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Entrevista

Sitiantes relatam o drama das invasões indígenas em Caarapó

24 Jun 2016 - 06h00
Índios da Aldeia Tey’Kuê invadiram dezenas de propriedades rurais em Caarapó e espalharam uma onda de terror contra pequenos sitiantes que foram expulsos de suas casas e perderam seus bens. - Crédito: Foto: Hedio FazanÍndios da Aldeia Tey’Kuê invadiram dezenas de propriedades rurais em Caarapó e espalharam uma onda de terror contra pequenos sitiantes que foram expulsos de suas casas e perderam seus bens. - Crédito: Foto: Hedio Fazan
Sitiantes que foram expulsos das suas propriedades pelos índios da Aldeia Tey’kuê, em Caarapó, no dia 14 de junho, relataram ontem o drama das invasões que terminaram com pequenos sítios destruídos, móveis saqueados, plantações incendiadas, maquinários danificados e animais furtados. "Nunca vi tanta destruição, tanta raiva, tanta violência em toda minha vida", conta Valdenira Aparecida Custódio, proprietária de uma área de 28 alqueires. "Fui expulsa da minha residência, perdi tudo que construi com muito trabalho e agora estou morando de favor", completou.


Ela revela que tudo que tinha foi destruído. "Acabaram com nosso sítio, nossa fonte de renda, minha filha vai parar a faculdade porque não temos como pagar, meu marido está uma tristeza só e já falou até em se matar diante dessa situação", desabafou Valdenira. "Estamos vivendo um pesadelo, não temos fome, não queremos fazer mais nada", afirma. "Estou viva por fora, mas por dentro estou morta", relata.


Os sitiantes foram unânimes em afirmar que os índios começaram a preparar as invasões após o decreto editado pela então presidente Dilma Rousseff na véspera de sofrer o impeachment e defendem que o presidente Michel Temer anule tal decreto que praticamente deixa toda Caarapó vulnerável à demarcação. "Só espero que as autoridades federais atentem para o que estão fazendo com a gente", reclama Maria Savedra Ferreira, proprietária de uma área de 17 alqueires onde o marido Carlos Batista Ferreira nasceu há mais de 60 anos. "Nossa fonte de renda era o gado, mas das 80 cabeças que a gente criava eles (os índios) sumiram com 60", relata. "Foi muito triste tudo que aconteceu e só tivemos tempo de correr com a roupa do corpo, caso contrário eles teriam matado a gente", completa.


As propriedades maiores também foram alvo das ações dos índios. "A gente estava trabalhando na lida da fazenda quando vimos um monte de índio correndo na nossa direção com facões e foices", relata José Wilson de Souza, que mora e trabalha há 22 anos na Fazenda Novilha. "Corremos para os carros e fugimos para não morrer. Quando voltamos dois dias depois escoltados pela polícia tudo estava destruído, os maquinários danificados, 80 carneiros haviam sido furtados e 10 cavalos foram levados pelos índios, além de vacas leiteiras e touros que foram abatidos por eles", conta José Wilson.


A sitiante Ana Claudia dos Santos, proprietária de uma sítio de 6 hectares chora ao lembrar do drama sofrido. "Tudo que levamos uma vida para construir foi destruído em algumas horas pelos índios", desabafa. "O que eles puderam levar de dentro da minha casa eles levaram e o que não dava para levar eles destruíram", lamenta. "Roubaram mais de 100 cabeças de galinha caipira, mais de 50 porcos e mataram os animais de criação", explica. "Minha família está destruída, estou morando em hotel com meu marido, meus filhos estão na casa de parentes e as autoridades federais nada fazem para devolver a normalidade", completa.


Uma das mais abaladas com toda essa situação é a sitiante Claudete dos Reis Coutinho Silva, proprietária de 7 alqueires vizinhos à aldeia. "Eles destruíram tudo que viram pela frente, não sou mais a mesma pessoa depois dessa invasão, mas, por sorte, minha família está viva", relata em lágrimas. "Eles chegaram com facões, foices e armas de fogo, disparando para o alto e só deu tempo da gente largar tudo e sair correndo enquanto eles destruíam nossos pertences", conta Claudete. "Estou vivendo um pesadelo, quero minha vida de volta, quero minha família de volta, minha casa e minha paz", completa a sitiante. "O que a gente demorou 20 anos para construir eles destruíram em 3 horas, levaram tudo que estava dentro de casa e quebraram o que não puderam levar", desabafa a sitiante.


O casal Edison Francisco da Silva e Maria Agenora de Souza, que moravam na Fazenda Novilha, estão apavorados com a violência dos índios. "Eles chegaram gritando, eram mais de 200 índios com foices e facões nas mãos", lembra Edison. "Pegamos os documentos pessoais e fugimos para não morrer e quando voltamos encontramos um rastro de destruição", completou

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