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Grandes empresas que faliram e principais ensinamentos que deixam

Perenidade é o grande desafio das empresas brasileiras na atualidade, especialmente das PMEs.

14 Mai 2024 - 13h15Por Daiana Barasa
Grandes empresas que faliram e principais ensinamentos que deixam -

Segundo dados divulgados pelo governo federal no Mapa de Empresas, apenas no primeiro quadrimestre de 2023, 736.977 empresas brasileiras fecharam as portas, o que representa um aumento de 34,3% em comparação com o último quadrimestre de 2022.


Grandes empresas brasileiras, com alto potencial de crescimento, cuja consolidação no mercado parecia estar à prova de qualquer crise, hoje são lembradas como casos de insucesso. O que leva esses negócios ao fechamento de portas e como é possível reverter um quadro de crise?

Com ampla experiência no cenário corporativo, atuando como conselheiro consultivo e consultor à frente da MORCONE Consultoria Empresarial, auxiliando principalmente empresas familiares, Carlos Moreira aborda sobre as grandes empresas brasileiras que faliram o que se pode aprender com casos de insucesso.


Do sucesso a memória – Grandes empresas brasileiras que faliram
 

Recentemente tratei sobre o caso de insucesso da Varig, uma empresa que viveu anos de hegemonia na área da aviação no Brasil, mas que a partir da década de 1980 começou a declinar devido a questões econômicas e políticas e a decisões erradas.

A lista é grande, mas selecionei alguns casos para relembrar.

Itautec S/A

Dentre as grandes empresas brasileiras que faliram está a Itautec, reconhecida por sua expertise em equipamentos de TI, automação comercial e bancária, alcançou seu auge a partir de 1979, expandindo sua presença para diversos países.

Durante o período de 1994 a 2005, também foi responsável pela gestão da marca Philco no Brasil. Entretanto, em 2013, encerrou suas operações sob esse nome, transferindo uma parte significativa de seus negócios para a empresa japonesa Oki.

No fechamento de portas no primeiro trimestre de 2013, a Itautec tinha lucro de 809 mil reais, uma queda de 93,8% em relação ao último trimestre de 2012.

Lojas Brasileiras (Lobrás)

Uma rede de departamentos e variedades originária de São Paulo, a Lobrás, que competia com as Lojas Americanas, já chegou a contar com 63 lojas espalhadas por 20 estados brasileiros, no entanto, encerrou suas operações em 1999.

Em 1982, as Lojas Brasileiras repassaram seu controle administrativo à família Goldfarb, que era proprietária também das Lojas Marisa. Ao encerrar as atividades em 1999 a rede tinha uma dívida de cerca de R$ 100 milhões.

Lojas Arapuã

Fundada em 1957 em Lins, São Paulo, a Arapuã emergiu como uma das principais varejistas do Brasil durante os anos 1990, rivalizando com gigantes como Casas Bahia e Ponto Frio. Mas desde o início dos anos 2000, a empresa tem enfrentado dificuldades financeiras, passando por um processo de recuperação judicial.

Atualmente, concentra suas operações na venda de vestuário a baixo custo em algumas áreas da periferia de São Paulo e no interior do estado.

Lojas Mappin

Estabelecida em 1913, a Lojas Mappin era uma instituição em São Paulo, sendo sua sede na Praça Ramos um marco reconhecido por todos. Expandiu-se com diversas filiais e foi pioneira ao introduzir o primeiro estacionamento próprio na Avenida São João. No entanto, em 1999, teve que declarar falência.

Em breve, pretendo trazer aqui mais detalhes específicos do caso de insucesso do Mappin, mas brevemente adianto que o problema partiu da má gestão e falta de preparo para lidar com o crescimento da empresa.

Principais razões de fechamento de portas entre as empresas brasileiras

Pesquisa realizada pelo Compra Agora, plataforma B2B com foco no varejo brasileiro em parceria com o Instituto Locomotiva mostrou que 98% das empresas varejistas apontam ter alguma dificuldade financeira como, dificuldades quanto a decisões de investimento, em separar contas pessoais das contas da empresa ou em obter financiamento.

Dentre as principais dificuldades enfrentadas pelas empresas brasileiras, destacam-se
  • Problemas de gestão financeira – com ênfase na falta de capital de giro; endividamento excessivo e má gestão financeira;
  • Problemas da falta de demanda ou mercado saturado;
  • Inovação insuficiente;
  • Problemas de gestão em geral – ausência de planejamento estratégico; problemas no gerenciamento de crises; conflitos internos, etc.;
  • Questões ligadas à regulamentação e burocracia;
  • Alta concorrência – o que leva à perda de participação de mercado para concorrentes mais fortes e que não ignoram a importância da inovação;
Entre outros.

Além destes problemas, empresas familiares também enfrentam dificuldades específicas, como:
  • Dificuldades no gerenciamento de conflitos familiares;
  • Falta de planejamento da sucessão estruturada;
  • Gestão ineficaz – marcada pela falta de profissionalização consequente de uma governança corporativa sólida;
  • Problemas de comunicação – em que falta alinhamento entre os membros familiares e os colaboradores da empresa;
Entre outros.

Governança corporativa sólida é a melhor prevenção contra o fechamento de portas

Dentre as grandes empresas brasileiras que faliram, as falhas ligadas à transparência com os públicos de interesse e quanto à responsabilidade corporativa são evidentes.

Uma governança corporativa eficiente é aquela que age como um ‘escudo de proteção’ aos interesses do negócio, protegendo principalmente sua reputação, ativo valioso responsável também pela longevidade das empresas no mercado.

Grandes empresas do setor varejista brasileiro, com exemplo recente das Americanas, Marisa, entre outras, tiveram problemas ligados principalmente à prestação de contas, transparência quanto ao fator operacional e junto aos acionistas, pontos fundamentais responsáveis por gerar maior confiabilidade aos investidores e por prevenir práticas antiéticas.

O melhor caminho para a perenidade está na profissionalização da gestão e na vivência prática dos valores e da cultura do negócio. Principalmente as empresas familiares devem redobrar a atenção sobre o tema.

Destaco a adoção do conselho consultivo como o principal caminho para que as empresas possam se formalizar no mercado e conseguir, dentro de seu segmento de atuação, se destacar.

É preciso mais do que “sobreviver” em um mundo VUCA, recentemente tratado como BANI, regido pelas mudanças frenéticas e grande volatilidade no mercado. Empresas são desafiadas a não apenas reagirem diante dos acontecimentos externos, mas a se anteciparem e, de alguma maneira impactarem seu segmento de atuação e sociedade.

É comum que negócios se esforcem principalmente em seus primeiros anos de mercado e, no decorrer do tempo, deixem de colocar esforços em novas iniciativas que promovam inovação em seu segmento, aliás, poderia citar inúmeras empresas que, por comodismo no mercado, hoje não existem mais.

O conselho consultivo desempenha um papel fundamental para a manutenção da relevância das empresas em seus respectivos setores. Composto por profissionais de diversas áreas de expertise, ele oferece orientações valiosas para a tomada de decisões estratégicas visando o futuro da empresa.

É essencial contar com o apoio de profissionais externos, especialmente quando a empresa enfrenta dificuldades em qualquer área. Reconhecer esses desafios e buscar ajuda imediatamente é o que garantirá o crescimento e a longevidade do negócio.


Carlos Moreira - Há mais de 37 anos atuando em diversas empresas nacionais e multinacionais como Manager, CEO (Diretor Presidente), CFO (Diretor Financeiro e Controladoria), CCO (Diretor Comercial e de Marketing). e Conselheiro Administrativo.

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