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Mulheres na música

Maestrinas lideram cada vez mais orquestras e corais

Regentes destacam as conquistas e desafios das mulheres na música

07 Mar 2021 - 10h00Por Gracindo Ramos
Maestrinas lideram cada vez mais orquestras e corais -

Por muito tempo um espaço ocupado por homens, a regência musical tem cada vez mais destacado a atuação das mulheres na profissão. A maestrina tem papel de liderança, com conhecimento sobre vários instrumentos e vozes, lidando com relações humanas, tarefas administrativas e outras atribuições. A condução de músicos ou cantores na interpretação de uma obra musical, determinar o andamento, o tom entre outros fatores requer um conhecimento apurado, ouvido musical e afinação para homogeneizar o som do grupo. A função é muito complexa dentro da música.

. Ana Lúcia Gaborim é regente e atualmente professora do curso de música da UFMS de Campo Grande. Ela possui curso técnico de piano clássico, bacharelado em composição e regência pela Unesp, mestrado em Música (Unesp) e doutorado em Artes pela USP. Ela conversou com O PROGRESSO sobre a profissão de regente e explicou que “por muito tempo a regência era predominantemente uma atividade musical destinada aos homes. Mas a gente vê que a sociedade está mudando. E com o fato da mulher estar tomando outros espaços nas empresas, na administração pública. Isso também tem acontecido na regência”.

Para ela, existe uma mudança social em curso. “Cada vez mais as mulheres estão assumindo a liderança de orquestras mais do que no passado. Mas ainda existe preconceito, ainda existe uma certa rejeição, por parte de alguns homens, de uma mulher estar à frente. Tem homens músicos que não aceitam isso. Já ouvi vários casos. Ou mulheres que foram assediadas moral ou sexualmente no cargo. Existe sim um espaço musical que está sendo preenchido, mas não é fácil de lidar com essas questões de assédio, de preconceitos. Ainda têm muitas barreiras a vencer”, esclarece a docente sobre os desafios das mulheres dentro da música.

“A minha professora de regência, Ligia Amadio tem realizado simpósios internacionais de mulheres regentes. E a gente vê que as mulheres estão ocupando cargos altos na regência. Seria a condução dos melhores grupos musicais que a gente tem. As mulheres já conquistaram muitas coisas, mas podem conquistar ainda mais. Isso vai ser conquistado com competência, conhecimento e estudo musical”, afirma a regente. Ela ainda destaca as maestrinas Priscila Bomfim, que saiu de Campo Grande e hoje está no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, e Mônica Giardini, da Banda Sinfônica do Estado de São Paulo.

. Thais Fernandes Costa tem bacharelado em Música com habilitação em Regência pela Unesp e hoje é regente da Orquestra da UFGD. Ela também cita a predominância de homens nos cursos de regência, mas afirma que a presença das mulheres na profissão está crescendo. “No campo da música, penso que as mulheres estão, pouco a pouco, ocupando esses espaços. Inclusive, têm retratações históricas com vários estudos e pesquises para levantar compositoras mulheres históricas, fazer festivais e competições para visibilidade da mulher atuando como regente, compositora”, afirma. 

“Que a gente possa, cada vez mais, ter mulheres realizando esses trabalhos. Eu como mulher participo de um grupo de mulheres regentes. Já tive oportunidade de estar num simpósio de mulheres regentes e condutores a nível mundial, com mulheres da Europa, Estados Unidos. E a gente vê que as falas também, em muitos países, são muito parecidas com as nossas. Que ainda são espaços que a predominância é masculina. Até um determinado período da história da música ocidental, as mulheres nem poderiam tocar em orquestra. A gente tem que pensar que a mulher pode ser o que ela quiser ser, estar em qualquer lugar que ela queira estar. Que nós possamos ter uma sociedade mais justa, com equidade para todos e todas que vivem”, conclui a regente.

. Neisy da Silva Teixeira tem 71 anos, é professora de biologia, mas sempre atuou na música. Formada em Música pela UFMS aos 60 anos de idade, ela conta que desde os 8 anos desenvolve a prática musical. “Meu pai era músico profissional e eu fui musicista de banda. Aos 15 anos formei o primeiro coral, com o conhecimento que eu tinha do meu pai e de membros da igreja”, explica. 

“Naquela época, mulher reger banda de música, principalmente na igreja, era muito difícil. Você não encontrava. Geralmente eram homens, na sua maioria, militares”, contou Neisy, que hoje é regente de coral. Ela participou de bandas de música da escola e com 30 anos fez conservatório no Instituto Villa-Lobos, no Rio de Janeiro, no curso de teoria. Também teve aulas de piano e canto. Ela explica que sua atividade na música sempre foi voltada para a igreja. “Não é profissão”, esclarece. Decidiu entrar no curso de Música aos 56 anos. Regeu coral na igreja por 11 anos, trabalhando com 2 mil mulheres. 

. Mirian Suzuki trabalha com pedagogia musical na UEMS de Dourados. Ela tem Bacharelado (Unesp) e Mestrado em Música (University of Arkansas). “Minha formação em música começou no piano, e até hoje atuo como pianista. Tenho experiência com regência, tive um projeto da Orquestra de Câmara UEMS, Coral Lúmen, Coral de Mulheres da Fundação Nelito Câmara, sempre atuando na área da pedagogia musical. Realizei também vários trabalhos na área da produção cultural como o Festival Internacional de Música ‘Prelúdios’, Ciclo de Concertos, Saraus, Encontro Internacional, Recitais entre outros eventos”, conta a musicista.

“A regência é um cargo de liderança. Há trabalhos maravilhosos que foram inclusive criados por mulheres como a Regente Lyn Williams, demonstrando excelência tanto em performance como em produção cultural para a sociedade. Há muito ainda para ser conquistado”, afirmou Mirian. Ressaltando que “a regência é responsável por conduzir um grupo de músicos na performance, preparando-os durante os ensaios como um organismo coeso e colaborativo. A liderança depende do nível de compreensão e atuação do grupo musical. É um trabalho em equipe”. Ela diz que o meio musical “tem mais abertura atualmente. Cito como exemplo Marin Alsop, que foi Regente Titular da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo por vários anos”. Para as mulheres que tem interesse na regência, ela entende que “participar de um coral e de uma orquestra que tenham músicos profissionais por alguns anos é uma vivência necessária”.

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