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Comércio retém cartões de índios

13 Jun 2011 - 22h18
Operação da PF apreendeu cartões bancários que estavam nas mãos de supostos traficantes - Crédito: Foto : divulgaçãoOperação da PF apreendeu cartões bancários que estavam nas mãos de supostos traficantes - Crédito: Foto : divulgação
DOURADOS - Proprietários de alguns mercados e mercearias dentro e fora da Reserva Indígena de Dourados estariam retendo cartões bancários de índios para liberarem compras, principalmente de bebidas alcoólicas. De acordo com lideranças das aldeias Jaguapirú e Bororó, os comerciantes denunciados seriam do ramo alimentício e vestuário. Eles estariam espalhados pela Reserva e bairros de Dourados. A denúncia acontece depois de deflagrada a operação Tekohá, da Polícia Federal, que apreendeu dezenas cartões de benefícios e carteiras de trabalho com supostos traficantes nas aldeias.

Em entrevista concedida ao O PROGRESSO, o delegado Antônio Carlos Moriel Saches, de Brasília, disse que as carteiras de trabalho apreendidas já estão sendo devolvidas aos indígenas. Ontem mesmo, dezenas deles estiveram na Delegacia da Policia Federal para retirar os documentos. Conforme a PF, as carteiras de trabalho estavam nas mãos \"cabeçantes\" que arregimentavam trabalhadores indígenas para prestarem serviço nas usinas.

A prática é comum entre as empresas e o \"contratado”, uma vez que este fica com a responsabilidade de conseguir a quantidade de indígenas necessária para executar determinadas tarefas, como o corte de cana. O “cabeçante\" ganha comissão pelo trabalho dos índios, mas em contrapartida fica responsável por eles no período em que estes prestarem os serviços para a usina.
O delegado está ouvindo os indígenas que comparecem para retirar a documentação para dar continuidade às investigações.

MÁFIA DOS CARTÕES

De acordo com lideranças dos indígenas, o fato é que a maioria das famílias, com pouca instrução, são facilmente exploradas. Segundo eles, os índios se tornam presas fáceis para golpistas que se aproveitam da fragilidade das vítimas para os negócios e práticas comerciais.
Os cartões bancários de aposentados, pensionistas ou beneficiários de programas do governo federal como o Bolsa Família, seriam utilizados para garantir o pagamento de compras.

Segundo ainda as lideranças, o comerciante vende a prazo para o indígena, mas retém o cartão dele e no dia do pagamento do beneficio o próprio comerciante ou um funcionário do estabelecimento vai até o caixa eletrônico e faz o saque da conta do indígena. Em outras situações há denúncias de que no dia de receber o pagamento os comerciantes levam grupos de indígenas para o interior dos bancos para sacarem o benefício. O dinheiro recebido serve para quitar a dívida junto ao comércio, que abre novo “crédito” para as compras do mês seguinte.

A prática, realizada sem nenhuma fiscalização, abre margem para verdadeiros “roubos”, já que alguns indígenas não sabem quais foram o valores sacados e se estas quantias são, de fato, o que eles tinham consumido nos estabelecimentos.

De acordo ainda com as lideranças, a retenção do cartão, por parte de comerciantes, gera o que eles chamam de “escravidão financeira” do indígena, já que ele sempre vai permanecer endividado naquele estabelecimento e conseqüentemente perde a liberdade de procurar atendimento em outras mercearias e buscar melhores preços.

MPF

As denúncias de retenção de cartões por comerciantes de Dourados chegaram ao conhecimento do Ministério Público Federal. De acordo com o procurador da república, Marco Antônio Delfino de Almeida, duas operações foram realizadas no ano passado para coibir a prática. Na ocasião, comerciantes foram denunciados à Justiça e respondem a processo.

Conforme o procurador, diante das novas denúncias o MPF pode iniciar novo arrastão no município para combater a irregularidade. O ideal para evitar este tipo de crime, segundo o procurador seria uma fiscalização policial permanente, o que ele está tentando viabilizar. O Procurador alerta que o comerciante flagrado pode responder por crime de estelionato e se condenado ser obrigado a cumprir penas que chegam até quatro anos de prisão.

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