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Política

Barbosinha diz que candidatura a prefeito de Dourados é irreversível

Em entrevista ao jornal O PROGRESSO, o deputado estadual disse que tem conversando com todos os segmentos, mas, também, ouvindo o empresariado, as entidades representativas, o setor que produz e os trabalhadores

14 Fev 2020 - 12h26
Barbosinha está em seu segundo mandato de deputado estadual - Crédito: AssessoriaBarbosinha está em seu segundo mandato de deputado estadual - Crédito: Assessoria

Deputado estadual em seu segundo mandato, José Carlos Barbosa, o Barbosinha (DEM), diz que a candidatura a prefeito de Dourados é irreversível. Anunciado pré-candidato no meio do ano passado, a decisão de querer administrar o segundo maior município de Mato Grosso do Sul será “turbinada” neste sábado (15) em encontro regional do Democratas na Aced (Associação Comercial e Empresarial), a partir das 9h. A ministra Tereza Cristina (Agricultura) já confirmou presença no evento, que contará com a participação da classe empresarial e de militantes de toda a região. 

Barbosinha entrou cedo para a política. Aos 23 anos, o mais jovem do MS, foi prefeito da cidade de Angélica, entre os anos de 1989 a 1992. Mas foi na presidência da Sanesul que ele ganhou destaque em todo o Estado, ao transformar Mato Grosso do Sul em canteiro de obras na área do saneamento. Barbosinha também ocupou o cargo de secretário de Justiça e Segurança Pública. Advogado e professor universitário, ser prefeito de Dourados, para ele, não é uma condição imperativa, é um atributo que deve ser desempenhado por quem se qualificou pra isso, sem fazer disso uma obsessão, algo para preencher caprichos pessoais, ou de perpetuação de poder. 

Como pré-candidato a prefeito de Dourados, o senhor já se reuniu com lideranças políticas em busca de apoio? Quais lideranças?

Como sempre tenho dito, política é a arte de construir, de ciscar pra dentro, de somar, buscar agregar forças. E, nesse caso, construir uma futura candidatura de prefeito em Dourados, mais ainda, porque ao longo dos anos o Município vem perdendo em força política e lideranças que poderiam estar ajudando para alavancar a nossa força regional. Por isso mesmo, venho conversando com os meus colegas na Assembleia, Neno Razuk, Renato Câmara, Zé Teixeira e Marçal Filho, com os vereadores do meu partido em Dourados, Alan Guedes, Madson Valente, Cido Medeiros e o Pepa e espero ter a recíproca do PSDB, através do líder maior no Estado, governador Reinaldo Azambuja, de quem sou líder, que já sinalizou nesse sentido considerando o papel estratégico que o DEM exerce no contexto do Estado, com o vice-governador e secretário estadual de Infraestrutura Murilo Zauith e no cenário nacional através dos nossos dois ministros que ocupam posições exponenciais, Mandetta na Saúde e Tereza Cristina, da Agricultura e Pecuária.

Como avalia o atual cenário da prefeitura de Dourados, que passa por crise financeira?

Como você mesmo constata, vejo que Dourados enfrenta um dos piores cenários dos últimos tempos. Vivemos, na verdade, uma crise de gestão. E não podemos deixar de falar sobre isso. Na Saúde, por exemplo, Dourados funciona sobre regime pleno, ou seja, o Município é responsável por toda a macrorregião, composta por cerca de 32 cidades, com uma Média e Alta Complexidade que é referência para quase 800 mil habitantes. A per capta [dinheiro da União/Estado dividido por pessoa] de Campo Grande, com mais de 1 milhão e 100 mil pessoas, gira em torno de R$ 30,95 por um procedimento; Corumbá com 112 mil habitantes, R$ 39,95; Três Lagoas, R$ 32, e de Dourados, com mais de 230 mil habitantes, R$ 14. Isso significa que um paciente de Dourados vale a metade que um de Campo Grande.

A queda dos números de Dourados é preocupante. No ICMS, por exemplo, no último ano do Murilo [que foi prefeito de 2012 a 2016], de 100% da arrecadação do Estado, dividido pelos 79 municípios do Estado, Dourados tinha 7.07% do total, o que correspondia a uma média de R$ 10.5 milhões por mês. No primeiro ano da nossa prefeita, Délia Razuk, esse índice foi de 6,36%; segundo ano, 6,34%; no ano passado, 6,01% e neste ano, o índice definitivo aplicado para 2020 indica 4,2017, isso significa que uma perda grave anda acontecendo e não estamos acompanhando as nossas receitas. Quase R$ 50 milhões vão deixar de entrar nos cofres do Município este ano! Não estamos cuidando do nosso dinheiro...

E essa crise poderia afetar a gestão do futuro prefeito?

Nesse projeto de pré-candidatura, eu tenho levantado os números de Dourados. Felizmente, a cidade caminha pela iniciativa privada. Se nós não arrumarmos essa condição, aí a coisa se complica. Dourados fechou com saldo negativo de 8.466 vagas de emprego em 2018, e teve uma recuperação impressionante no ano passado, atingindo um saldo positivo de 6.208 vagas. Preocupa-nos, sim, porque a máquina pública, a burocracia, o custeio da máquina, consome o que produz. Aí vem as perguntas: Consumimos tudo o que arrecadamos, mais de R$ 1 bilhão e 100 milhões, mas devolvemos que tipo de serviços para o povo? A população está satisfeita com a saúde, a educação, as vias públicas, os serviços de limpeza e de iluminação? A resposta é não, pelo que temos ouvido das pessoas. Primeira coisa a ser feita é o reequilíbrio financeiro do Município, o resto virá por consequência, por meio de uma boa gestão e uma equipe técnica qualificada. 

Quando eu assumi a Sanesul, encontrei uma equipe desmotivada, uma empresa mal gerenciada, investindo mal os recursos, e eu entrei lá sozinho, não levei ninguém. Por meio de uma boa gestão quem levantou a Sanesul foram os próprios funcionários. Da mesma forma, na Prefeitura de Dourados, temos que motivar esses funcionários. Então, temos que fazer a lição de casa. Se eu ganho R$ 2 mil, não posso gastar R$ 2.100. E, se tenho um orçamento de R$ 1,140 bilhão, tenho que ter minimamente 10%, 15%, 20% para investimentos. Se não corrigirmos isso, o próximo prefeito de Dourados vai vegetar. Precisamos de eficiência, tem que cuidar do caixa gerenciando bem as receitas e cuidando com lupa e mão forte das despesas. 

A onda do bolsonarismo e de eleitores que querem candidatos do partido do presidente, isso te preocupa?

A democracia permite o livre arbítrio, o direito de escolha, independente de se essa ou aquela corrente política estar no controle da situação. O fenômeno Bolsonaro teve um papel decisivo nas eleições de 2018, quando elegeu não só o presidente da República, como deputados e senadores em várias regiões do País. Deve-se levar em conta, nesse contexto, a falência imposta ao trato político pelos que conduziram o País, nas principais instâncias, na década passada. Dourados viveu essa trágica experiência, entre 2008 e 2011, e ainda pagamos parte dessa conta. 2020 se apresenta como um ano em que as pessoas querem um representante à altura de promover o enfrentamento à crise de gestão e à falta de liderança administrativa que permitiram esses devaneios do passado recente. Para isso estamos conversando com toda classe política, inclusive com as correntes mais ligadas ao presidente Bolsonaro. Mas, temos uma certeza: teremos as portas do Governo Federal abertas para Dourados. 

O governador já disse em público que gostaria que Dourados (os partidos) se unissem em prol de um nome à prefeitura. O senhor compartilha essa opinião?

Eu venho falando, há muito tempo, que Dourados precisa recuperar o protagonismo regional. Se do ponto de vista do comércio, da indústria, do empreendedorismo, estamos caminhando muito bem, precisamos de recuperar a força política, com uma administração mais dinâmica. Hoje não temos um único deputado federal, há quanto tempo estamos tentando eleger um senador da República? Cabe ao prefeito de Dourados comandar esse processo, esse chamamento para assumir a liderança regional e a partir daí ocupar os espaços políticos que nos pertencem. É nesse sentido que o governador propõe um projeto de responsabilidade coletiva, de maturidade, onde as lideranças devem sentar à mesa e discutir essa retomada da governança política regional. 

Formando um "grupão" em prol de um nome não tornaria engessada a tomada de decisão na prefeitura, caso o escolhido seja eleito?

Não. Se tivermos um prefeito que assuma as rédeas, que tenha o controle da parte política da administração, que seja capaz de conduzir a recuperação econômica da cidade, e se eu tenho recursos, preciso ter uma equipe técnica referenciada. O secretário de Saúde tem que ser referência em gestão do setor, o de Planejamento tem que ter visão de futuro, o de Educação tem que ser o melhor em sua área e assim todas as outras áreas da administração. Não podemos negligenciar as escolhas, temos técnicos fenomenais dentro da própria Prefeitura, que as vezes está lá num cantinho da sala, e que precisam ser resgatados, têm que ter uma oportunidade. Motivação. É só conversar com as pessoas que me conheceram como presidente da Sanesul, como secretário de Segurança do Estado, para compreender o que estou falando. Precisamos trabalhar essa ‘orquestra’ chamada funcionalismo público, afinar os instrumentos e produzir os resultados com os melhores acordes. Gestão pública não é fazer experiência. Quem assume o Executivo tem que mostrar resultados. Isso é ter o controle da gestão, e se houver necessidade de trazermos apoio de fora da administração, com certeza faremos as melhores escolhas.    

O pedido de desligamento da função de líder do governo na Assembleia seria para se dedicar aos trabalhos da pré-candidatura?

Também, mas, sobretudo, pela necessidade da importância de um rodizio que é defendido pelo próprio governador, na interlocução do Executivo com o Parlamento. Penso que cumpri satisfatoriamente a função, neste primeiro ano do segundo mandato do governador Reinaldo Azambuja, fazendo a ponte entre as demandas dos deputados com os interesses do Governo. E Dourados ganhou com a minha presença na liderança do Governo. Conseguimos trazer para o Município obras estratégicas e emblemáticas, como os serviços de revitalização das principais avenidas da área central, a confirmação de que a Rua Coronel Ponciano será duplicada até o Distrito Industrial, a ampliação e modernização do Aeroporto ‘Francisco de Matos Pereira’, aceleração da primeira fase e garantia já de ampliação do Hospital Regional, a pavimentação de 83 Km das linhas de ônibus que cortam os principais bairros da cidade e a ligação, por asfalto, do distrito de Indápolis, em Dourados a Porto Wilma, em Deodápolis, com a construção da ponte de concreto. São alguns exemplos do resultado positivo dessa ação. Algumas dessas obras já aconteceram, outras estão em andamento e outras ainda acontecerão, mas já fazem parte de uma decisão político-administrativa do Estado para o município. 

Pode existir uma força maior que o impeça do projeto de candidatura a prefeito ou é uma decisão sem volta?

Em política você nunca pode tomar decisão sem volta. Em primeiro lugar, porque ao optar por um mandato, você passa a ser um servidor público qualificado, credenciado, pelo voto popular, servidor da vontade popular. Então, antes de tudo, e principalmente, qualquer projeto deve passar pelo crivo do eleitor, articulado com uma boa construção político-partidária, como estamos fazendo, conversando com todos os segmentos, mas, também, ouvindo o empresariado, as entidades representativas, o setor que produz, o trabalhador, as donas-de-casa. E, acima de tudo, me preparando, como tenho feito desde quando comecei prefeito aos 23 anos, o mais jovem do MS, de uma cidade [foi prefeito de Angélica, de 1989-92], presidente da Sanesul que chegou a presidência da Associação Brasileira das Empresas de Saneamento, secretário de Justiça e Segurança Pública que chegou a vice-presidência do Conselho Nacional dos Secretários de Segurança. Que trouxe para o debate nacional o assunto da segurança relacionada às fronteiras e o seu abandono pelo Governo Federal. Que incentivou o Governo a propor uma ação civil pública contra a União para ressarcir o Estado do gasto com os presos do tráfico internacional. Que é advogado, professor universitário, e, especialmente, pela capacidade comprovada de gestão. Ser prefeito de Dourados não é uma condição imperativa, é um atributo que deve ser desempenhado por quem se qualificou pra isso, sem fazer disso uma obsessão, algo para preencher caprichos pessoais, ou de perpetuação de poder. É dispor-se a servir. Somente a vontade de Deus pode nos afastar deste projeto de candidatura. Precisamos devolver a Dourados a Dourados que o povo merece. 

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