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Invento viabiliza reciclagem de pneus

03 Jun 2011 - 22h40
Scherer inventou máquinas simples para viabilizar reutilização de pneus - Crédito: Foto : DivulgaçãoScherer inventou máquinas simples para viabilizar reutilização de pneus - Crédito: Foto : Divulgação
DOURADOS - O inventor paranaense, Guiovar Guinter Scherer, de 42 anos, encontrou um meio de viabilizar a reuti-lização de pneus \'inservíveis\', poupar o meio ambiente e, de quebra, reduzir o número de potenciais criadouros do mos-quito Aedes aegypti, transmissor dos sorotipos da dengue. A fêmea do inseto costuma desovar nas paredes dos pneumáti-cos, que nas mãos deste empreendedor transformam-se em tubos de drenagem feitos a partir dos flancos dos pneus ve-lhos.

Scherer explica que estes tubos não são invenção dele e já foram usados em obras públicas. O que ele desenvolveu foram máquinas simples e de baixo custo que viabilizam a montagem dos tubos que possuem grande resistência, baixo peso, flexibilidade, boa aparência e durabilidade.

Scherer é bacharel em Direito e Contabilidade, servidor público federal, natural de Planalto (PR). Em entrevista ex-clusiva ao site Douradosagora e ao jornal O PROGRESSO ele conta como e porquê decidiu fazer isto.

O tema ganha espaço na mídia nesta Semana do Meio Ambiente. Confira.



É a primeira invenção?

Não é a minha primeira invenção. Há muitos anos construi, com a ajuda de meu irmão, uma máquina de fabricar cabides feitos de arame galvanizado, e funcionou, porém a máquina não saiu além da garagem de casa. Precisava de muitas melhorias e consequentemente investimentos.

O que te motivou a buscar solução para os pneus inservíveis?

O que me motivou foram os problemas ambientais e de saneamento causados pelo acúmulo de pneus usados jogados fora. Em especial a proliferação do mosquito da dengue. Como os pneus usados não possuem valor comercial algum que motive seu recolhimento por qualquer pessoa ou empresa, procurei uma forma de agregar valor a eles na forma da fabricação de tubos de drenagem feitos a partir dos flancos dos pneus velhos.

Esses tubos não são invenção minha e já foram utilizados em obras públicas de saneamento com um custo muito abaixo do que se fossem utilizados tubos de concreto, posso citar como exemplo a cidade de Cascavel no Paraná.
O que acontece é que desenvolvi máquinas simples e de baixo custo que viabilizam a montagem dos tubos que possuem grande resistência, baixo peso, flexibilidade, boa aparência e durabilidade, considerando que um pneu leva mais de 400 anos para se decompor na natureza.

Quais as vantagens desta invenção e a viabilidade?

Vejo como vantagem o fato de que, na fabricação do tubo, 25% em peso dos pneus jogados no lixo não teriam que ser transportados para as fábricas de cimento onde seriam queimados para fabricar cimento, do qual seriam fabricados também tubos de concreto.

Outra vantagem que vejo é o baixo custo do equipamento e a facilidade de operação, não precisa mão de obra qualificada, além de poder gerar emprego e renda nos municípios onde haja pontos de coleta de pneus. Com matéria prima barata e abundante, os custos de produção do tubo são basicamente a mão de obra na sua fabricação.

Já está disponível? Quais os resultados?

Apesar de divulgar o equipamento apenas na internet na forma de vídeo (youtube) estou recebendo vários contatos, alguns interessados no tubo e outros nas máquinas. Não estou fabricando os tubos ainda, somente as máquinas sob encomenda. O cortador de pneus tem sido bem aceito considerando sua versatilidade.

Além do corte de pneus para fazer o tubo, também já o adaptei para o corte de pneus de motocicleta para a extração de percintas utilizadas na fabricação de móveis. Também, a pedido, adaptei o cortador para a extração das laterais moles dos pneus em tiras largas para aproveitamento em outras finalidades.

Assim sendo percebi que do principio da fabricação do tubo, está se abrindo um leque de possibilidades quanto a utilização do cortador, que tem sido procurado por sua versatilidade e baixo custo. Via de regra, quando se fala em reciclagem de pneus, logo nos deparamos com máquinas caras e de grande porte, o que demanda um investimento inicial muito grande desestimulando por sua vez os interessados.


É difícil ser inventor no Brasil? Quais as cautelas, a fim de preservar o domínio da obra?

Ser inventor não é difícil, basta interesse, dedicação e sacrifício de algumas (muitas, todas) das horas da folga do trabalho. E principalmente não esperar pela ajuda de ninguém. Preservar o domínio da invenção é outra dor de cabeça, que ainda não sei se valeu a pena. Prestadores de serviço nessa área existem muitos, não utilizei nenhum, fiz sozinho.

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