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Eleições 2018

Pesquisa CNT/MDA aponta Lula líder com folga

20 Ago 2018 - 14h45Por Reuters
Pesquisa CNT/MDA aponta Lula líder com folga - Crédito: Ricardo Stuckert Crédito: Ricardo Stuckert

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva segue à frente na disputa presidencial, mesmo preso em Curitiba desde abril deste ano, apontou pesquisa CNT/MDA divulgada nesta segunda-feira, mas, por ora, ele registra uma transferência de votos relativamente baixa para o esperado plano B, Fernando Haddad.

Em cenário de pergunta estimulada, o ex-presidente figura como o favorito de 37,3% dos entrevistados, seguido do deputado Jair Bolsonaro (PSL), com 18,8%, de Marina Silva (Rede), com 5,6%, de Geraldo Alckmin (PSDB), com 4,9%, Ciro Gomes (PDT), com 4,1%, e Alvaro Dias (Podemos), com 2,7%.

Ainda que tenha levado em conta aqueles que oficialmente pediram registro de candidatura junto à Justiça Eleitoral, o instituto tentou estimar a capacidade de transferência de voto de Lula.

Dentre os que declaram voto no petista, o vice na chapa do ex-presidente, Fernando Haddad (PT), é o que mais se beneficia, com a migração de 17,3% dos eleitores de Lula.

Em seguida vem Marina, com 11,9%, Ciro com 9,6%, Bolsonaro, com 6,2% e Alckmin, com 3,7%.

Para o diretor executivo do Instituto MDA, Marcelo Souza, o percentual de transferência de votos de Lula para Haddad pode ser considerado inicialmente baixo, mas deve-se levar em conta que o ex-presidente ainda figura como candidato, e, portanto, não declarou apoio a nenhum nome.

“Eu até imagino que, a partir do momento em que esse apoio declarado dele a determinada pessoa acontecer, essa transferência tenda a ser maior”, avaliou.

A sondagem aponta 14,3% de votos nulos e brancos na votação para presidente, enquanto 8,8% dos entrevistados se mostraram indecisos.

Outra característica captada pela pesquisa diz respeito à volatilidade da decisão do eleitor. A maioria dos candidatos angaria votos que ainda podem ser mudados.

Dentre os que declararam voto em Marina, 33,9% dizem que esta é a sua posição definitiva, enquanto 66,1% admitem possibilidade de mudança de opinião.

Parte considerável dos eleitores de Alckmin, 63,3%, declaram que podem mudar seu voto, contra 36,7% que se declaram decididos. Ciro segue a mesma tendência: 37,3% declaram o apoio ao candidato do PDT como definitivo, e 62,7% podem mudar de ideia.

“São eleitores bastante voláteis, eles mesmos afirmam que podem mudar. Você tem aí (uma proporção) quase de dois para um, o que é grande.”

Os eleitores de Lula, Bolsonaro e Alvaro Dias figuram entre os mais decididos: 82,3% declaram estar fechados com o petista, 70,7% com o presidenciável do PSL, e 64,8% estão decididos pela candidatura do Podemos.

Outro ponto que chama a atenção é que mais da metade dos entrevistados —55,6%— declarou conhecer pouco ou nada das opções de candidatos.

“O eleitor está sem conhecimento. Imagino que em algum momento ele ainda vai buscar essas informações”, avaliou Souza, lembrando que, segundo a pesquisa, pouco mais de 50 por cento declaram pouco ou nenhum interesse pelas eleições no momento.

“A gente tem o eleitor que ainda vai buscar essas informações, ainda vai se posicionar”.

Outro ponto mostrado pela pesquisa foi a rejeição dos eleitores aos candidatos. Sobre Bolsonaro, 53,7% disseram que não votariam no candidato do PSL de jeito nenhum. Esse percentual foi de 52,7% para Marina, 52,5% para Alckmin, 44,1% para Ciro, 41,9% para Lula e 27,9% para Alvaro Dias.

REGISTRO

No levantamento divulgado em maio, Lula somava 32,4 por cento das intenções de voto, à frente de Bolsonaro, com 16,7 por cento, Marina, com 7,6 por cento, Ciro com 5,4 por cento, Alckmin, com 4,0 por cento, e Dias, com 2,5 por cento.

Para Souza, a melhora na perfomance de Lula em relação a maio pode ter sido um reflexo do pedido de registro de sua candidatura ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na última quarta-feira.

“Isso pode ter dado certo ânimo aos seus eleitores”, afirmou.

Lula também lidera os cenários de segundo turno. O petista vence Ciro, Alckmin, Bolsonaro e Marina com larga margem. Nos cenários da segunda rodada em que Lula não figura como candidato, Bolsonaro aparece numericamente à frente, mas com uma vantagem que configura empate técnico, por estar dentro da margem de erro.

Sem Lula, explica Souza, além do empate técnico entre todos os nomes, há uma elevação considerável da parcela de brancos e nulos.

“É uma eleição que ainda está em aberto, que vai ser bastante complicada. O eleitor ainda não encontrou em quem votar e está bastante insatisfeito com as opções que estão colocadas”, disse.

A pesquisa também mediu a popularidade do presidente Michel Temer. Para 78,3 por cento, a avaliação foi negativa, em comparação aos 71,2 por cento registrados em maio.

A avaliação positiva ficou em 2,7 por cento, ante 4,3 por cento.

Encomendada pela Confederação Nacional do Transporte, a pesquisa tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais. Foram ouvidas 2002 pessoas, entre os dias 15 e 18 de agosto. A pesquisa foi registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), sob o número BR-09086/2018.

 

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