao jornal O PROGRESSO. 

Conforme a Frente Feminista, “a distribuição de absorventes é uma questão de saúde pública e isso influência na saúde íntima da mulher e nas demais demandas. É uma questão de garantia de direitos humanos, como saúde, educação, acesso à trabalho e vida social das mulheres. Pensar esses aspectos é importante para liberar nosso país da enorme desigualdade de gênero existente entre homens e mulheres, mas de tão notável, passou a fazer parte das pautas internacionais de direitos.”

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